Nas duas temporadas em que Raúl atuou pelo Schalke 04, ele sempre se fez presente. Distribuiu belos passes, fez alguns golaços e esbanjou liderança no time que foi às semifinais da Liga dos Campeões. Após a saída dele, porém, a realidade dos azuis reais poderá ser outra. Não há, no elenco atual, alguém capaz de chamar a responsabilidade no ataque da maneira que o ex-merengue chamava. E também não há perspectivas para a contratação de um substituto.

Sem Raúl, o negócio é o seguinte: Jéfferson Farfán é o encarregado de criar as jogadas para Klaas-Jan Huntelaar, artilheiro da última Bundesliga, finalizar. Se o peruano se machucar, como aconteceu em 2011/12, o jeito vai ser confiar em Chinedu Obasi, jogador talentoso, mas extremamente inconstante. Não parece ser a melhor das alternativas para um time que busca disputar o título alemão que não vem desde 1958.

Há outro nome: Julian Draxler. Esse vai à linha de fundo com a mesma facilidade que uma pessoa normal tem para encher um copo d’água ou somar 2 + 2. Mas Draxler ainda tem 18 anos, é uma criança quase, e pode decidir alguns jogos, mas se não tiver o suporte necessário, se resumirá a alguns lampejos de craque. Também não é prudente confiar no recém-contratado Tranquillo Barnetta, que já se acostumou a conviver mais com médicos e fisioterapeutas do que com jogadores nos últimos anos de sua carreira.

No meio, a coisa também não agrada. Ou alguém acha que José Manuel Jurado é a solução para algum problema? Talentoso, o espanhol decide um ou outro jogo, mas é refém da sua própria irregularidade. Alexander Baumjohan também é inconstante, embora mostre habilidade, assim como Edu, que retornou do empréstimo ao Besiktas. Ninguém é ruim, mas também ninguém é excelente. Talvez Lewis Holtby tenha maior margem de crescimento do que os citados, ou Teemu Pukki, se melhorar fisicamente.

Na defesa, a coisa é ainda menos tranquila. A torcida pode até não admitir, mas chora no quarto escuro a saída de Manuel Neuer até hoje, e não há um substituto pronto no elenco atual. Ralf Fährmann, recuperado da lesão que o tirou de boa parte da temporada passada, parece ser o nome mais preparado para a titularidade. Mais do que Timo Hildebrand, veterano que um dia foi tratado como joia no Stuttgart e atualmente é apenas um bom reserva, apesar de ser caro.

Benedikt Höwedes é a exceção. Sóbrio com a bola nos pés, o agora capitão do time foi especulado em um bocado de lugares quando a Bundesliga acabou. Não saiu de Gelsenkirchen, e poderá ser o símbolo de um time que, ao que tudo indica, lutará pelo terceiro lugar novamente. Joel Matip e Kyriakos Papadopoulos, mais experientes, poderão ajudar bastante e Christian Fuchs é o melhor lateral esquerdo da Bundesliga quando Philipp Lahm não atua por lá.

Entre os volantes, a novidade é Roman Neustädter, que segurou as pontas no meio-campo do Borussia Mönchengladbach e agora terá uma vida um pouco mais difícil nos azuis reais. Mas, se repetir o desempenho, toma a posição com um pé nas costas, até porque o melhor concorrente por ali é Jermaine Jones, e quem quiser ter algo mais do que uma carreira mediana precisa ser melhor do que Jermaine Jones.

No geral, é um elenco homogêneo. Ninguém é muito ruim, mas também ninguém é muito bom. É um time bem treinado por Huub Stevens, nota 6,5, capaz de lutar pela terceira posição da Bundesliga. Pouco para quem vê o rival Borussia Dortmund, com uma série de jogadores mais baratos, dominar o campeonato já há duas temporadas. E quase nada para quem quer crescer em nível continental.