A Alemanha continua precisando lamber as suas feridas. A eliminação precoce, ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 2018, quem apareceu para fazer críticas foi o CEO do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge. O dirigente foi muito duro nas críticas à DFB (Federação Alemã de Futebol), chamou dirigentes de amadores e deu exemplo de outro momento de crise: a campanha na Eurocopa de 2000 foi usada como um exemplo do que foi feito e, naquela época, melhorado, na visão dele.

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“Eu estou irritado e espantado com o que é feito na DFB em relação a gerenciamento de crise, falta experiência com futebol”, disse. O dirigente lembrou da crise após a Eurocopa de 2000, quando a Alemanha foi eliminada na fase de grupos e gerou uma reação. “Naquela época, havia um profissional no comando da DFB, Gerhard Mayer-Vorfelder, que se juntou a pessoas responsáveis dos clubes e mudou as coisas com movimentos inteligentes. Em 2002 a Alemanha foi finalista e, especialmente, a medida de todos os clubes terem formação de jogadores jovens obrigatória, de onde Neuers, Müllers, Schweinsteigers e Lahms surgiram”, contou o dirigente.

O dirigente disse que o técnico Joachim Löw merece outra chance. “Ele tem feito um excelente trabalho por doze anos, ele esteve em uma semifinal sete vezes, ele se tornou campeão mundial, você é um pouco grato por tal homem”, avaliou Rummenigge.

Quando perguntado se ele pedia a saída de Reinhard Grindel, o presidente da DFB, ele negou. “Eu não estou pedindo nada. Eu apenas noto que a DFB há completos amadores que tomaram conta. Há pessoas como Reinhard Koch [vice-presidente] e muitos outros que têm grande papel. Deixe-me dar um exemplo com o VAR. A Bundesliga teve que lidar com problemas por um ano inteiro. Na Copa do Mundo, vocês puderam ver que é possível instalar o VAR em seis semanas sem uma preparação enorme, que todo mundo gostou e funcionou maravilhosamente”, afirmou Rummenigge. “Para trabalhar em uma associação como a DFB, seria interessante para Philipp Lahm. Eu acredito que no próximo ano teremos eleições e talvez seria bom escolher Lahm como vice-presidente para dar mais profissionalismo ao comitê”, sugeriu o dirigente do Bayern.

Ao que parece, a Alemanha tem muita coisa para lidar internamente, falando sobre a seleção e sobre o futebol do país como um todo. Até porque o Bayern é o time mais poderoso, mas uma das críticas que se faz é justamente que o poder do clube bávaro é desproporcional e criou um desequilíbrio enorme. A mistura de incompetência dos rivais com a competência bávara criou um problema para o futebol alemão internamente, na sua liga, mas a sua seleção não tinha sofrido ainda. Depois de anos de bons resultados, parece precisará haver uma correção no rumo.