Na semana em que os são paulinos celebraram o milésimo jogo de Rogério Ceni e mais uma vez exaltaram seu maior ídolo das últimas duas décadas, no Uruguai o Peñarol perdeu um de seus mitos. O técnico Diego Aguirre, herói da conquista da última Libertadores do clube, em 1987, e reconhecido como principal responsável pelos grandes êxitos aurinegros na última década, acertou com o Al Rayan, do Catar.

A decisão foi inesperada. Afinal de contas, após rumores de que deixaria o Peñarol depois do vice-campeonato da Libertadores – falou-se em Grêmio, Atlético Paranaense e São Paulo – Aguirre acabou ficando no clube. Depois de um giro pela Europa com bons resultados em amistosos, o Peñarol começou bem também o Apertura 2011. Após quatro rodadas lidera o certame com 10 pontos, ao lado de River Plate e Danubio. Por isso a súbita mudança de planos causou até mesmo a revolta de alguns torcedores, que acusaram Aguirre de mercenário e traidor.

Em sua defesa o treinador uruguaio argumentou que o acerto foi uma surpresa até mesmo para ele, pois os planos eram de ficar no clube. No entanto, Aguirre também cutucou os críticos e disse que não deseja agradar ninguém, senão a ele mesmo. Pode até ser compreensível, mas, pelo que Diego representa para o clube, a declaração, mais do que a atitude, foi um bocado infeliz. Mais do que a atitude porque não é a primeira vez que ele deixa o clube. Na verdade é a terceira vez em oito anos…

Aguirre teve sua primeira experiência como técnico dos manya em 2003. O time vinha de péssimos resultados e, como se não bastasse, ainda via o rival Nacional próximo da sua quarta conquista seguida no acumulado da temporada. Tal qual um enredo ensaiado o ídolo retornou e levou o time carbonero ao título. Em 2004 a fase novamente voltou a ser ruim e Aguirre deixou o clube. Coincidência ou não o Peñarol enfrentou um jejum de títulos até 2010, quando Aguirre voltou depois de o Nacional ter faturado o Apertura e os manya estarem novamente sob pressão.

Deu certo outra vez. Aguirre liderou novamente a equipe ao título do Clausura e, após a conquista, o Peñarol cresceu na decisão da temporada. Ganhou o primeiro jogo contra o Nacional, empatou o segundo e garantiu o título. Em junho de 2010, Diego deixou o clube pela segunda vez ao se dizer decepcionado com as vendas de jogadores e o enfraquecimento do elenco. A ausência foi breve. Em dezembro de 2010 Aguirre foi novamente contratado pelo clube. Se no Clausura 2011 a sorte não foi a mesma de outrora, o agora ex-técnico do Peñarol levou o time a nada mais nada menos do que uma final de Libertadores. O título não veio, mas resgatou toda a mística da camisa carbonera.

Resta agora ao clube olhar para frente. Com a saída de Aguirre a direção do Peñarol agiu rápido e trouxe Gregorio Pérez, outro velho conhecido. Nos últimos 18 anos é a quinta passagem do técnico pelos carboneros. Entre 1993 e 95 ele faturou três títulos uruguaios para o clube e em 97 conquistou mais um título. Pérez ainda teve duas outras passagens sem conquistas, uma na temporada 2001-02 e outra na 2006-07.

Mais do que o técnico, no entanto, o Peñarol tem é que se preocupar com seu elenco. Apesar da liderança provisória no Apertura 2011, o elenco manya está bastante enfraquecido depois da saída de 16 jogadores. Destes, ao menos oito figuravam constantemente no time titular. São eles: o goleiro Sebastián Sosa, que foi para o Boca, o zagueiro Guillermo Rodríguez, contratado pelo Cesena, os volantes Luis Aguiar, de volta ao Dinamo Moscou, e Matias Corujo, que voltou ao Wanderers, os meias Mier, contratado pela Universidad Católica, e Martinuccio, vendido ao Fluminense, e os atacantes Urretavizcaya, que retornou ao Benfica, e Juan Manuel Olivera, que rescindiu contrato e se mandou para o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos.

Além deles, também deixaram o clube Estoyanoff, Antonio Pacheco e Diego Alonso, três ídolos do Peñarol, mas que recentemente lutavam contra a queda de desempenho, natural da idade. Reforços vieram, mas ainda é cedo para saber sobre a efetividade da reformulação. Por incrível que pareça, o eterno Marcelo Zalayeta, 32 anos, é o principal nome do time neste momento. Há que se ver como a coisa anda agora com um técnico igualmente bom, mas com um elenco enfraquecido e sem aquela mística toda que o ídolo Diego Aguirre ainda tem e, declarações à parte, seguirá tendo.

