Era para ser mera formalidade, mas o San Lorenzo conseguiu transformar seu confronto com o semiprofissional Auckland City em um duelo complicado, vendo a classificação para a final do Mundial de Clubes em risco por alguns instantes. O 2 a 1 na prorrogação foi suficiente para levar os argentinos á final contra o Real Madrid, no sábado, mas o nível da atuação foi de tirar a confiança de qualquer torcedor em um possível milagre contra os espanhóis.

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Em confrontos como esse, de uma equipe teoricamente forte contra um adversário fraquíssimo, começar o jogo evidenciando essa diferença é essencial para não correr o risco de ver o mais fraco crescendo na partida. O San Lorenzo não exerceu essa superioridade. Na metade do primeiro tempo, o jogo estava bastante equilibrado, nada acontecia, e o Auckland City conseguia cozinhar a partida, mantendo maior posse de bola, sem ter seu gol ameaçado.

Sofrer na semifinal do Mundial de Clubes não é novidade alguma para clubes sul-americanos. O São Paulo suou para passar pelo Al-Ittihad em 2005. Em 2006, o Inter também conseguiu uma vitória magra sobre o Al-Ahly, que complicou também para o Corinthians em 2012. Atlético Mineiro, em 2013, e Inter em 2010 que o digam sobre o quanto a combinação nervosismo e excesso de confiança na superioridade pode afetar o desempenho em campo – e o resultado. Entretanto, o caso do San Lorenzo é especial. Nenhuma dessas equipes acima era semiprofissional e tinha um padeiro em seu elenco.

Mesmo sem fazer o mínimo para conseguir seu gol na etapa inicial, o San Lorenzo foi ao intervalo com a vantagem no placar, com Barrientos empurrando a bola para a rede aos 47 minutos do primeiro tempo. Em tese, seria aquele gol que acalma as coisas, retoma a normalidade no encontro e propicia que o melhor time de fato se estabeleça. Não aconteceu. Os argentinos voltaram para a segunda etapa quase com a mesma falta de intensidade ofensiva que nos 45 minutos anteriores. Com a diferença de que agora o Auckland City precisava do gol, o que empurrou um pouco a equipe de Edgardo Bauza para a defesa.

Aos 22 minutos do segundo tempo, o que já ia se desenhando há algum tempo se concretizou. Em jogada pela direita, Ángel Berlanga apareceu pela direita após bobeada da zaga do San Lorenzo, aproveitou saída ruim do gol de Torrico e apenas empurrou para a rede para empatar o duelo. O San Lorenzo se soltou um pouco mais depois de sofrer o empate, mas faltou precisão e aproveitamento das subidas ao ataque para conseguir o gol da vitória no tempo normal. Teve que decidir mesmo na prorrogação.

Com apenas três minutos de tempo extra, Mauro Matos, titular na Libertadores, mas reserva na partida desta quarta, recolocou os argentinos à frente com um chute forte, baixo, fazendo 2 a 1 e determinando a vitória. Diante da ineficácia do ataque durante boa parte do duelo, pode ter colocado uma dúvida na cabeça de Bauza para a escalação para a final contra o Real Madrid, afinal estava há cerca de 20 minutos em campo quando deixou o seu.

Por pior que tenha sido a atuação do San Lorenzo nesta quarta-feira, ela não deve afetar tanto a preparação para o duelo com os espanhóis. A disparidade técnica é tanta que o plano desde o princípio, independentemente do jogo de hoje, será se defender ao extremo e esperar por alguma improvável chance no ataque. Claro que ao ver o time do Papa jogar tão mal contra uma equipe semiprofissional os madridistas ganham ainda mais confiança – como se faltasse alguma. Mas o maior impacto da performance aquém do esperado contra o Auckland será mesmo físico, afinal foram necessários 120 minutos para despachar os neozelandeses. O Cruz Azul sofreu com isso também após bater o Western Sydney Wanderers apenas na prorrogação antes de enfrentar o Real. Isso tudo no plano prático. Porque na hipótese de um milagre contra os espanhóis, esse é o tipo de capítulo prévio que você gostaria de ter em sua história de superação.

Veja os gols de San Lorenzo 2×1 Auckland City: