Definitivamente, a primeira semana da fase de grupos da Copa Libertadores não vai sendo boa aos brasileiros. E o Santos resumiu bem a rodada infeliz, durante sua visita ao Real Garcilaso, no Peru. Sim, os santistas desperdiçaram algumas chances claríssimas, que poderiam ter mudado a história do confronto. Mas a verdade é que o time de Jair Ventura deu sorte por não sofrer uma derrota sonora em Cusco. Os peruanos mandaram na partida, diante de uma atuação totalmente desencontrada do Peixe. Vanderlei, mais uma vez, evitou o pior. Ao final, a derrota por 2 a 0, que deixa os azarões na liderança do Grupo 6, que ainda conta com Estudiantes e Nacional de Montevidéu.

Desde os primeiros minutos, estava claro que o Santos teria dificuldades em Cusco. O Real Garcilaso partia para a cima, tentando acuar os visitantes e explorando as jogadas pelos lados do campo. Aos sete minutos, já saíram em vantagem. Ivan Santillán encontrou um corredor pela esquerda e cruzou em direção à área. A defesa santista cochilou e Johnny Vidales apareceu livre para concluir. Bobeira geral. Além disso, os peruanos pareciam dispostos a explorar as dificuldades dos brasileiros com a altitude. Imprimiam um ritmo forte, pressionando a saída de bola, e arriscavam os chutes de longe.

O Santos poderia contar outra história sobre o duelo, não fosse o lance aos 16 minutos. Poderia. Porque Gabigol jogou no lixo uma chance claríssima, depois de bom lance de Eduardo Sasha, tirando o goleiro. O atacante finalizou mal e, mesmo com o gol escancarado, permitiu que a zaga afastasse. Custou caro. Afinal, no restante da primeira etapa, só deu Real Garcilaso. O Peixe era frouxo na marcação, com a letargia de Renato e Vecchio. Na cabeça de área, Alisson precisou se desdobrar diante do domínio dos peruanos, que controlavam a posse de bola. A defesa alvinegra não se cansou de errar o posicionamento, sobretudo nas bolas alçadas. E, além de alguns arremates perigosos que tiraram tinta da trave, Vanderlei realizou duas grandes defesas.

Faltava atitude ao Santos, que mal passou do meio-campo, com Gabigol desaparecido na maior parte do tempo e transições mal feitas. E o aviso no início da segunda etapa não foi bom, com mais um milagre de Vanderlei em chute de longe. Mesmo insuficiente, o Peixe buscou sair um pouco mais na sequência, mas dependia quase que exclusivamente das tentativas de Sasha para ter um respiro no ataque. Em outra boa jogada do ponta, Vecchio isolou. Era pouquíssimo a quem precisava reagir. E as substituições não surtiram muito efeito, apesar da vontade demonstrada pelo garoto Rodrygo – que, entretanto, demorou a ter uma chance.

Por fim, o Real Garcilaso passou a se aproveitar do cansaço do Santos. Vanderlei salvaria mais um chute de longe e os peruanos tentavam definir a partida. Conseguiram aos 43. Foi um prêmio a Alfredo Ramúa, camisa 10 e capitão dos anfitriões. O argentino fez muito bem o papel na organização do ataque e incomodou por sua movimentação. Então, para vencer Vanderlei, soltou um míssil da intermediária. A bola bateu no travessão e no chão, sem qualquer chances de defesa. Sacramentou uma partida claramente superior do clube de Cusco.

Os três pontos fazem falta, mas isso é o de menos ao Santos, diante da exibição horrorosa desta quinta. Há muito mais a se questionar e a não se repetir nos próximos compromissos. Os erros de marcação,  a lentidão e a falta de efetividade nas poucas chances: tudo saiu caro de mais. Por sorte, um grande goleiro como Vanderlei segurou as pontas. No entanto, se quiser ter vida longa na Libertadores, o Peixe não pode ficar tão à mercê assim das vontades de seus adversários nos embates com Nacional e Estudiantes – concorrentes que não estão exatamente entre os favoritos ao título, mas possuem um nível de investimento maior que o Real Garcilaso. Neste momento, porém, são os peruanos que despontam.


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