Com a temporada do futebol alemão terminando e a próxima batendo à porta, o Bayern de Munique já começou a se mexer, com a contratação de Leroy Sané, e também avaliando quem não chega e quem pode não ficar. Em entrevista ao SPORT1, o executivo bávaro Karl-Heinz Rummenigge passou a régua nas movimentações do octacampeão alemão, começando pelo ex-ponta do Manchester City.

Rummenigge elogiou a condução da negociação pelo diretor de futebol Hasan Salihamidzic, que conseguiu fechar a contratação por aproximadamente € 50 milhões. A lesão séria que Sané sofreu no começo da temporada e o tempo curto de contrato que ainda tinha com o City contribuíram.

A saga da transferência de Sané durou um ano, desde o mercado da temporada passada, e atravessou dois treinadores do Bayern de Munique. Segundo Rummenigge, era importante persistir porque desde Louis van Gaal os pontas do time são posições cruciais e porque há sempre o interesse de contar com os melhores jogadores alemães.

“Tivemos um nível muito alto com Arjen Robben e Franck Ribéry durante uma década. Os dois foram chave para o sucesso do nosso jogo por dez anos. Com Kingsley Coman e Serge Gnabry, temos dois ótimos jogadores de lado de campo e precisamos de um terceiro porque os dois às vezes precisam de descanso ou podem se machucar. Com Leroy, o treinador tem muitas alternativas para uma próxima temporada exigente”, disse.

A novela de Sané não foi a mais difícil do Bayern de Munique em tempos recentes. Rummenigge lembra da chegada de Javi Martínez, do Athletic, por € 40 milhões, na época o negócio mais caro da história do clube. “Seriam € 120 milhões hoje em dia. Essa soma foi marcante. A discussão sobre Martínez durou meses. Em certo momento, precisávamos tomar uma decisão. Perguntamos a Jupp Heynckes se era um jogador que levaria o Bayern a dar um passo à frente porque ele tinha conhecimento do futebol espanhol. Ele disse que sim, e fizemos o investimento. No ano seguinte, ganhamos a Tríplice Coroa, graças também a Javi”, lembrou.

Dois jogadores importantes do Bayern de Munique – Thiago e David Alaba – entrarão no último ano de seu contrato. Rummenigge falou em tentar encontrar uma solução “financeiramente aceitável”, em um momento em que as contas estão pressionadas por causa da pandemia, mas indicou que o meia espanhol estaria disposto a embarcar em um novo desafio.

“Tudo parecia certo, Hasan teve discussões com o conselheiro dele (Thiago). Tínhamos a impressão que todas as condições até ali estavam acertadas. Agora, ele está obviamente pensando em fazer algo novo. Vamos esperar e ver. Os dois são ótimos, dentro e fora do gramado”,  disse.

Coutinho não deve ficar. Emprestado pelo Barcelona, a opção para contratá-lo em definitivo expirou, e Rummenigge até o consultou para poder transferir a camisa 10 para Sané. Apesar de não se esforçar para mantê-lo, o dirigente não considera que a passagem do brasileiro pelo Bayern tenha sido um fracasso. “Não podemos esquecer que sua posição é a mesma de Thomas Müller. Thomas havia sido questionado. Agora está jogando como um pequeno Deus. Infelizmente, Coutinho se machucou, então não dá para dizer que ele falhou”, explicou.

Outra especulação forte, que também se encaixa no perfil de contratar destaques alemães, tem sido Kai Havertz, do Bayer Leverkusen, mas Rummenigge descartou concretizar essa transferência para a próxima temporada e torce para que ele não saia do país. Tem sido muito ligado ao Chelsea.

“Posso dizer muito claramente: não temos condições financeiras para contratar Havertz este ano. Todo o futebol europeu e o Bayern estão enfrentando grandes desafios financeiros e vocês sabem o quanto o Bayer Leverkusen está pedindo por ele. A decisão (de ficar mais um ano no Leverkusen) é do Leverkusen e do jogador. Para ser honesto, eu gostaria que o Leverkusen ficasse com Havertz pelo menos mais um ano porque estamos interessados em ter competição”, disse.

Apesar de cobiçar os destaques dos adversários, Rummenigge explica que torce para que a Bundesliga se torne mais competitiva e admite que um mesmo clube ganhando oito títulos consecutivos diminui um pouco o potencial de emoção. “Estamos interessados no Dortmund jogando bem, no Leverkusen e no RB Leipzig continuando a se desenvolver tão bem. A competição também é uma vantagem para nós. Não podemos ser acusados de termos tornado o time uma máquina na segunda metade da temporada. Não foi apenas por qualidade individual dos jogadores. Toda nossa construção é voltada para o sucesso”, encerrou.

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