Sandro Mazzola sentiu na pele uma tragédia da seleção italiana. Fazia parte da seleção que foi eliminada pela Coreia do Norte na Copa do Mundo de 1966, derrota que levou o país a fechar a janela de transferências para estrangeiros durante uma década e meia. Em entrevista ao El País, o ex-jogador da Grande Internazionale comentou eliminação do seu país na repescagem para o Mundial do ano que vem e diagnosticou: a Itália não sabe mais jogar bola.

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“Na Espanha (país do jornal ao qual deu entrevista), jogam futebol. Na Itália, não sabemos mais como jogar isso. Temos outro esporte. Não vemos mais dribles, fintas, chapéus”, afirmou o ex-jogador de 75 anos. Segundo ele, o principal problema é a formação dos jogadores, que privilegia mais o físico do que a técnica.

“Perdemos o costume de fazer os jovens jogarem futebol. Nesses últimos anos, quiseram criar atletas em vez de jogadores de futebol. Insistiu-se no ginásio, na força, no físico e se esqueceram do mais importante: a bola”, explicou ele, que se lembrou de treinamentos em que trabalhava mais com a bola. “Mas chegou a um ponto em que se começou a dizer que fisicamente os italianos eram menos fortes que os demais e se começou a treinar os jovens com ênfase unicamente no físico”, acrescentou.

Mazzola vê apenas uma maneira de corrigir o problema: “Inverter a tendência desde as categorias de base. Voltar a dar a bola para as crianças. A bola tem que ser seu objeto pessoal, algo que elas têm como seu. Senão, quando chega, você tem medo de errar, não sabe o que fazer e não faz nada”, explicou.

No jogo decisivo contra a Suécia, o ex-técnico da Itália, Gian Piero Ventura, foi criticado por deixar Lorenzo Insigne no banco, um dos jogadores mais talentosos que ele tinha à disposição. “Isso é típico na Itália, deixar no banco os mais talentosos. Se repassarmos a história, são muitas”, lembrou Mazzola que, na sua época, fazia parte de uma discussão se poderia atuar ao lado de Gianni Rivera ou não.

Mazzola também usa Verratti como exemplo, jogador que não consegue repetir na seleção italiana as mesmas atuações no Paris Saint-Germain. “Ele é um incompreendido. Não pode ser que um jogador da sua qualidade não brilhe aqui. Será que queremos outro tipo de jogador e de jogo… e assim vamos”.