A Seleção pode andar mal das pernas, longe de impor o mesmo respeito que impunha em décadas anteriores, mas isso não diminuiu a procura de outros países pelo talento brasileiro. Um novo estudo publicado pelo Football Observatory, da CIES, analisou a origem de jogadores estrangeiros de 6135 clubes, de 458 ligas de 183 países diferentes, e constatou que, de longe, o Brasil é o país que mais exporta atletas para o exterior, com 1784, quase duas vezes mais jogadores do que a Argentina, segunda colocada, com 929 atletas.

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Ao todo, 18660 jogadores estrangeiros, de 194 diferentes origens, foram identificados. A França, com 758 atletas, aparece na terceira colocação. Juntos, brasileiros, argentinos e franceses representam quase 20% do total de atletas estrangeiros nos clubes analisados. Sérvia e Nigéria completam o top 5, com 607 e 596 jogadores, respectivamente.

A estratégia do Guangzhou Evergrande, de contratar uma série de jogadores brasileiros, não é exclusiva do clube comandado por Felipão, mas, sim, apenas um reflexo da cultura de contratação dos times da Ásia. O Brasil é o país com o maior número de jogadores exportados para o continente, com 437. Os brasileiros representam mais de um quinto (21.9%) do total de estrangeiros no futebol asiático.

Com tantas contratações de estrangeiros, é de se imaginar que os asiáticos têm pouco espaço em seu próprio futebol, e o estudo da CIES confirma essa conclusão. Segundo a publicação, os únicos países asiáticos a aparecerem entre as dez nações mais representadas no continente são Coreia do Sul (106), Japão (85) e Síria (47).

Ainda que em menor proporção do que na Ásia, os brasileiros também lideram a lista de estrangeiros na Europa. São 1134 jogadores atuando por equipes profissionais ou semiprofissionais no continente, 8,5% do número de estrangeiros. A segunda e a terceira maiores exportadoras para equipes europeias vêm do próprio continente: França (687 atletas) e Sérvia (560). Entre os países não-europeus, Nigéria, com 401 jogadores, Argentina, com 388, e Senal, com 315, aparecem atrás do Brasil.

Outro dado curioso apontado pelo relatório da CIES é que nenhum país sul-americano aparece entre os cinco principais destinos de brasileiros. Diferentemente da Argentina, que tem três países vizinhos entre seus maiores destinos.

Apesar do desastre na última Copa do Mundo e da dificuldade de se colocar entre as melhores seleções nos últimos Mundiais, o Brasil segue produzindo muito talento. Eles podem ter perdido destaque entre os principais atletas do mundo, mas isso é também reflexo do maior surgimento de craques em diferentes cantos. De qualquer forma, ainda que a Seleção não confirme em campo o estereótipo habilidoso do brasileiro, a crença geral de que nossos atletas têm um talento refinado parece ainda ser compartilhada por clubes do restante do planeta.