O Egito encerrou a fase de grupos da Copa Africana de Nações com nove pontos e um belo gol de Mohamed Salah cobrando falta. A manchete, porém, não pode esconder os problemas dos Faraós durante a noite no Cairo. Os anfitriões encararam um jogo duríssimo contra Uganda, amassados durante a maior parte do tempo. Ainda assim, contaram com a segurança de Mohamed El-Shennawy e a precisão ao final do primeiro tempo para construir a vitória por 2 a 0. Avançam em primeiro, mas com reticências, enquanto os ugandenses merecem um pouco mais de cuidado nos mata-matas, após já terem batido a República Democrática do Congo.

Uganda dificultou para o Egito principalmente no primeiro tempo. Os Grous neutralizavam os Faraós e criavam boas oportunidades para sair em vantagem. O goleiro Mohamed El-Shenawy trabalhou bastante, evitando as insistentes tentativas dos ugandenses. Foram 35 minutos em que os visitantes eram amplamente superiores, com oito finalizações, seis no alvo. El-Shenawy realizou boa intervenção em chute de Allan Kyambadde e também salvou em cabeçada à queima-roupa de Lumala Abdu. Justamente em seu primeiro arremate, os egípcios abriram o placar.

O gol saiu aos 36 minutos, a partir de uma cobrança de falta frontal. Mohamed Salah chutou com efeito, a bola passou por cima da barreira e caiu à meia altura. O goleiro Denis Onyango se esticou, mas tocou apenas com a ponta dos dedos e não conseguiu evitar o tento. O gol animou os Faraós. Onyango bloqueou o caminho de Trézéguet, enquanto El-Shenawy negou mais uma tentativa de Abdu. Antes do intervalo, já nos acréscimos, Ahmed El Mohamady ampliou. Após um cruzamento que atravessou toda a área, o lateral dominou e chutou cruzado para marcar.

Salah teve uma chance excelente para marcar o terceiro no início da etapa complementar. Lançado em profundidade, o atacante saiu na cara do gol, mas Onyango realizou ótima defesa. Depois disso, Uganda voltou a se impor e a buscar o gol. Faltava precisão. Por mais que a defesa egípcia vacilasse, os ugandenses não conseguiam aproveitar as chances. Ahmed Hegazi errou uma cabeçada e quase entregou o ouro a Emmanuel Okwi, que perdeu. E, como se não bastasse, o capitão Onyango ainda precisou ser substituído, se sentindo mal. A boa atuação dos Grous seria em vão.

O Egito passa na primeira posição do Grupo A, com 100% de aproveitamento, e aguarda seu adversário – um dos melhores terceiros colocados. Enquanto isso, Uganda não terá vida fácil nas oitavas. Com quatro pontos, os Grous ficaram na segunda colocação e aguardam o vice-líder do Grupo C – que tem Argélia e Senegal. Já o terceiro lugar acabou com a República Democrática do Congo, que precisará torcer bastante para avançar entre os melhores. O time só tem três pontos, mas ao menos abriu saldo. Goleou o Zimbábue por 4 a 0, em noite terrível do goleiro Elvis Chipezeze, que falhou feio em dois tentos e ainda cometeu um pênalti.

Zimbábue teve mais posse de bola e mais finalizações durante a partida. Só que, diferentemente do Congo, não apresentou muita precisão em suas ações ofensivas. O mérito dos Leopardos esteve em punir os erros dos zimbabuanos e forçar Chipezeze. Estratégia facilitada pelo lance bisonho do goleiro aos quatro minutos. Jacques Maghoma cobrou falta no meio do gol e o goleiro deveria fazer uma defesa fácil, mas se enrolou com a bola e permitiu que ela batesse no travessão. Na sobra, Jonathan Bolingi escorou quase em cima da linha. E se os congoleses não faziam uma partida tão agressiva, a situação ficou mais fácil quando Issama Mpeko lançou Cédric Bakambu, que pegou a defesa totalmente aberta e chutou de trivela para ampliar, aos 34.

Lesionado, Bolingi precisou ser substituído pouco antes do intervalo. Mas a ausência do atacante não causou problemas ao Congo. O pesadelo de Chipezeze, afinal, aumentou no segundo tempo. O goleiro cometeu um pênalti aos 20, quando Bakambu saía livre em direção ao gol. O próprio centroavante converteu. Já aos 33, Chipezeze bateu roupa e Britt Assombalonga aproveitou o rebote. Zimbábue controlou o jogo ao longo do segundo tempo, mas não fez o suficiente para superar o goleiro Ley Matampi.

Ao apito final, Chipezeze apareceu desconsolado no gramado. Zimbábue chegou a fazer uma estreia razoável contra Uganda, saindo com o empate, mas sucumbiu nos dois compromissos seguintes. Fica na lanterna do Grupo A, com um ponto.

Ficha técnica: Egito 2×0 Uganda

Local: Estádio Internacional do Cairo
Árbitro: Maguette Ndiaye (Senegal)
Gols: Mohamed Salah, aos 36’/1T; Ahmed El Mohamady, aos 46’/1T.
Cartões amarelos: Allan Kyambadde, Taddeo Lwanga (Uganda); Ahmed El Mohamady (Egito)
Cartões vermelhos: nenhum

Egito: Mohamed El-Shenawy, Ahmed El Mohamady (Omar Gaber), Baher El Mohamady, Ahmed Hegazi, Ayman Ashraf; Mohamed Elneny (Tarek Hamed), Nabil Emad, Abdullah El Said; Mohamed Salah, Ahmed Hassan (Marwan Mohsen), Trézéguet. Técnico: Javier Aguirre.

Uganda: Denis Onyango (Robert Odongkara), Nicholas Wadada, Timothy Awany, Hassan Wassawa, Godfrey Walusimbi; Fraouk Miya, Khalid Aucho (Taddeo Lwanga), Micheal Azira, Allan Kyambadde (Luwagga Kizito); Lumala Abdu, Emmanuel Okwi. Técnico: Sébastien Desabre.

Ficha técnica: RD Congo 4×0 Zimbábue

Local: Estádio 30 de Julho, no Cairo
Árbitro: Mustapha Ghorbal (Argélia)
Gols: Jonathan Bolingi, aos 4’/1T; Cédric Bakambu, aos 34’/1T e aos 20’/2T; Britt Assombalonga, aos 33’/2T.
Cartões amarelos: Chancel Mbemba, Wilfred Moke, Issama Mpeko (RD Congo); Elvis Chipezeze (Zimbábue)
Cartões vermelhos: nenhum

RD Congo: Ley Matampi, Issama Mpeki, Chancel Mbemba, Marcel Tisserand, Ngonda Muzinga; Chadrac Akolo (Christian Luyindama), Youssouf Mulumbu (Meschak Elia), Wilfred Moke, Jacques Maghoma; Jonathan Bolingi (Britt Assombalonga), Cedric Bakambu. Técnico: Florent Ibengé.

Zimbábue: Elvis Chipezeze, Tendayi Darikwa, Lawrence Mhlanga, Teenage Hadebe, Ronald Pfumbidzai; Marshall Munetsi (Tinotenda Kadewere), Danny Phiri, Ovidyi Karuru; Talent Chawapiwa (Nyasha Mushekwi), Knowledge Musona (Kudakwashe Mahachi), Khama Billiat. Técnico: Sunday Chidzambwa.