Que o San Lorenzo é o time do Papa e um dos grandes clubes argentinos você certamente já sabe, ou ao menos ouviu falar. O time finalmente conseguiu vencer a Libertadores, feito inédito em sua história, e parte para o Mundial de Clubes com o sonho de bater o Real Madrid, o grande favorito. O que você talvez não saiba é que o San Lorenzo representa, atualmente, uma firme oposição à forma como o futebol é gerido na Argentina. O Fútbol Para Todos, patrocinado e gerido também pelo governo, desagrada os clubes grandes como o San Lorenzo. E as mudanças recentes causam insatisfação crescente em um grupo que quer mudanças no futebol argentino.

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Junto com River Plate e Boca Juniors, o San Lorenzo faz oposição sistemática ao sistema do Fútbol Para Todos na AFA. Com o fortalecimento desses times também no campo – o River Plate acabou de ser campeão da Sul-Americana, batendo o Boca nas semifinais -, a sua força fora deles fica ainda maior. Afinal, os times grandes já possuem exposição maior na mídia, mas com o enfraquecimento de todos eles, suas vozes acabavam sendo menos fortes do que poderiam. Com a conquista da Libertadores, o San Lorenzo só tem o que comemorar. O seu sucesso em campo dá força aos dirigentes para continuar batalhando por mudanças.

O San Lorenzo é um dos símbolos da luta contra o que acontece atualmente no futebol argentino. Tem em seu vice-presidente, Marcelo Tinelli, um homem que é visto como inimigo pela direção do Fútbol Para Todos. É um modernizador, nas palavras que se usa por lá, o que causa arrepios naqueles que querem manter a estrutura como está. Por isso, Tinelli foi tirado da diretoria do Fútbol Para Todos. O governo Kirchner articulou para que a AFA aprovasse mudanças estatutárias para impedir que o dirigente do San Lorenzo se tornasse o presidente da entidade.

A queda de braço é mais do que apenas uma disputa de poder. Tem a ver com o próprio formato e a estrutura do futebol. O San Lorenzo, assim como o Boca Juniors, River Plate, Racing, Vélez, Godoy Cruz, Estudiantes, Gimnasia, Newell’s e Rosario Central, são contra o formato de 30 clubes do Campeonato Argentino, uma exigência do governo para aumentar o dinheiro de TV do Fútbol Para Todos. Com uma postura de oposição, esses clubes falam grosso. Um dos dirigentes chegou a dizer, fora do ar para o site Canchallena, que é “hora da revolução”.

Os clubes grandes, como o San Lorenzo, acham que não há como fazer um torneio tão grande sem recursos extras. A insatisfação é grande, mas o governo é firme, porque sabe que um torneio maior, com mais jogos no interior, é um capital político importante e 2015 é ano de eleição. A insatisfação é tamanha que já se fala em uma liga paralela, como a Premier League inglesa ou a Liga de Fútbol Professional, da Espanha. Tudo porque não confiam na AFA e nem no governo, principal financiador do Fútbol Para Todos.

O clube, que começou por causa do padre Lorenzo Massa, chega ao Mundial como representante do futebol argentino, mas que quer mudar muito do que acontece por lá. Os Cuervos – apelido dado porque era a cor da batina do padre Massa quando assistia os jogos – sonham em derrubar o Real Madrid na final. Mas sonham mais ainda em poder mudar a estrutura do futebol argentino. O que o uniforme do time, em seu azul e vermelho, representa.

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