As afirmações de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, de que o futebol europeu deveria ter um prazo final até junho para encerrar sua temporada não caíram bem com Karl-Heinz Rummenigge, diretor-executivo do Bayern de Munique. Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, o dirigente criticou a declaração, que “só pode ter uma influência negativa”, e fez ele sua própria proposta: terminar a temporada atual até setembro e começar a próxima campanha no início do inverno, a partir de dezembro.

Para Rummenigge, o cenário de temporada incompleta não pode existir, caso contrário desvirtuaria esportivamente as competições, incluindo a Bundesliga. O problema, ele prossegue, seria também financeiro: “É também uma questão da sobrevivência de vários dos nossos clubes e de evitar um desastre econômico sem precedentes”.

Por essas razões, o dirigente do Bayern de Munique acha que “seria sensato prolongar a temporada 2019/2020 na pior das hipóteses até setembro, se não for possível de outra forma. Como resultado, o início da próxima temporada poderia ocorrer no início do inverno”. Ele defende esta projeção para garantir também que os atletas possam aproveitar suas férias: “Este é um cenário muito viável”.

Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, havia dito na semana passada que “a temporada estaria perdida” se não fosse retomada até junho. Rummenigge não gostou nada da declaração, afirmando que “só pode ter uma influência negativa, com um sentimento de incerteza no mercado do futebol”.

Rummenigge também descarta o argumento de quem acha que a crise do coronavírus abrirá caminho para uma aceleração da implementação de uma superliga entre os gigantes europeus. “Estou certo de que isto não será uma realidade por pelo menos dez anos, não importa o quanto dure e quão grave seja a crise. É simplesmente absurdo pensar que esta superliga está chegando em breve”, opinou.

Por fim, o diretor-executivo do Bayern reconheceu que a crise atual terá impacto sobre a atuação do clube bávaro no mercado de transferências de agora em diante: “Acho que teremos uma abordagem muito mais racional para as transferências a partir de agora. Quanto às regras de fair play financeiro, estou firmemente convencido de que elas se tornarão menos rígidas e mais flexíveis”.

O Bayern de Munique tem feito sua parte para tentar ajudar o ecossistema do futebol alemão em meio à crise do coronavírus. Enquanto seus jogadores aceitaram redução salarial, o clube doou, ao lado de RB Leipzig, Borussia Dortmund e Bayer Leverkusen, € 20 milhões ao restante dos clubes da Bundesliga e da Bundesliga 2, a segunda divisão alemã.