A Agência Mundial Antidoping (World Anti-Doping Agency, Wada) decidiu, por unanimidade, banir a Rússia do esporte internacional por quatro anos por infrações de doping. O país é acusado de um programa de doping sistemático patrocinado pelo governo do país. Com isso, a Rússia não poderá competir, enquanto país, da Olimpíada de Tóquio em 2020 e nem da Copa do Mundo de 2022. A decisão cabe recurso e a Rússia pode recorrer em um prazo de até 21 dias.

Atletas individuais poderão competir por uma bandeira neutra, como já aconteceu em outras competições, como o Campeonato Mundial de Atletismo, neste ano de 2019.  Foram 30 russos sob a bandeira “Atletas Neutros Autorizados”. Os russos que forem competir precisar provar que estão livres de qualquer droga para estarem aptos a competirem.

Na Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, em 2018, 168 atletas russos competiram também sob uma bandeira neutra. Quatro anos antes, a competição foi em Sochi, na Rússia, e o sistema de doping russo já estaria em andamento então. Em Sochi, os russos conquistaram 33 medalhas, sendo 13 delas de ouro. A Rússia está suspensa de qualquer competição como país no atletismo desde 2015.

A Rússia ainda poderá competir na próxima Eurocopa, da qual inclusive terá uma das 13 sedes – em São Petersburgo. Isso porque a Uefa, organizadora do evento, não foi definida como “uma grande organizadora de eventos”, porque é uma organizadora de eventos local, não mundial. Sobre a Copa do Mundo, a Fifa afirmou que está em discussão com a Wada para esclarecer as consequências e a extensão da decisão. As Eliminatórias da Copa do Mundo na Europa começam em março de 2021.

A Rússia é acusada de usar um sistema de doping governamental para os seus atletas, além de ter destruído um laboratório com provas. A decisão foi tomada em uma reunião extraordinária do Comitê Executivo da Wada, na sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Lausanne, na Suíça. Em comunicado, o presidente da Wada foi duro com a Rússia e o comportamento do país diante das acusações.

“Por muito tempo, o doping russo prejudicou o esporte limpo. A Rússia teve a oportunidade de colocar a sua casa em ordem e voltar a de juntar à comunidade global antidoping para o bem de seus atletas e a integridade do esporte, mas optou por continuar em sua posição de enganar e negar”, afirmou Sir Craig Reedie, presidente da Wada.

“Como resultado, o Comitê Executivo da Wada respondeu nos termos mais fortes possíveis, enquanto protege os direitos dos atletas russos que podem provar que eles não estão envolvidos e não se beneficiaram dos atos fraudulentos”.

A vice-presidente da Wada, Linda Halleland, uma política norueguesa que é uma voz forte contra o doping russo, acredita que a punição ainda não foi o suficiente. “Eu queria sansões que não pudessem ser diluídas”, afirmou. “Nós devemos isso a atletas limpos em implantar as sansões o mais fortemente possível”.

Como era esperado, as autoridades russas reagiram fortemente contrários à decisão. O partido no governo atualmente definiu a decisão como “politizada” e o vice-presidente do Parlamento da Rússia foi ainda mais longe e disse que esta decisão é “uma maneira de expulsar os concorrentes russos dos esportes globais”.

As primeiras provas do sistema do doping russo foram revelados pela Wada quatro anos atrás com um relato dizendo que ao menos 643 testes positivos foram escondidos pelas autoridades. Os resultados da suspensão da Federação de Atletismo Russo (Rusaf) e 111 atletas foram banidos da Olimpíada do Rio, em 2016.

Qual é a acusação contra a Rússia?

A Rusada, agência russa antidoping, foi declarada “em não-conformidade” em novembro de 2015, depois que um relato da Wada feito pelo advogado esportivo Richard McLaren alegou haver corrupção generalizada que equivalia a doping generalizado no atletismo russo.

Em julho de 2016, um relatório declarou que a Rússia operou um programa de doping patrocinado pelo governo por quatro anos na “vasta maioria” dos esportes olímpicos de verão e de inverno.

Em 2018, a Wada tomou uma decisão que dividiu opiniões: reestabeleceu a agência russa antidoping, a Rusada, com a condição de atender aos pedidos de compartilhamento de seus resultados laboratoriais.

A Rusada aceitou enviar os dados do laboratório de janeiro de 2012 a agosto de 2015. Contudo, amostras positivas contidas em uma versão enviada por um denunciante em 2017 estavam faltando nos dados de janeiro de 2019. Com isso, foi aberto novo inquérito para investigar o que aconteceu.

O Comitê de Revisão de Conformidade da Wada (CRC) recomendou uma série de medidas baseadas em particular a uma análise forense das inconsistências encontradas em alguns desses dados.

Foi constatado depois que os resultados foram adulterados, o que levou a mais pedidos de punição aos russos. Em novembro, o COI divulgou nota dizendo que houve “flagrante manipulação” dos dados do laboratório de Moscou e “um insulto ao movimento esportivo mundial”.

O banimento da Rússia inclui competir como nação em qualquer competição mundial, mas vai além: o país não pode sediar ou se candidatar para qualquer evento durante quatro anos. Com isso, a Rússia está proibida de competir para sediar a Olimpíada e Paralimpíada de 2032.