Edgardo Bauza aceitou a proposta da Argentina para dirigir a seleção e o São Paulo agora vive um novo dilema: quem contratar para ser o técnico? Ser obrigado a mudar novamente o comando do time pode obrigar o São Paulo a uma mudança maior ainda: a de perfil. A situação não é nova para o clube, que já passou por isso com a saída de Juan Carlos Osorio, em 2015. Sem o colombiano, o clube do Morumbi optou por Doriva, nos últimos momentos de Carlos Miguel Aidar na presidência do clube, uma quebra brusca com o trabalho anterior. Depois, rompeu de vez com o estilo de Osorio ao trazer Bauza para o início de 2016. Agora pode viver tudo de novo.

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Os repórteres que cobrem o clube já falaram de alguns nomes, entre eles alguns estrangeiros. Diego Cocca foi um dos nomes falados. O técnico, ex-Racing, conquistou o título do Campeonato Argentino em 2014 pelo clube de Avellaneda. É um treinador jovem, de 44 anos e um perfil muito diferente de Bauza. Foi, inclusive, treinador de Ricardo Centurión no clube argentino. É um técnico menos conservador que Bauza, que arrisca mais. Seria uma mudança grande de perfil.

Outro dos nomes falados foi o de outro argentino, Eduardo Coudet, 41 anos, que treina o Rosario Central. O Central foi um destaque da Copa Libertadores de 2016, mostradno um bom futebol. Foi um dos times que melhor jogou futebol e caiu diante da equipe que, de fato, jogou mais bola, o Atlético Nacional. Seria uma mudança grande de estilo, porque Coudet é um técnico que arma times mais ofensivos e de muito mais toque de bola que Bauza.

Foi falado também o nome do colombiano Reinaldo Rueda, técnico do Atlético Nacional, campeão da Libertadores. O ótimo trabalho o credenciaria a ser mais um substituto menos audacioso de Juan Carlos Osorio do que de Edgardo Bauza. O problema é dificilmente o treinador deixaria o cargo no seu atual clube. Não só pelo bom trabalho e moral que tem por lá, mas também porque terá o Mundial de Clubes no fim do ano para disputar.

Todos estes nomes perderam a força quando Gustavo Vieira de Oliveira, gerente de futebol do São Paulo, disse em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira que o clube prefere um treinador brasileiro a um estrangeiro, por entender que o clube está no meio da temporada e não haverá tempo para adaptação. Com isso, as opções parecem restritas. Não há muitos treinadores no mercado que possam dar algum seguimento ao trabalho de Bauza. A opção seria recorrer a alguns nomes de profissionais mais carimbados.

Abel Braga é o primeiro a ser falado. Sem trabalhar desde dezembro de 2015, quando deixou o Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos, tinha uma multa contratual que o impedia de trabalhar, mas essa restrição acabou em julho. Seria um perfil parecido com o de Bauza: um treinador experiente, mais conservador, que fez um bom trabalho no Internacional na sua última passagem no Brasil, em 2014.

Quem está no mercado e causa arrepio nos torcedores são-paulinos é Vanderlei Luxemburgo. Seus últimos trabalhos, porém, não o credenciam como uma boa opção. Vale lembrar, porém, que Luxemburgo esteve perto de treinar o time do Morumbi em 2015, quando recebeu proposta, mas o Flamengo o segurou no cargo. Até demiti-lo, pouco tempo depois. Ele ainda treinou o Cruzeiro por um curto período, antes de ser novamente demitido. Foi para o Tianjin Songjiang em 2016, mas também acabou dispensado após alguns maus resultados.

Entre os nomes disponíveis, há também o de Dunga, ex-treinador da seleção brasileira, mas a sua rejeição é tão grande que parece difícil que a diretoria são-paulina aposte nele. Seria um trabalho com uma enorme pressão, de um treinador que já chegaria muito desgastado, especialmente depois de um trabalho ruim na seleção nesta última passagem.

O clube poderia ir atrás de algum treinador empregado. Paulo Autuori, que tem muita moral no clube, faz ótimo trabalho no Atlético Paranaense. Pesa contra ele o péssimo trabalho no clube na última vez que foi contratado, em 2013, além de estar muito bem no Furacão e não ter motivo para querer sair.

Se Muricy Ramalho tivesse saúde e disposição, certamente seria um nome cogitado. Não parece ser o caso mais, até porque a sua família o aconselha a não voltar a trabalhar tão cedo – ou talvez não trabalhe mais na função de técnico.

O que é muito provável é que o São Paulo precise, mais uma vez, mudar de estilo. Na saída de Osorio, trouxe Doriva, um técnico absolutamente oposto ao que o colombiano fazia. Depois, manteve Milton Cruz até o fim do ano e contratou Bauza. Agora se vê obrigado a procurar outro nome e pode ser obrigado a mudar de estilo de um modo muito radical, ainda mais por estar em meio de temporada. Mesmo que opte por Abel, o técnico de perfil mais próximo ao de Bauza, e que haja acerto, ainda haverá uma ruptura e será preciso trabalhar nisso, com paciência.

A perspectiva neste momento não é boa para o São Paulo. Parece claro que haverá uma mudança que implicará em adaptação. Com o time que tem, o futebol que apresentou até aqui no ano de 2016 e os resultados que obteve, é muito provável que o São Paulo fique emaranhado no meio da tabela. A não ser que haja uma ruptura que seja positiva – mas também é improvável. O São Paulo precisa ter uma ideia do que fazer para não tomar uma decisão da qual se arrependa.

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