São Paulo empata nos acréscimos, mas jogaço do Fortaleza deixa tudo aberto para a volta

Jogando em casa, Fortaleza teve um jogador expulso no começo do segundo tempo, outro no final e sofreu empate já nos acréscimos

O Estádio Castelão teve um jogaço na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O Fortaleza fez uma partida imensa e, por muito pouco, não saiu com a vitória diante do São Paulo. Com um a menos a maior parte do primeiro tempo, e dois a menos nos minutos finais, os cearenses venciam por 3 a 2, mas sofreram o empate nos acréscimos que levou o placar a 3 a 3. Um jogo dramático, com dois jogadores expulsos dos mandantes e emoção até o último segundo.

[foo_related_posts]

O Fortaleza começou bem o jogo. Os dois times tentaram manter uma pressão controlada no adversário, sem ir com tudo para cima, mas era o time da casa quem chegava mais. Logo aos seis minutos de jogo, em um escanteio, Paulão subiu alto, tocou de cabeça, o goleiro Tiago Volpi fez uma defesa difícil, mas deu rebote, aproveitado por David: 1 a 0.

O São Paulo tinha dificuldades, mas conseguiu o gol de empate. Gabriel Sara recebeu pela esquerda, foi à linha de fundo, cruzou para trás e Luciano finalizou cruzado. No meio do caminho, Brenner desviou e fez o gol. Os jogadores do Fortaleza reclamaram de impedimento, mas o jogador do São Paulo estava em posição legal.

O placar seria movimentado logo depois. Aos 20 minutos, Tinga, lateral direito do Leão, avançou com liberdade e, de fora da área, soltou um chutaço. A bola foi no ângulo do goleiro Volpi, que nada pôde fazer para evitar o segundo gol do tricolor cearense: 2 a 1.

Os movimentos de ataque do São Paulo aconteciam com dificuldade. Igor Gomes, um dos meias do time, tinha dificuldade em aparecer para o jogo. Gabriel Sara, por sua vez, não só aparecia muito, como aparecia bem. Os dois jogadores se posicionaram pelos lados do campo sem a bola, mas quando o São Paulo tinha a posse, os dois se movimentavam muito.

Enquanto o Fortaleza tentava criar lances de perigo em velocidade, o São Paulo tinha a posse de bola e buscava chegar à área adversária. O relógio já marcava 44 minutos quando o São Paulo interceptou uma bola no campo de ataque, Gabriel Sara recebeu e, de costas, deu um lindo passe de calcanhar para Igor Vinícius, que cruzou rasteiro na segunda trave e Luciano completou para marcar 2 a 2. O goleiro Felipe Alves quase conseguiu a defesa, mas a bola tocou nele e entrou.

No começo do segundo tempo, o lateral Igor Vinícius sentiu e foi substituído por Tchê Tchê – Juanfran, outro jogador da posição, está machucado. O lance chave viria aos 12 minutos. Brenner foi lançado nas costas da defesa, deu um drible de corpo no goleiro Felipe Alves e foi derrubado com falta fora da área. O árbitro inicialmente deu o cartão amarelo. Chamado pelo VAR, viu o lance novamente e expulsou o goleiro do Fortaleza. Pareceu uma decisão muito dura, já que havia um jogador de defesa correndo junto ao atacante. O árbitro tinha entendido isso em campo, mas com o VAR, mudou a sua decisão. E o jogo, por consequência.

O jogo ficou parado 10 minutos com a confusão de ir ao VAR e com as alterações que o Fortaleza fez. Entraram o goleiro Max Walef e o zagueiro Roger Carvalho. Só que entrou também o atacante Yuri César e não saiu ninguém. A culpa da confusão foi do quarto árbitro, que errou nas placas de substituições. O Fortaleza voltou a ter 11 jogadores em campo e o trio de arbitragem ficou perdido tentando descobrir o que tinha acontecido. Só depois de muita confusão é que o volante Felipe deixou o gramado para, enfim, o Fortaleza ficar com 10 jogadores em campo.

Quem aproveitou a paralisação foi o Fortaleza. Em uma cobrança de falta para a área, a defesa do São Paulo afastou, mas o time não conseguiu sair jogando e perdeu rapidamente a bola. Em novo levantamento de Juninho, Gabriel Dias subiu bem no meio da área, com liberdade dada pelos marcadores, e cabeceou bonito, no canto, para fazer 3 a 2 para o Tricolor do Pici. Mesmo com um a menos, o time de Rogério Ceni conseguiu voltar a ficar em vantagem.

Logo depois do gol, Yuri César teve a chance no contra-ataque, passou pela marcação e ficou livre, frente a frente com o goleiro Tiago Volpi. O atacante bateu colocado, mas a bola tocou no travessão. Uma grande oportunidade perdida pelo Leão, que poderia ter dado um grande passo para a vitória com um quarto gol. Não veio e o que viria depois seria um sufoco.

