Pelo menos desde 2009, existem relatos de que o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, deseja formar uma superliga europeia. O sonho do dirigente foi renovado nos últimos meses, com o mandatário madridista se encontrando até mesmo com o presidente da Fifa para falar de seus planos. E, pelo menos de acordo com uma entrevista recente de Karl-Heinz Rummenigge, chefe-executivo do Bayern de Munique, isso poderia ter a ver com o espanhol não se conformar com quanto dinheiro os clubes ingleses ganham com direitos de TV.

Em declarações publicadas pelo Marca, Rummenigge afirmou conhecer bem Pérez e deu a entender que a grande vantagem de receitas de direitos de TV do futebol inglês é a pedra no sapato do presidente do Real Madrid.

“O problema do Florentino Pérez, a quem eu conheço muito bem, se chama Premier League. Ele preside o clube mais poderoso e bem-sucedido do mundo, com uma grande força para atrair estrelas. Mas seu problema é que os clubes da Premier League ganham três vezes mais dinheiro de direitos de TV do que clubes da Espanha, Alemanha ou França. Os ingleses se saíram muito bem, temos que admitir”, afirmou Rummenigge.

De fato, em questão de negociação de direitos de transmissão doméstica, a liga inglesa tem ampla vantagem sobre as outras quatro grandes ligas europeias. Por temporada, € 1,93 bilhão é arrecadado pela Premier League com a transmissão de jogos dentro do Reino Unido. A Bundesliga, em segundo lugar, arrecada € 1,16 bilhão com seu acordo local que vai até 2021. A Ligue 1, cujo novo acordo doméstico com a Mediapro, de 2020 a 2024, fez seu montante subir significativamente, atinge apenas € 1,153 bilhão por temporada, aparecendo na terceira colocação. La Liga e Serie A fecham a relação, com € 1,14 bilhão e € 973 milhões, respectivamente.

É neste cenário que Pérez avança a sua ideia de uma superliga europeia, enquanto discussões são feitas também por uma transformação na Champions League. Uma primeira ideia ventilada falava em 24 equipes fixas e 32 times no total, divididos em quatro grupos de oito, havendo ainda sistema de promoção e rebaixamento, com três níveis de pirâmide.

O chefe-executivo do Bayern de Munique tratou de se colocar contrário à proposta, afirmando não haver datas disponíveis para um torneio com os finalistas tendo que jogar 21 partidas no total.

“Com grupos de oito, teríamos muito jogos sem interesse. Chegamos a um ponto em que é preciso dizer chega. Jogadores e treinadores precisam se erguer e dizer basta”, convocou o mandatário.

Diversas associações já se posicionaram contra as mudanças propostas à Champions League, com a European Leagues, representante de mais de 950 clubes espalhados por 36 ligas, pedindo que qualquer alteração feita não aconteça em detrimento das competições nacionais.

Enquanto isso, com a proposta inicial rechaçada, Uefa e Associação de Clubes Europeus seguem as conversas para se chegar a uma nova versão. Sobre os planos de Pérez, não há novidades ou detalhes.