Nas últimas semanas, o Catar foi alvo de uma enxurrada de acusações. Diante de sua escolha como sede da Copa do Mundo de 2022, o país árabe recebeu uma série de alegações que inviabilizariam a realização do torneio – que abrangiam desde razões esportivas e climáticas até acusações de desrespeito aos direitos humanos e trabalho escravo. E se os catarianos estão em xeque há tempos, a Rússia também pode entrar no centro do debate por sua escolha como palco do Mundial de 2018.

Presidente do Comitê de Ética da Fifa, Michael García teve sua entrada na Rússia barrada pelo governo. O americano foi nomeado pela federação internacional para investigar quaisquer violações no código de ética sobre as escolhas de russos e catarianos como sedes da Copa. Nesta semana, ele iniciaria uma viagem por diversos países envolvidos no processo da eleição.

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Para não dar o visto ao membro da Fifa, o governo russo justificou que seu nome está na “Lista Guantánamo”, relação elaborada pelo governo com nomes de autoridades americanas que teriam violado os direitos humanos de cidadãos russos. Quando era promotor de justiça em Nova York, García comandou o processo contra Viktor Bout, russo que permaneceu 25 anos preso nos EUA por contrabandear armas às FARC.

Perguntado sobre o imbróglio, o Ministro do Exterior da Rússia adotou um discurso nacionalista para defender a posição do governo: “Não vamos deixar dúvidas: nós queremos reagir contra ataques e infrações sem cerimônia aos direitos dos russos. Qualquer um que estiver envolvido deve pensar muito”.

O problema está em toda a contradição que acaba envolvendo a Rússia nesta atitude. Afinal, constantemente o país é acusado de violar os direitos humanos e as eleições presidenciais também já foram suspeitas de fraude. Barrar o presidente do Comitê de Ética pode sugerir que os russos devem algo no processo de escolha do Mundial de 2018. O que, considerando toda a sujeira que é apontada na Fifa, não seria nada surpreendente.