Depois de semanas de espera, o Morumbi se preparou para a noite de Libertadores. Mais de 60 mil encheram as arquibancadas, com direito a sinalizadores e tudo mais que se espera de uma grande festa. Porém, mesmo repleto, o estádio encerrou a noite de quarta sob a frieza da incredulidade e o furor das vaias. O Atlético Nacional conquistou uma excelente vantagem no jogo de ida, ao vencer por 2 a 0. O São Paulo pode reclamar a arbitragem, pela expulsão exagerada de Maicon, ainda que seu capitão tenha sido inconsequente. Mas não pode se esquecer da falta de futebol que afetou a equipe de Edgardo Bauza. Agora, os tricolores terão que operar um milagre no sempre efervescente Estádio Atanásio Girardot, em Medellín, na próxima quarta.

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Sem Paulo Henrique Ganso, o São Paulo contou com a entrada de Ytalo, mesmo participativo na armação, mas com características que o aproximavam do ataque. E o início de jogo do Tricolor foi bom. A equipe se impunha no campo ofensivo, trabalhando a bola e empurrando a defesa do Atlético Nacional contra a parede. Faltava, no entanto, a capacidade criativa de um jogador como Ganso. Os são-paulinos não conseguiam encontrar muitos espaços, insistindo no jogo aéreo, e raras foram as finalizações. Nas poucas brechas para arrematar, o goleiro Armani mantinha a segurança sob as traves.

Já do outro lado, o Atlético Nacional conseguiu esfriar o jogo. Quando retomava a bola, trocava muitos passes no campo defensivo. Perigo mesmo, os colombianos só levavam nos raros contragolpes, e ainda assim falhando na pontaria. Perdendo o ritmo, o São Paulo se acomodou. Calleri, isolado demais, pouco aparecia. Ytalo e Wesley faziam péssima partida. Quem aparecia um pouco mais era João Schmidt, cadenciando a saída de bola, mas a equipe não tinha profundidade. No final do primeiro tempo, Michel Bastos ameaçou em um chute bem defendido por Armani, mas nada que rendesse tanto ânimo dos são-paulistas.

E o Atlético Nacional cresceu para o segundo tempo. O time de Reinaldo Rueda passou a se posicionar mais no ataque, com três excelentes chances, incluindo uma cabeçada de Borja no travessão. Aos 15 minutos, os verdolagas ainda ganharam o reforço de seu maestro, Alejandro Guerra, que começou no banco por conta dores no joelho e ajudou a mudar a postura ofensiva de sua equipe. Enquanto isso, o São Paulo abusava dos espaços. Bauza até tentou mexer no time, com as entradas de Alan Kardec e Daniel nos lugares de Ytalo e João Schmidt, mas nada que surtisse tanto efeito. Outros problemas persistiam, com a inoperância de Wesley e o isolamento de Calleri. Mesmo assim, o primeiro gol quase saiu aos 27, em um avanço rápido pela esquerda. Michel Bastos saiu na cara do gol, mas bateu em cima de Armani. Uma chance desperdiçada que custaria caro.

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Aos 29, aconteceu o principal lance da partida. Em um desentendimento com Borja, Maicon empurrou a cabeça do colombiano. O árbitro Mauro Vigliano, que não vinha apitando bem e prejudicava também o Atlético Nacional em lances menores, teve o seu erro capital contra o São Paulo. Maicon foi imprudente, mas pagou caro pelo rigor exagerado do argentino. Com 10 em campo, os tricolores desabaram, mesmo com Hudson tentando recompor o sistema defensivo.

A vantagem numérica permitiu ao Atlético Nacional exibir o melhor do futebol ofensivo que o consagra nesta Libertadores. Os dois tentos vieram na essência de seu jogo, com ótimas trocas de passes para sair na cara do gol. No primeiro, aos 36, o quarteto ofensivo inteiro dos verdolagas participou, com Macnelly Torres enfiando a bola para Borja vencer Denis. Já o golpe fatal veio aos 43, com um passe de calcanhar fabuloso de Marlos Moreno para Borja fechar o placar. Ao apito final, vaias.

O resultado é péssimo para o São Paulo, e em diferentes aspectos. Em condições normais, já seria difícil de encarar o Atanásio Girardot. Fica pior contra um time que, neste momento, apresenta um futebol melhor, como o Atlético Nacional de Reinaldo Rueda – até pelas variações possíveis no ataque, com a recuperação de Guerra e a volta de Berrío. A situação se agrava um pouco mais sem Maicon, o líder da zaga, e sob as perspectivas de seguir sem Ganso, o principal diferencial. E isso precisando vencer por dois gols de diferença. A classificação do Tricolor à decisão da Libertadores, neste momento, soa como um milagre. Resta uma semana para tentar buscá-lo.