Schillaci: “A Copa de 90 foi fantástica, ficamos invictos e a única lamentação é não termos sido campeões”

Artilheiro da Copa de 90, Schillaci viveu o ápice da carreira no Mundial disputado na Itália e lamenta que o time não conseguiu ser campeão

Há alguns jogadores que parece que nasceram para jogar uma Copa do Mundo. Salvatore Schillaci, mais conhecido como Toto Schillaci, é um deles. Foi destaque italiano na Copa jogada no país, em 1990, fez seis gols em sete jogos e marcou o seu nome na história da Azzurra. A Itália acabou eliminada em uma semifinal dramática contra a Argentina. Schillaci lamenta a derrota por considerar aquele um grande time da Itália. Ainda mais porque o jogador não conseguiu nenhum outro feito notável antes ou depois daquele torneio.

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O atacante surgiu no pequeno Messina, onde era destaque na Serie B e, na temporada 1980/90, justamente a anterior à Copa, ele se transferiu para a Juventus. Em uma só temporada na primeira divisão, teve bom desempenho, fez 21 gols em 50 jogos, sendo 15 deles na Serie A em 30 jogos. O técnico Azeglio Vicini decidiu convocar o jogador, então com 25 anos, para o Mundial.

Sua estreia aconteceu em um amistoso preparatório, o último antes da Copa. Em um jogo contra a Suíça, ele foi titular, jogou os 90 minutos e parece ter agradado o técnico. Na Copa, começou como reserva. Os titulares no ataque eram o consagrado Gianluca Vialli e Andrea Carnevale. Foi com os dois que a Itália iniciou a partida contra a Áustria, na estreia, em Roma.

Diante de mais de 73 mil pessoas, os italianos tiveram dificuldade. O jogo se arrastava em um 0 a 0 e, aos 30 minutos do segundo tempo, o técnico Vicini tirou Carnevale e colocou Schillaci em campo. Em uma boa jogada de Vialli, ele cruzou e Schillaci apareceu para cabecear e marcar o gol da vitória italiano: 1 a 0. Dali em diante, a trajetória do atacante se tornou de destaque.

Schillaci entrou no segundo jogo, mas desta vez não marcou. O gol da vitória da Itália por 1 a 0 veio com o meia Giuseppe Giannini. No terceiro jogo, Vicini decidiu mudar o time. Colocou em campo dois atacantes reservas. Schillaci, que tinha entrado nos dois jogos anteriores, e Roberto Baggio, que estreou ali no torneio. A dupla de ataque brilhou. A vitória por 2 a 0 veio graças a gols de Toto Schillaci e Roberto Baggio.

Os dois ganharam seus lugares no time que começou jogando as oitavas de final. Diante do Uruguai de Enzo Francescoli e Daniel Fonseca, a dupla de ataque brilhou de novo. Schillaci marcou mais uma vez e Aldo Serena completou o placar. Nas quartas de final, outro jogo apertado e, mais uma vez, Schillaci definiu o jogo. Seu gol levou a Itália à semifinal, 1 a 0 em Roma.

A semifinal foi o momento mais dramático para a Itália. No estádio San Paolo, em Nápoles, os anfitriões enfrentaram a Argentina de Diego Maradona, comandada por Carlos Bilardo. Schillaci faria o gol da Itália, mas Claudio Caniggia empataria. Foi o placar da partida, 1 a 1. Nos pênaltis, a Argentina marcou suas quatro cobranças. A Itália desperdiçou duas, com Roberto Donadoni e Aldo Serena, e acabou eliminada.

Na decisão do terceiro lugar, Schillaci voltaria a marcar, assim como Roberto Baggio, na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, também eliminada nos pênaltis na outra semifinal, sendo derrotada pela Alemanha. A Itália não velou o seu quarto título mundial para casa, mas a Copa marcou a carreira de Schillaci.

“A Copa do Mundo é um evento extraordinário e jogar por seu país é o sonho de todo jogador”, afirmou Schillaci à Sky Sports Italia. “Foi um torneio fantástico, nós não perdemos e a única lamentação é que não fomos campeões. Nós tínhamos um grande elenco, eu vim da Serie B no ano anterior, enquanto todo mundo era muito experiente”, conta.

“Eu joguei apenas uma temporada na Juventus, mas conquistei o meu lugar com a máxima humildade”, disse o jogador. “Eu fiz a minha estreia contra a Áustria e tive sorte, já que Vialli fez um cruzamento espetacular, eu estava entre dois zagueiros gigantes, mas a bola caiu na minha cabeça e eu marquei. Eu fiquei feliz, mas no dia seguinte, já havíamos deixado para trás. Foi fundamental para mim manter os pés no chão”.

Depois de uma Copa tão marcante, Schillaci voltou com moral para a Juventus. Mas o seu desempenho não foi mais o mesmo. Na temporada 1990/91, fez 42 jogos, mas fez apenas oito gols. Em 1991/92, foram 40 jogos e sete gols. Em julho de 1992, ele se transferiu para a Internazionale.

Na primeira temporada, 23 jogos, sete gols. Na temporada seguinte, perdeu espaço, fez apenas nove jogos e foi negociado para o Jubilo Iwata, do Japão, onde jogou até 1996 e se aposentou. Foi no Japão que teve a sua melhor fase da carreira. Foram 65 gols em 93 jogos. Mais gols que marcou em qualquer um dos clubes anteriores, Juventus, Messina e Inter.

Comentando sobre o momento da Juventus, nesta temporada, ele apontou uma similaridade bastante curiosa com o argentino Paulo Dybala. “Eu realmente gosto de Dybala e eu o acompanho desde o Palermo. Ele já cresceu muito na sua carreira de futebol. Seu estilo é bem similar ao meu”, analisou Toto Schillaci.