Jogos grandes pedem jogadores grandes. Ser decisivo quando o time mais precisa, naqueles jogos mais difíceis, é uma qualidade rara. É algo além do talento propriamente dito, tem a ver com a personalidade, com o mental, com a capacidade de lidar com pressão e a dificuldade. Saúl Níguez emergiu como um jogador decisivo na temporada passada, especialmente com a atuação de gala contra o Bayern de Munique. Desta vez, novamente o meia apareceu. Foi o autor do gol do time no jogo de volta contra o Leicester, nesta terça, que selou a passagem do time à semifinal. Mais do que isso: ele é uma peça importante que transforma o time da capital espanhola cada vez mais forte.

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Com 22 anos, Saúl se tornou titular na temporada passada. Versátil, pode atuar pelo lado do campo, como normalmente é escalado por Simeone, e também pelo centro. É um jogador ofensivo, canhoto, com boa visão de jogo e boa técnica. Mais do que isso, tem essa rara qualidade: aparece nos jogos grandes. No estádio King Power, foi o melhor jogador do time Colchonero. Um time que soube dominar o adversário na bola no primeiro tempo e soube sofrer no segundo, diante da voracidade do Leicester.

Nesta temporada, muitas vezes Saúl tem jogado pelo centro do campo, não pelos lados. A atuação desta terça pelo lado direito aconteceu principalmente pela entrada de José Gimenez na equipe. Zagueiro de origem, o uruguaio atuou no meio-campo para dar força de marcação. Saúl, então, foi para o lado do campo com liberdade de atacar. Antes do gol que marcou nesta terça, o último gol tinha sido no dia 21 de fevereiro, na vitória espetacular por 4 a 2 sobre o Bayer Leverkusen fora de casa. No dia 17 de dezembro, Saúl foi eleito o melhor jogador da partida na vitória sofrida por 1 a 0 sobre o Las Palmas, em casa. Foi o autor do gol da partida.

Saúl passou por uma situação muito difícil, física e emocionalmente. Em 2015, em um jogo da Champions League contra o Bayer Leverkusen, sofreu uma pancada que danificou o seu rim. “Nas duas últimas temporada eu usei um cateter e depois de todas as partidas ou treinos eu urinava sangue e certamente não foi um momento fácil para mim. Eu estava arriscando a minha saúde movido pelo desejo de jogar no time titular do Atleti”, contou o jogador à TV espanhola Mega.

No dia 25 de fevereiro de 2015, ele teve um hematoma no rim que o obrigou a passar a noite em um hospital na Alemanha após o jogo. Conseguiu superar este problema de saúde para ser o jogador que vemos em campo. Estabelecido como um jogador titular do time, ele sabe o tamanho do significado de conquistar o título europeu. “Nós encaramos todo jogo europeu com um desejo adicional e há um enorme desejo no Calderón para conseguir esse título”, disse ainda o jogador à emissora espanhola, dois dias antes do jogo desta terça.

Na Champions League desta temporada, Saúl é dos jogadores com melhor desempenho na soma de todos os jogos. Faz por merecer o lugar que tem no time e é um dos responsáveis pelo Atlético de Madrid ter ganhado mais recursos para controlar o jogo a partir da técnica. O time é especializado em contra-ataques, com transição muito rápida, que aproveita espaços deixados pelos adversários.

Com Saúl e uma boa dose de treinos – e aqui vem o mérito de Simeone -, o Atlético atual parece capaz de competir não só na luta, mas na bola, na troca de passes e até na paciência que precisou ter em alguns momentos. O Atlético de Madrid de 2013/14 era um time muito físico, capaz de se impor desta forma sobre o adversário. O de 2015/16 já tinha Griezmann e um time mais técnico. Em 2016/17 é certamente a melhor versão do Atlético de Madrid de Simeone. Ainda muito forte defensivamente, mas com muito mais recursos para atacar o adversário. E Saúl é um dos diferenciais desse time.

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