Jogo às 22h nunca é fácil para quem vai ao estádio, mas a noite de quarta-feira foi especialmente ruim para os são-paulinos que estiveram no Morumbi. Era dia de semifinal da Copa do Brasil e o time recebeu o Santos em um clássico, com poucos motivos para acreditar em um bom resultado. O adversário vinha em fase melhor, tem um time mais bem armado e o treinador tricolor é recente no cargo. Nem foi preciso 90 minutos para que o Santos fizesse valer a sua evidente organização melhor em campo para construir o resultado de 3 a 1. Um resultado que o coloca com os dois pés na final, a não ser que o São Paulo se torne um time de uma semana para outra, o que parece improvável.

LEIA TAMBÉM: Fluminense perde a chance de decidir o confronto, e o Palmeiras sobrevive

Aos 40 segundos de jogo, o Morumbi pareceu ser uma metáfora do clube que o detém. Apagou completamente, com o time jogando uma semifinal de campeonato. Um estádio que um dia foi referência, sofrendo com um problema banal, mas com aqueles que o comandam acreditando que têm nas mãos um “equipamento de ponta” do país. A realidade, como a chuva, foi implacável. Sobre o estádio e sobre o time.

Quando, aos 14 minutos, o Santos marcou 1 a 0 com Gabriel, o São Paulo ia bem no jogo, ao menos no que se pode falar de ir bem para este time. Tinha a posse de bola, como queria. Tentava trabalhar as jogadas no campo de ataque e a marcação santista dava campo. O gol de empate do São Paulo, em uma finalização precisa de Pato, depois de cruzamento de Michel bastos, foi um grito de esperança na arquibancada do Morumbi. O gol perdido por Ganso, pouco depois, em um cruzamento de Pato, foi lamentado. Não mais que a chuva que caiu torrencial no bairro da zona sul paulistana.

A chuva castigou o Morumbi de um modo drástico, prejudicando a visibilidade. Quase não havia mais futebol no final do primeiro tempo. A água era o personagem principal da partida. Mesmo pressionando, o São Paulo parecia mais um bando. A qualidade individual ajudava, mas isso era pouco para quem pretendia algo melhor do que perder em casa. O time criou chances, é verdade, mas a água não ajudava. Nem os jogadores.

O início da segunda etapa foi avassaladora. O Santos marcou seus dois em menos de cinco minutos. Primeiro, com Ricardo Oliveira. Depois, com Marquinhos Gabriel. Consolidou a vantagem. A essa altura, o São Paulo sabia que era preciso, antes de tudo, diminuir a diferença e se manter vivo . E teve chances para isso. Foram muitas criadas, especialmente com Alan Kardec, que entrou no segundo tempo. Não conseguiu marcar em nenhuma delas. Doriva, na coletiva, disse que o time perdeu muitas chances e se tivesse feito algumas das que criou, o resultado seria diferente. Deu a entender que foi uma questão de azar. Não foi. O time não soube sair da marcação, não soube ser criativo e nem vencer a dificuldade da água, que foi para os dois times.

O Santos, por sua vez, sabia o que tinha que fazer. Teve em Lucas Lima um jogador eficiente na criação de jogadas, Ricardo Oliveira um artilheiro que soube aproveitar a chance que teve e uma equipe organizada e bem postada em campo. Em nenhum momento o Santos pareceu se desmontar. Sofreu pressão, viu Alan Kardec perder chances, mas pareceu ciente que não só estava melhor, mas que é melhor. O que é bastante para quem começou o ano até com previsões que poderia ser rebaixado.

LEIA TAMBÉM: Doriva no São Paulo é a escolha certa na hora errada

Com a chuva no Morumbi, o que escorreu foi a vaga do São Paulo para a final. O Santos, melhor, ficou com uma vitória para lá de confortável em pleno Morumbi para jogar na Vila podendo até mesmo perder por 2 a 0 e ainda assim ir para a final. Que, tudo indica, virá.

O torcedor são-paulino que foi ao estádio não viu o rodízio de jogadores, tão falado na época de Osório. Não teve jogadores fora de posição, como teve com o colombiano. Mas também não teve uma ideia de jogo, como tinha com o agora técnico do México. Com Doriva, o time foi desorganizado, sofreu com as bolas paradas – tomou mais um gol assim – e abusa dos cruzamentos para a área.

Aquele torcedor são-paulino que foi ao Morumbi, debaixo de chuva, em um jogo no cruel horário das 22h, viu o apito final quase 0h20 da quinta-feira, com o time perdendo por 3 a 1. Praticamente eliminado da Copa do Brasil. Com nada em campo que valha comemoração. Sem esperanças de ver uma melhora. E com a certeza que a situação do clube, se já estava ruim, ainda pode piorar até o fim do ano. Talvez o torcedor quisesse que o apagão fechasse o time até 2016, para tentar recomeçar.

O torcedor santista, mesmo na chuva, em um Morumbi pouco acessível ao transporte público e tarde da noite pelo horário do jogo, saiu do estádio comemorando. O time que começou o ano com perspectivas nebulosas chega no fim de outubro com uma equipe sólida, pinta como favorito para ficar em quarto lugar no Campeonato Brasileiro e é forte candidato ao título na Copa do Brasil. O ônibus vai demorar para chegar, o torcedor vai ficar todo molhado esperando e acordar no dia seguinte para trabalhar será duríssimo. Mas, para esses santistas, será uma quinta feliz mesmo assim.