CURTAS

Amistosos sul-americanos

– O último final de semana foi marcado por amistosos das seleções do continente. Confira os resultados:

Colômbia 2 x 0 Honduras (Teófilo Martínez e Teófilo Gutiérrez)
Paraguai 2 x 0 Panamá (Oscar Cardozo e Robin Ramírez)
Equador 5 x 2 Jamaica (Ayoví, Suárez, Benítez 2x e Castillo)
Peru 2 x 2 Bolívia ( Cruzado e Pizarro |   Escobar e Cardozo)
Peru 0 x 0 Bolívia

Copa Sul-Americana

Pela segunda fase da Copa Sul-Americana, a Universidad Católica fez 2 a 1 no Deportes Iquique, também do Chile, em casa, no único jogo da semana envolvendo países abordados nesta coluna.

Mais uruguaias

– Como já foi dito, o Peñarol lidera o campeonato com 10 pontos em quatro jogos após vitória por 1 a 0 sobre o Defensor Sporting. A liderança é dividida com o River Plate, mesmo após a derrota ante o Wanderers, e com o Danubio, que empatou em 0 a 0 com o Rampla Juniors.

Colombianas

– Leonel Álvarez é o novo técnico da Colômbia. Ele assume a seleção depois da saída de Hernan Dario Gómez, envolvido em um escândalo com a denúncia de que ele teria batido em uma mulher. Como jogador, Álvarez atuou nas Copas do Mundo de 1990 e 1994. Como treinador, dirigiu o Independiente Medellín.

– Na Copa Postobon estão definidos os semifinalistas. O Millonarios bateu o Deportes Tolima e enfrentará o Junior de Barranquilla, que bateu o Valledupar nos pênaltis. Já o Atlético Nacional venceu o Real Santander por 4 a 2 e jogará contra o Boyacá Chicó, que derrotou o Patriotas nos pênaltis.

– Na Liga Postobon II o Independiente Medellín lidera com seis pontos em dois jogos. Em segundo lugar aparece o Nacional, também com seis pontos, mas em três jogos. Real Cartagena, Huila e Deportivo Pereira completam os cinco primeiros.

Peruanas

– Para o leitor ter a noção de como está feia a situação econômica no campeonato peruano… Veio nesta quinta-feira a autorização para que o líder Alianza Lima e o CNI disputem seus jogos do fim de semana. A realização das partidas estava pendente pela falta de pagamentos a jogadores e funcionários.

– Para relembrar, o Alianza tem 42 pontos em 20 jogos, ante 38 do Juan Aurich.

Chilenas

– A Universidad de Chile manteve sua “racha ganadora” após vitória sobre a Ñublense por 4 a 1. A U. de Chile soma agora 18 pontos em seis jogos e lidera o campeonato. Em segundo lugar aparece o Colo Colo, que venceu o Cobresal por 2 a 0. Os caciques têm 13 pontos, dois a mais que a Universidad Católica, que perdeu por 2 a 0 para o Santiago Wanderers e estacionou nos 11 pontos e na terceira colocação.

Paraguaias

– No Paraguai o Olimpia se mantém na liderança, depois de um empate contra o Cerro Porteño, no grande clássico do futebol paraguaio. O jogo foi 1 a 1. O Cerro saiu na frente com Fredy Bareiro. O Olimpia empatou em um gol polêmico. Depois de uma disputa no campo defensivo do Cerro, o zagueiro Pedro Benítez ficou no chão sentindo. O Olimpia tinha a bola no ataque e seguiu a jogada, até que Sérgio Orteman marcou o tento de empate.

– Agora o Olimpia tem 13 pontos, ante 11 do Libertad, com um jogo a menos. Em terceiro e quarto lugar aparecem Nacional e Cerro, também com 11 pontos, mas com os mesmos seis jogos do Olimpia.

Venezuelanas

– Devido aos compromissos da seleção, não houve rodada na última semana. No Apertura, o CD Lara lidera com 10 pontos e seis gols de saldo. Em segundo lugar, com a mesma pontuação, aparece outra surpresa: o AC Mineros, que tem 4 de saldo. Yaracuyanos, Caracas e Monagas ocupam as posições seguintes.

Equatorianas

– Não houve rodada no Equador. No Segunda Etapa segue o Deportivo Quito na liderança com 24 pontos em oito jogos. O Barcelona é o segundo, com 15 pontos também em oito jogos. O Emelec aparece em terceiro, com 13 e a LDU em quarto, também com 13 pontos.

Bolivianas

– Rolou a bola no Apertura da Bolívia. No grupo A, o Real Potosí lidera, com seis pontos em dois jogos. No grupo B, The Strongest e Oriente Petrolero dividem a liderança, com quatro pontos em dois jogos.