A novela acabou: Alexis Sánchez foi anunciado pelo Manchester United nesta segunda-feira. O chileno, de 29 anos, assinou contrato até 2022 e vestirá a camisa 7, a mais famosa do clube. O valor da transferência ainda não foi confirmado. O que sabemos é que Henrikh Mkhitaryan vai como moeda de troca e se torna jogador do Arsenal. Um negócio que, aparentemente, acaba sendo bom para todo mundo: os clubes, Manchester United e Arsenal, e os jogadores, Alexis Sánchez e Henrikh Mkhitaryan.

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Vale lembrar a novela que se tornou essa transferência. O Manchester City ofereceu € 68 milhões no final da janela de transferências de agosto, mas o Arsenal não conseguiu fechar com Thomas Lemar, do Monaco, e desistiu de vender seu atacante. Tudo parecia encaminhado para uma nova tentativa em janeiro, como de fato ocorreu. Só que o negócio que parecia certo ruiu quando o Manchester United entrou na negociação.

Com um novo interessado, o preço por Alexis Sánchez subiu. O City oferecia cerca de € 22 milhões, mas o Manchester United acenou com € 40 milhões. Mais do que o valor da negociação em si, o que fez o chileno ficar mais perto do United do que do City foi a vontade do clube de José Mourinho de incluir Mkhitaryan no negócio – o que tornou a oportunidade mais interessante ao Arsenal – e a oferta de salários mais altos para Sánchez. O City desistiu e o caminho ficou aberto para Sánchez ir para Old Trafford.

Do ponto de vista de Alexis Sánchez, o atacante finalmente terá um clube que briga pelo alto da tabela, que joga a Champions League com mais ambição (teoricamente, ao menos) e com potencial de estar entre os principais ingleses, na briga pelo título da Premier League, nas próximas temporadas. O chileno terá que mostrar que está a esse nível.

O Manchester United ganha um jogador de alto nível e que já mostrou na Premier League que pode ser um jogador decisivo. Na temporada passada, Sánchez mostrou que pode marcar muitos gols. Foram 30 na temporada passada, em todas as competições. No total, pelo Arsenal, Alexis marcou 60 gols em 122 jogos.

O United pode se favorecer de um ponta que marque gols e que possa atuar eventualmente até mesmo mais avançado. É uma opção em um time que já tem Anthony Martial, Marcus Rashford e Jesse Lingard. Alexis Sánchez coloca pressão em todos eles, porque chega para jogar, ainda mais sendo o maior salário do elenco, segundo se relata na imprensa inglesa.

“Estou empolgado por chegar ao maior clube do mundo. Eu passei três anos e meio maravilhosos no Arsenal e tenho memórias muito positivas daquele grande clube e seus torcedores”, afirmou Alexis Sánchez em sua primeira entrevista ao novo clube.

“A chance de jogar em um estádio histórico e trabalhar com José Mourinho era algo que eu não poderia recusar”, continuou o atacante, já elogiando o novo comandante. “Eu estou muito orgulhoso de ser o primeiro jogador chileno a jogar pelo time principal do Manchester United e eu espero mostrar aos nossos torcedores por todo o mundo por que o clube quis me trazer para cá”.

Alexis Sánchez vestirá a camisa 7 no Manchester United (Foto: divulgação)

O técnico José Mourinho também elogiou muito o contratado. “Alexis é um dos melhores atacantes do mundo e ele irá completar o nosso elenco de jogadores de ataque muito jovens e talentosos”, disse o português. “Eu gostaria de desejar Henrikh todo sucesso e felicidade que eu tenho certeza que ele terá. Ele é um jogador que nós não iremos esquecer, especialmente por sua contribuição na conquista da Liga Europa”.

Alexis Sánchez recebeu a camisa 7 no Manchester United, o número mais importante na história do clube. Foi usado por George Best, Bryan Robson, Eric Cantona, David Beckham e Cristiano Ronaldo, para ficar nos principais. Os últimos a vestirem o número não se deram bem. Talvez pelo que o número representa, mas provavelmente porque não tiveram mesmo um bom desempenho em campo, independente da camisa que vestiriam.

Michael Owen foi apenas um reserva no seu tempo em Old Trafford; Antonio Valencia chegou a usar a camisa uma temporada, achou que deu azar e pediu a camisa 25 de volta, número que usa até hoje; Ángel Di Maria chegou como principal reforço, vindo do Real Madrid, e nunca conseguiu se estabelecer, saindo uma temporada depois para o PSG; por mim, Memphis Debay, que veio do PSV, usou o número, mas se tornou um reserva e partiu para o Lyon, sem deixar saudades.

Arsenal ganha Mkhitaryan
Henrikh Mkhitaryan, do Arsenal (foto: divulgação)

Na outra ponta do negócio, o Arsenal consegue se dar bem com o negócio. Consegue Henrikh Mkhitaryan, um bom jogador que não era aproveitado no Manchester United. Sánchez sairia do Arsenal de qualquer jeito, então o Arsenal consegue um bom jogador em troca, o que é um ótimo negócio. Ainda mais em um mercado de preços tão altos.

O Arsenal já mostrou que pode viver sem Alexis Sánchez, até porque o chileno já vinha jogando muito mal. Com Mkhitaryan, Arsène Wenger recebe um jogador que pode atuar como ponta ou como meia centralizado. Certamente se torna uma opção interessante aos Gunners.

Aos 29 anos, Mkhitaryan chega ao Arsenal para ter mais oportunidades. No United, mal jogava, não era aproveitado e não parecia ter a confiança do técnico. Chega em um time que precisa mais dele, com um técnico que certamente pretende utilizá-lo. Tentará mostrar o seu valor, já que teve ótimas atuações pelo próprio Manchester United em outros momentos. Nesta temporada, quando entrou em campo não foi bem como se esperava.

“Eu estou muito feliz que eu pude finalizar este acordo e eu estou feliz em estar aqui. É um sonho que se realiza porque eu sempre sonhei em jogar pelo Arsenal. Agora que estou aqui, eu vou dar o meu melhor por este clube para criar história”, disse Mkhitaryan.

“Henrikh é um jogador muito completo. Ele cria chances, ele defende bem, ele pode absorver distâncias e ele está muito comprometido também. Eu devo dizer que ele é um jogador que tem todos os atributos”, declarou o técnico Arsène Wenger.

Um dos pontos que travou a negociação foi o pedido salarial de Mkhitaryan, mas jogador e clube entraram em acordo e o negócio finalmente saiu. E um negócio que pareceu bom para todo mundo. Vamos ver como será em campo. Mas na concretização do negócio, todo mundo parece ter motivos para sorrir.