Jorge Sampaoli se mostrou um bocado perdido após a derrota que deixou a Argentina sem rumo nesta terça-feira, goleada pela Espanha por 6 a 1. O técnico elogiou o primeiro tempo da Albiceleste, que de fato não foi tão ruim, mas usou isso como subterfúgio diante do massacre ocorrido durante o segundo tempo – em que seus comandados não souberam se defender da voracidade da Fúria e acabaram tomando quatro gols. Resta saber qual lição ficará, considerando o posicionamento do treinador.

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“A Argentina fez um primeiro tempo incrível, de acordo com o planejado. Mas os 60 minutos não foram suficientes. A realidade é que no primeiro tempo, com a vitória por 2 a 1, a Espanha tinha deixado claras as diferenças no jogo, apesar das chances que haviam perdido Higuaín e Lo Celso. Você precisa assumir a responsabilidade. Pode explicar que o desenvolvimento do jogo não foi tão gritante, mas o resultado indica que é preciso cuidar desta partida para que não se repita na Copa. O time tentou tirar a bola da Espanha desde o início, tentou gerar através da característica dos jogadores em campo. Esta é a realidade que treinamos. A verdade é que no primeiro tempo se deu um cenário muito favorável à Espanha, com o primeiro gol”, declarou Sampaoli.

“Encontramos um adversário de grande qualidade para definir cada jogada. Aproveitaram muito bem e nos golpearam. Isso nos afeta como condutores do jogo. Ao jogar contra esta seleção que vem tão afinada, seria um caminho nos defendermos com a posse de bola. As características dos jogadores que temos permitem isso. Mas não tivemos solidez. Não esperávamos que o adversário tivesse tanta contundência. Eu me justificaria dizendo que a diferença do jogo não foi tão ampla quanto o resultado, mas nos golpearam com gols e temos que melhorar. O rival aproveitou a sua qualidade, nos esbofeteou”, complementou.

O treinador também afirmou sua responsabilidade no ocorrido e preferiu tirar o peso sobre os jogadores. Não quer que o resultado estrondoso influencie diretamente na convocação final à Copa do Mundo. De qualquer maneira, o placar em Madri aumenta os questionamentos sobre as ausências de estrelas como Mauro Icardi e Paulo Dybala. Um nó a se desatar até maio.

“Temos que saber que esta Data Fifa serviu para buscar jogadores e definir a lista para a Copa do Mundo. Agora precisamos tirar conclusões. Meza, Lo Celso, Tagliafico e Lautaro se esforçaram muito. É uma pena terrível que tenha acontecido este resultado. A resposta não foi tão futebolística, foi muito anímica. Devemos resolver, porque a equipe precisa modificar sua conduta na adversidade. Resolver problemas que têm a ver com a dor nos serve de aprendizagem”, ponderou.

“Estes resultados atípicos podem modificar a visão do treinador, se não analisar tudo o que passou. Precisamos assumir o que nos compete e tirar o peso do jogador. Se culpo os futebolistas, muitos desta lista não estariam na convocação final. É preciso esmiuçar o que aconteceu e então ver. Vários jogadores ausentes teriam jogado, se fosse na Copa. Priorizamos outras coisas, até porque cada jogador tem seu momento importante pelos clubes”, finalizou.