Rússia volta a ficar ameaçada na Eurocopa

No início da semana escrevi um post falando sobre o peso histórico da derrota da Rússia para a Eslovênia, nas eliminatórias da última Copa da Mundo. Aquele tropeço provocou um atraso significativo na evolução do futebol no país, principalmente por causa da saída de Guus Hiddink. E, agora como fica provado, pela chegada de Dick Advocaat.

Com um ótimo trabalho à frente do Zenit São Petersburgo, ele era a escolha natural para suceder o holandês. Passado mais de um ano da sucessão, o belga comanda uma seleção perdida e que vê a classificação para a Eurocopa de 2012 bastante ameaçada.

Nesta semana, a Rússia ficou no 0 a 0 com a Irlanda no Luzhniki, após ter sofrido para fazer 1 a 0 na Macedônia. Lidera o Grupo B com 17 pontos, dois a mais que os irlandeses. E a situação só não ficou pior porque a Armênia surpreendeu e fez 4 a 0 na Eslováquia em Bratislava – com isso, as duas seleções empataram em 14 pontos.

Pela frente os russos têm agora um desafio contra os eslovacos, fora, em 7 de outubro, e depois fecham a participação nas eliminatórias quatro dias depois contra a galinha morta da chave, Andorra. Os russos dependem apenas de si mesmos para ficar com a vaga. Se arrancarem um empate contra a Eslováquia, bastará uma vitória contra Andorra para carimbar o passaporte para a Ucrânia e a Polônia.

Isso porque o primeiro critério de desempate é o confronto direto, e aí está o futuro da Rússia. Contra a Irlanda a vantagem é russa (1V e 1E), assim como contra a Armênia (1V e 1E). Contra a Eslováquia porém… em 7 de setembro do ano passado, em pleno estádio Lokomotiv, vitória eslovaca por 1 a 0.

Assim, imaginando o pior cenário, mas muito factível, os russos pode despencar da liderança para a terceira posição na próxima rodada. Basta um tropeço em Bratislava e o esperado triunfo irlandês em Andorra La Vella.

No 0 a 0 com os irlandeses, Advocaat montou um time correto, no 4-2-3-1, com Malafeev no gol, Anyukov, Ignashevich e os irmãos Berezutskis na defesa; Shirokov e Zyryanov como volantes, com Zhirkov, Semshov e Arshavin na linha ofensiva do meio, e Kerzhakov isolado à frente.

Mas o grande problema do time hoje é a falta de confiança e ambição dos atletas. Na época de Guus Hiddink isso jamais seria questionado, mas hoje em dia o que se vê em campo é uma equipe entregue. Por isso a classificação para a Euro está seriamente ameaçada.

Triste cenário ucraniano

Enquanto a seleção russa briga para conquistar sua vaga, a Ucrânia já se prepara pensando na competição que sediará ao lado da Polônia. No entanto, o cenário da seleção ucraniana é pior do que o da sua vizinha.

Oleh Blohkin está novamente no comando da embarcação, mas esta parece estar sem rumo. Ou melhor, até sabe para onde ir, mas não tem ideia de como chegará.

Nos últimos dias foram duas derrotas nos dois amistosos disputados. Primeiro, no sábado, um jogo duro contra o Uruguai, mas perdido por 3 a 2 em Kharkiv. Depois, na terça, uma humilhante goleada sofrida para a República Tcheca por 4 a 0. Com isso, a série negativa subiu para quatro partidas seguidas deixando o gramado com um revés – inclui aí França e Suécia.

Shevchenko já não está mais no time. Lesionado, o histórico atacante não faz falta, infelizmente. Outros veteranos como Anatoliy Tymoschuk não repetem o futebol de outrora. Alguns ainda se salvam, como Andriy Voronin que vem em ótima fase no Dynamo Moscou, mas na seleção não se salva.

A nova geração ainda não mostrou a que veio. Atletas como Andriy Yarmolenko e Yevhen Konoplianka, de Dynamo Kiev e Dnipro Dnipropetrovsk, respectivamente, são extremamente talentosos, mas muito inexperientes para conduzirem a Ucrânia – ambos têm 21 anos e, como já foi mostrado, ainda jogam em seu país.

Blohkin terá muito trabalho pela frente para arrumar esse time. Com o atual cenário, a Ucrânia corre o risco de dar vexame em casa no ano que vem.