Para buscar o empate, Fernando Diniz imediatamente tirou o zagueiro Bruno Alves e colocou em campo Vitor Bueno. Luan, volante, foi recuado para ser zagueiro. O meio-campo da equipe ficou formado por Daniel Alves e Igor Gomes. O time ficou mais exposto e tentou partir para cima.

Com uma certa dose de desespero por estar com um a mais em campo, o São Paulo passou a levantar mais bolas na área. A defesa do Fortaleza parecia bem posicionada para lidar com os ataques. Tchê Tchê tentou em um chute de fora da área e depois tentou um cruzamento rasteiro para o meio, novamente chegando pelo lado do campo.

Rogério Ceni mudou novamente o time aos 31 minutos. Tirou Romarinho e colocou em campo Marlon. O Fortaleza tentava esfriar o jogo, muito apressado pelo lado do São Paulo. Ainda que com um jogador a mais, o São Paulo sentia dificuldade no jogo, sem conseguir controlar. Diniz sacou Igor Gomez e colocou em campo um jogador de velocidade, Paulinho Bóia, além de tirar Luan e colocar Pablo aos 37 minutos. Era a última tentativa de conseguir algo do jogo.

Daniel Alves virou lateral direito, com Diego Costa pelo centro, como único zagueiro. Tchê Tchê foi trazido para o meio, como único volante. Gabriel Sara era outro de meio-campo, com um ataque formado por Luciano, Brenner, Vitor Bueno e Pablo. Um tudo ou nada para o tricolor paulista em poucos minutos.

Carlinhos complicou a missão do Fortaleza aos 42 minutos, quando discutiu com o árbitro e acabou expulso. Rogério Ceni agiu imediatamente: tirou Yuri César e colocou em campo Bruno Melo para recompor a linha defensiva. O fim de jogo seria dramático. O árbitro indicou nove minutos de acréscimos, depois dos 10 minutos de paralisação no lance que gerou a expulsão do goleiro Felipe Alves.

Com 45 minutos no relógio, o São Paulo trocava passes no campo de ataque, até que Daniel Alves teve liberdade, cruzou com precisão para o meio e Diego Costa, zagueiro posicionado como centroavante, cabecear para fora. O Fortaleza conseguiu uma falta no campo de ataque para esfriar um pouco o jogo. O São Paulo reclamou muito e o preparador físico do São Paulo, Wagner, foi expulso, e em seguida aconteceu o mesmo com Fernando Diniz, que tomou amarelo, seguiu reclamando e o árbitro o expulsou.

Naquele momento, era um duelo de ataque contra defesa. O São Paulo exercia muita pressão nos minutos finais. No primeiro lance bem trabalhado, saiu o gol. Daniel Alves trabalhou pela direita com Gabriel Sara, que deu um toque inteligente para o lateral, ele tocou para trás, Luciano não conseguiu desviar em cheio, mas Brenner, mais uma vez bem posicionado, tocou para a rede e empatou o jogo em 3 a 3, aos 49 minutos.

Com dois jogadores a mais, o São Paulo tinha pressa para tentar a virada. O goleiro Max Walef precisou trabalhar. Em um chute de Reinaldo, que foi desviado no meio do caminho, o goleiro fez uma grande defesa, impedindo o gol. Depois, em um chute perigoso de Vitor Bueno de fora da área, novamente o goleiro fez a defesa e jogou para escanteio.

No último lance do jogo, em uma bola na área, a bola tocou no braço de Juninho, que estava junto ao corpo. Foi o gesto que o próprio árbitro fez aos jogadores do São Paulo, que reclamaram com ele. Quando a bola saiu, o árbitro colocou a mão no ouvido para tentar ouvir o VAR, que aparentemente o chamou. Ele pegou a bola com as mãos.

Parecia que ou acabaria o jogo, ou o pênalti seria marcado. O árbitro foi até o monitor, reviu o lance, mas decidiu que a sua decisão em campo foi mesmo a melhor: nada de pênalti. Ele voltou a campo e apontou o fim do jogo. As reclamações foram enormes, de todos os lados, mas logo isso acabou. O placar de 3 a 3 coroou um jogaço em Fortaleza.

O gol sofrido no final foi um golpe duro, mas o Leão do Pici tem muito o que se orgulhar e, pelo futebol que mostrou, pode causar problemas mesmo fora de casa. Ao São Paulo, o resgate do empate foi um alívio de um time que continua sofrendo demais para criar suas jogadas ofensivas. Ainda assim, quando acertou as coisas, conseguiu os gols.

Fica tudo aberto para o duelo de volta, no Morumbi, no dia 25 de outubro, um domingo, às 20h30 – um dia e horário diferente para o duelo. O calendário do São Paulo deve ficar bastante apertado se o time confirmar a vaga na Sul-Americana, depois do duelo contra o Binacional pela Libertadores – o time do Morumbi só perde a vaga se perder o jogo, em casa. O jogo contra o Fortaleza, em casa, é que promete muito, depois do que vimos nesta noite no Castelão.

Os gols do jogo: