O São Paulo teve uma noite desastrosa na Libertadores e, derrotado por 4 a 2 pela LDU, nesta terça-feira, ficou em situação crítica para avançar às oitavas de final. Com apenas quatro pontos, precisará ganhar as últimas duas partidas e ainda contar com tropeços dos adversários para não ser eliminado.

Foi assustadora a facilidade com que os equatorianos conseguiram chegar ao gol do São Paulo. A partida inteira, mas especialmente no primeiro tempo, quando a LDU marcou três vezes e ainda teve oportunidade de fazer pelo menos mais uns dois.

Os críticos de Fernando Diniz destacarão, não sem certa dose de razão, o segundo gol da LDU, fruto de um erro na saída de bola dentro da sua própria área, mas a fragilidade do São Paulo foi mais ampla do que a tentativa de construir com passes curtos desde a defesa.

Houve pouca agressividade na marcação e na pressão a quem tinha a bola, o que é uma sentença de morte a quem se propõe a jogar como o São Paulo. Praticamente todas as vezes em que tentou, a LDU precisou apenas acelerar um pouco a bola na intermediária e depois tocar de pé em pé até sair na cara de Tiago Volpi.

Fossem os equatorianos um pouco mais qualificados e a derrota por 4 a 2 teria sido mais profunda. Todos esses erros são recorrentes em jogos do São Paulo desde a chegada de Fernando Diniz e a execução ainda ineficiente das ideias do treinador são um sinal muito ruim, a quatro dias de seu trabalho completar um ano com poucas evidências de evolução.

O São Paulo vinha finalizando mais e mantendo a posse, mas sem criar chances claras, com exceção de uma cabeçada muito perigosa de Pablo nos minutos iniciais. Aos 20, a LDU saiu tocando desde o campo de defesa e, em todas as situações, teve muita tranquilidade para movimentar a bola. Teve espaço na direita para um cruzamento ruim, conseguiu recuperá-la, tramou na entrada da área e abriu para Christian Cruz cruzar como queria. Cristian Martínez desviou de cabeça e abriu o placar.

Por pouco não levou o segundo ao fim de um contra-ataque em que Matías Zunino deixou Reinaldo na saudade e ficou cara a cara com Volpi, também com muito espaço e sem ser pressionado. Esperou o goleiro sair e tentou um toquinho por cima, mas mandou para fora.

O São Paulo não teria a mesma sorte, quatro minutos depois, quando Volpi saiu jogando curto com Igor Gomes. A LDU pressionava com dois jogadores dentro da área e outros três na intermediária. Gomes passou para Hernanes, que demorou a reagir e teve a carteira batida por Adolfo Muñoz. Jhojan Julio recebeu na marca do pênalti, girou e bateu para fazer 2 a 0.

Antes do intervalo, a LDU recuperou a bola no meio-campo e teve espaço – claro – para contra-atacar. Piovi abriu com Zunino, recebeu de volta e emendou para Jhojan Julio, que chegou a estar marcado por Tchê Tchê, mas, na hora em que recebeu a bola, estava a metros de distância do volante. Ficou fácil a ele marcar pela segunda vez na noite.

O jogo estava praticamente decidido. O São Paulo até retornou do intervalo especulando uma reação. Gabriel Sara arriscou duas vezes de longe e acertou o pé da trave. Aos 14 minutos, Paulinho Bóia cruzou da direita e Brenner completou para descontar. Mas o gol não foi seguido por uma enorme pressão para assustar a LDU e, por volta da meia hora, Billy Arce recebeu na entrada da área e, com tremenda liberdade, teve tempo de girar e armar o chute quase em câmera lenta antes de anotar o quarto dos equatorianos.

O gol de Tréllez, aos 36 minutos, com uma caneta em Guerra antes de uma paulada de fora da área, foi bonito, mas não serviu para muita coisa.

Agora, o São Paulo tem poucas opções de resultado. Precisa vencer o River Plate no Monumental de Núñez de qualquer jeito, o que é difícil o suficiente, e depois obter um resultado melhor que o dos argentinos na última rodada – LDU, em casa. Em caso de empate em Buenos Aires, precisaria ganhar a partida final contra o Binacional, torcer por derrota do River e ainda tirar 11 gols de diferença de saldo.

Há também a possibilidade de passar a LDU, embora ainda menor. São cinco pontos de diferença no momento. Teria que ganhar os dois jogos finais e torcer para os equatorianos somarem no máximo um ponto, contra o Binacional, em Quito, e o River, em Buenos Aires. Ficou bem difícil.

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