Sarri: “Futebol é para divertir e os resultados são a consequência lógica, se você trabalha com paixão”

Treinador do Chelsea falou sobre os seus conceitos de futebol, os primeiros meses na Inglaterra e a ligação que permanecerá com o Napoli

Apesar das desconfianças sobre a sua adaptação em Stamford Bridge, uma conhecida máquina de moer treinadores, Maurizio Sarri faz um início de trabalho espetacular com o Chelsea. Não apenas acumula bons resultados, mirando a liderança na Premier League, como também já exibe as características de seu jogo fluído e ofensivo. Tudo parte de seus ideais, conforme as palavras do comandante deixam claro. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, ele apontou como a paixão e a diversão norteiam as suas condutas.

“A ideia inicial, quando decidi dedicar minha vida ao esporte, era me divertir e fazer as pessoas se divertirem. Quando o time me segue e consegue aplicar minhas teorias em campo, sinto uma satisfação imensa. E quando vejo que mesmo os jogadores e os torcedores estão contentes, o que mais posso pedir? Meu senso de futebol é esse. Os resultados são uma consequência lógica. É um conceito fundamental na vida real: se você trabalha com paixão, cedo ou tarde irá alcançar todos os seus objetivos”, declarou Sarri.

Questionado sobre os primeiros meses na Inglaterra, o treinador fez uma boa avaliação: “Nossos resultados e a qualidade do futebol são positivos. Permanecer invicto por 18 jogos, em uma realidade competitiva como a nossa, mostra que estamos no caminho certo. Estou mais feliz ainda porque jogamos várias partidas e isso torna a progressão mais dura. O ritmo é muito fortíssimo. Há pouco tempo de trabalho e a rotina interfere nos treinamentos, mas eu sempre soube que seria assim. Neste momento, tento encontrar um meio termo entre treinos e competições”.

Além disso, também destacou os pontos altos do que vive no novo país: “O alto nível do futebol na Inglaterra, disputado em estádios de futebol fantásticos, me conquistou imediatamente. Há uma quantidade infinita de paixão e, pelo que vi até o momento, expressa da maneira correta. Mas é preciso melhorar o tempo. O calendário deixa um período escasso para treinamentos, o que não ajuda jogadores e treinadores. Não devemos pensar apenas no componente físico, mas também no mental”.

Sobre o Napoli, Sarri apontou a ligação profunda que permanecerá. Nascido na cidade, se mudou à Toscana ainda na infância. Contudo, seguiu alimentando sua paixão pelo clube e realizou o sonho quando, enfim, foi convidado para comandar os partenopei.

“Acho que meu legado mais visível em Nápoles é o numérico: assumi um Napoli que havia terminado a Serie A com apenas 64 pontos e deixei um que chegou aos 91. Não podemos fazer mais do que isso. Outro legado é pessoal: a relação com a cidade e as pessoas. Minha relação com o Napoli nunca acabará. Compararam meu time com o montado por Luis Vinício nos anos 1970. Fico honrado com esse tipo de afirmação. Não tenho muito a falar sobre o presidente De Laurentiis, apenas agradecê-lo. Ele deu a maior satisfação da minha vida, deixando que eu treinasse o time do meu coração. Foi uma aventura maravilhosa e nem mesmo a minha saída pode apagar isso”.