Paul Scholes simbolizou um período bastante vitorioso ao Manchester United. O meio-campista nunca vestiu a camisa de outro clube e atuou em alto nível pelos Red Devils ao longo de quase duas décadas. Colecionou títulos, incluindo 11 taças da Premier League e três da Copa da Inglaterra. Da Champions League são dois troféus, mas o veterano acredita que poderia ter faturado outros mais. Para ele, o problema estava na força da concorrência, mencionando em especial o Barcelona de Pep Guardiola – que, afinal, derrotou os mancunianos em duas decisões continentais, em 2009 e 2011.

“Tivemos muito azar. Em outra era, nós poderíamos ter conquistado quatro, cinco, até seis títulos na Champions. Mas as equipes que enfrentávamos… Você olha para o Barcelona do Guardiola e pensa: ‘Jesus, quão bons eles eram!’. Você poderia passar por toda a equipe. No meio você tinha Iniesta, Xavi e Busquets. Messi no ataque. Henry na esquerda. Piqué e Puyol eram os zagueiros. Era simplesmente surreal. Sem dúvidas, foi o melhor adversário que enfrentei. Eles formam um dos melhores times da história”, analisou Scholes, em entrevista ao podcast ‘A Goal in One’.

Vale lembrar que o Manchester United era tricampeão da Premier League quando chegou à decisão de 2009. Não teve muitas chances contra a equipe de Guardiola, em sua temporada mais impactante. Além disso, o meio-campista reservou elogios ao Real Madrid. Relembrou a força dos merengues, que eliminaram o United duas vezes na virada do século: nas quartas de final em 2000, quando acabaram com a taça, e nas quartas de final em 2003, sucumbindo a uma fortíssima Juventus na etapa seguinte.

“Se voltar um pouco mais no tempo, penso na equipe do Real Madrid contra a qual jogamos. Ficamos absolutamente abatidos no Bernabéu em 2003. Ganharam por 3 a 1 no primeiro jogo, que timaço eles tinham. Não ficava tão longe do Barcelona. Ronaldo, Zidane, Figo, Raúl, Roberto Carlos, Hierro, Casillas no gol… era uma equipe ridícula. Enfrentamos algumas equipes assim. Jogamos bem contra o Barcelona, mas não foi suficiente, eles tinham essa vantagem sobre o grande time do Real Madrid”, comentou Scholes.

Curiosamente, Scholes precisou esperar até 2008 para disputar sua primeira final de Champions. O volante era importante na equipe de 1999, mas recebeu um cartão amarelo na semifinal contra a Juventus e acabou suspenso para a decisão contra o Bayern de Munique. Ainda hoje, ele avalia que não deveria ter visto aquele amarelo – embora, descansado, tenha contribuído à tríplice coroa em outras frentes.

“Você apenas lida com isso, não é? Fiquei destruído na época, mas não havia nada que pudesse fazer. Fui para a dividida com Deschamps e já vi esse lance algumas vezes. Não acho que foi falta, para ser honesto. Estava na frente do juiz e ele chorou como um bebê, um bebezão, o que não me ajudou. Recebi o cartão e perdi a final, mas talvez não tivesse jogado de qualquer jeito, nunca dá para saber”, rememorou.

“Tínhamos jogos importantes naquele momento. Um grande duelo contra o Tottenham para vencer a liga, a final da Copa da Inglaterra no sábado seguinte e, então, a decisão da Champions League. Fiquei arrasado por não jogar, claro. Roy Keane também. Mas não importava quem estava suspenso, ainda tínhamos uma equipe capaz, alguém poderia preencher seu lugar e fazer um trabalho tão bom quanto”, complementou.

Por fim, Scholes também exaltou Patrick Vieira. Para o inglês, o craque do Arsenal não era necessariamente o melhor adversário que enfrentou ao longo da carreira, mas certamente era o que mais o constrangeu em campo. Além da qualidade técnica, o francês unia uma capacidade física fora do comum, que complicava bastante ao jogador do Manchester United.

“Como jogador, Vieira era brilhante. Pela maneira como eu jogava, nunca encontrei um oponente tão em forma, tão forte, tão bem fisicamente. Nunca fui esse tipo de jogador, eu era um passador. Poderia derrotar adversários com passes, mas Vieira era tão diferente, tão alto, tão grande, com pernas enormes. Quando você pensava que tinha a bola, ele tomava. Era constrangedor enfrentá-lo, mas era realmente bom. Não apenas aguardava na defesa, ele avançava, podia fazer gols. Tinha grande energia”, completou.