A Espanha teve 79% de posse de bola. Trocou 1.114 passes. Marcou apenas um gol. Criou poucas chances. Empatou com a Rússia. E foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo, após a disputa dos pênaltis. A campeã mundial de 2010 impôs sua característica contra o país-sede, mas não conseguiu agredir, nem ser incisiva, como havia feito em certos momentos da fase de grupos. A bola parada, arma importante nos jogos anteriores, abriu o placar, mas um pênalti cometido por Piqué empatou a partida: 1 a 1. A Rússia marcou com afinco e criou dificuldades, mas também não fez um jogo espetacular. Teve sérias dificuldades para armar contra-ataques e ameaçar De Gea. A decisão da partida seria inevitavelmente a partir da marca do cal. Koke e Iago Aspas desperdiçaram suas cobranças. E a Rússia fez a Espanha pagar pela sua ineficiência.  

A Espanha na bola parada

A bola parada foi uma arma importante para a Espanha na Rússia. Aos 12 minutos do primeiro tempo, Nacho sofreu uma falta pela direita da grande área. Asensio cobrou na segunda trave, onde Sergio Ramos e Ignashevich dividiram espaço. O zagueiro russo pode até ter cometido pênalti no espanhol, mas a bola bateu em seu calcanhar e entrou nas redes. Ramos comemorou, mas Ignashevich marcou o décimo gol contra da Copa do Mundo. 

Eficiente e chato 

A Espanha havia demonstrado um toque de bola mais incisivo durante a fase de grupos, uma postura menos acomodada. Mas, nas oitavas de final, talvez para se poupar fisicamente durante uma maratona de jogos, passou  a tocar de lado sem muito interesse logo depois do gol contra de Ignashevich, ainda no começo do primeiro tempo. É uma estratégia válida, que costuma funcionar muito bem para a campeão mundo de 2010. Mas é chata para burro para quem está vendo o jogo. Como o gol foi contra, o primeiro chute a gol da Espanha saiu com Isco, bloqueado, aos 45 minutos da etapa inicial. 

Defesa volta a falhar

O problema de aplicar essa estratégia tão cedo e com apenas um gol de vantagem no placar é que, ao contrário de outros momentos da história recente quando Sergio Ramos e Gerard Piqué eram zagueiros de primeira linha, o tempo passou para ambos. Embora também tenha falhado nesta Copa, contra Marrocos, Ramos ainda consegue manter um nível excelente com certa consistência. Piqué, porém, está mal – e não é de hoje. Golovin tentou da entrada da área, um chute colocado que passou perto do gol de De Gea. Aos 41 minutos, veio o castigo: Piqué pulou com os dois braços levantados e bloqueou a cabeçada de Dzyuba. Pênalti. Dzyuba cobrou e empatou. 

Segundo tempo: nada aconteceu

Parece um pouco inacreditável que, mesmo empatando um jogo eliminatório, a Espanha tenha mantido a falta de urgência do primeiro tempo. Mas foi isso que aconteceu. Nada aconteceu durante longos (longuíssimos) minutos no Luzhniki. A Rússia corria, tentava recuperar a bola e armar um contra-ataque, mas não teve sucesso. Hierro colocou Iniesta no lugar de Silva, embora Asensio merecesse muito mais sair, Iago Aspas em Diego Costa e trocou o lateral direito: Carvajal na vaga de Nacho para tentar um pouco mais de ofensividade pelos lados. A única chance que merece a caracterização foi um chute de Iniesta da entrada da área. Aspas ajeitou de peito, e o craque emendou de primeira no canto. Akinfeev espalmou. 

Prorrogação 

O primeiro tempo da prorrogação não foi muito melhor. Pelo menos, Hierro colocou Rodrigo no lugar de Asensio, e o atacante do Valencia tirou o jogo do marasmo no começo do segundo tempo extra. Recebeu pela direita, driblou e foi para dentro, o que poucos haviam feito até então. Akinfeev fez a defesa do chute cruzado. A um minuto do final, ele recebeu na entrada da área e bateu. A última possibilidade de evitar os pênaltis. Chute fraco, Akinfeev defendeu. 

Pênaltis

Andrés Iniesta abriu os trabalhos. Não bateu muito bem, mas Akinfeev caiu no outro lado. Smolov empatou, com De Gea ainda tocando a bola antes de ela entrar. Pique bateu cruzado e fez 2 a 1. Ignashevich teve muita calma para igualar. Koke, porém, chutou muito mal, e Akinfeev defendeu. Golovin chutou rasteiro e fez 3 a 2. Sergio Ramos empatou, Cheryshev recolocou a Rússia à frente. Iago Aspas não poderia perder. Tomou distância, fez toda uma pose antes de bater, e Akinfeev defendeu. Rússia nas quartas de final. Espanha eliminada. 

Ficha técnica

Espanha 1 (3) x (4) 1 Rússia

Local: Estádio Luzhniki, em Moscou
Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Gols: Sergei Ignashevich, contra (ESP); Artem Dzyuba (RUS)
Cartões amarelos: Gerard Piqué (ESP)

Espanha: David De Gea; Nacho (Dani Carvajal), Sergio Ramos, Gerard Piqué e Jordi Alba; Sergio Busquets, Koke, Marco Asensio (Rodrigo), David Silva (Andrés Iniesta) e Isco; Diego Costa. Técnico: Fernando Hierro 

Rússia: Igor Akinfeev; Ilya Kutepov, Sergei Ignashevich e Fedor Kudryashov; Mario Fernandes, Daler Kuzyaev (Aleksandr Erokhin), Roman Zobnin e Yuri Zhirkov (Vladimir Granat); Aleksandr Samedov (Denis Cheryshev), Aleksandr Golovin e Artem Dzyuba (Fedor Smolov). Técnico: Stanislav Cherchesov