Quando Manchester United e Arsenal anunciaram a troca, Alexis Sánchez por Henrik Mkhitaryan, a novela parecia ter chegado ao fim com um final satisfatório para todos. Foi inclusive o que escrevemos em janeiro de 2018, mas não foi bem essa música que a banda tocou. Nesta segunda-feira, o Arsenal anunciou a saída em definitivo do armênio à Roma, colocando um ponto final em um negócio que não funcionou para ninguém.

A troca fazia sentido na época. Entrando no último ano do seu contrato, Sánchez queria sair do Arsenal. O Manchester City tentou contratá-lo no mercado de meados de 2017, sem sucesso. Voltaria à tona em janeiro, mas foi atravessado pelo United, com uma proposta financeira mais vantajosa para clube e jogador. Acertou um enorme salário com o chileno e enviou Mkhitaryan de contrapeso para os Gunners.

Sánchez ganhou um alto contrato e a chance de participar de um clube que parecia mais próximo do sucesso. O Manchester United recebeu um dos atacantes mais decisivos da Premier League nos últimos anos. O Arsenal ficou com um bom jogador em vez de perder Sánchez de graça em seis meses. E Mkhitaryan teria uma plataforma para tentar recuperar o seu futebol.

Nada disso aconteceu na prática. O trabalho de José Mourinho deteriorou-se rapidamente. Não chegou a ser um verdadeiro candidato ao título, apesar do segundo lugar da Premier Laegue naquela temporada, muito longe do campeão. O português foi demitido, e Ole Gunnar Solskjaer, seu substituto, não conseguiu reconduzir o clube à Champions League. Apenas agora começa a dar sinais concretos de estar em um bom caminho, com atacantes rápidos e jovens.

Esse plano nunca incluiu Sánchez. Teve dificuldades para encaixar ao novo clube, nunca pareceu em ótima forma e também foi atingido por um momento especialmente sombrio do Manchester United, que também minou o futebol de outros nomes, como Anthony Martial e Paul Pogba. Fez apenas cinco gols em 45 jogos pelos Red Devils, nos quais diversas vezes pareceu sem confiança ou satisfação em jogar bola, antes de ser emprestado para a Internazionale, no primeiro mercado de Solskjaer como treinador efetivo do United.

Demorou para engrenar na Itália. Teve mais uma lesão em outubro, mas brilhou na retomada da Serie A após a paralisação, pelo menos o suficiente para convencer a Internazionale a contratá-lo em definitivo. Boa notícia para o United que conseguiu se livrar de um salário estimado em mais de £ 400 mil por semana que teria que pagar até 2022. O clube inglês, segundo a imprensa do país, concordou em um pequeno pacote de compensação para rescindir o vínculo do chileno que, aos 31 anos, tentará ressuscitar sua carreira sob o comando de Antonio Conte.

O Arsenal não perdeu Sánchez de graça, mas acabou não ganhando muita coisa em troca. Mkhitaryan nunca conseguiu ter uma boa sequência no norte de Londres, em parte prejudicado por uma lesão, em parte porque nunca se mostrou o rápido e criativo meia-atacante dos tempos de Borussia Dortmund e Shakhtar Donetsk. A queda física foi visível e ele também foi buscar refúgio na Itália.

Voltou a sofrer com problemas físicos, com duas lesões musculares. Quando esteve em campo, porém, mostrou-se à altura do que a Roma precisa, com nove gols e cinco assistências em 22 partidas. Também aos 31 anos, convenceu o Arsenal a rescindir o seu contrato e tentará seguir a vida em uma nova liga, em que seus atributos do momento talvez se encaixem melhor.

O Arsenal confirmou que seu contrato foi rescindido em acordo mútuo, e o fato de que os dois clubes preferiram se livrar de um problema – inclusive financeiro – e tentar fazer algum dinheiro com dois jogadores que poderiam ter certo valor de mercado é a prova final de que, no fim das contas, o que parecia ter sido um bom negócio, dois anos e meio atrás, acabou em arrependimentos.

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