Rui Vitória causa mais dúvidas do que certezas no Benfica

Treinador vem sendo alvo de protestos e apontado como o principal responsável pela crise técnica pela qual a equipe vem passando

O que se passa com Rui Vitória? Teria sido ele uma escolha errada da direção do Benfica para substituir a Jorge Jesus? Terá força mental e capacidade técnica para superar o mau momento? Conseguirá recolocar o Benfica no patamar que deve estar quem é atualmente o bicampeão nacional? E na Champions League o time terá pernas para um campanha digna no mata-mata? A melhor opção é mantê-lo até o final da temporada, independentemente dos resultados, ou será melhor dispensá-lo logo e apostar em outro nome para tentar a reviravolta? As perguntas que estão na cabeça dos benfiquistas são muitas em relação ao técnico da equipe, que vem sendo alvo de protestos e apontado como o principal responsável pela crise técnica pela qual a equipe vem passando.

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É verdade que os encarnados conquistaram a classificação para as oitavas de final da Liga dos Campeões, um grande feito que rareava nos últimos tempos. Mas é verdade, também, que ele cometeu um pecado quase mortal: em 17 partidas no comando da equipe, conseguiu perder três vezes para o grande rival Sporting: pela Supertaça, pelo Campeonato Português e pela Taça de Portugal, em jogo que custou a eliminação precoce do Benfica.

Nas três partidas, Rui Vitória viu, em carne e osso, no outro banco de reservas, a sombra que lhe atormenta desde que desembarcou na Luz: Jorge Jesus. O agora técnico sportinguista deixou sua marca nos quatro anos em que trabalhou no clube encarnado. E perder tantas vezes para ele, ainda mais em dérbis, é pesado demais.

As três derrotas perante os leões (algo que não acontecia há mais de 60 anos) representam exatamente a metade dos reveses de Rui Vitória no Benfica. Em cinco meses, ele ganhou 10 jogos, empatou um e perdeu seis. O aproveitamento de 60,7% nem chega a ser desastroso, mas o fato de ter caído seguidamente perante o grande rival e o futebol de pouca qualidade apresentado são mais fortes que os números.

Rui chegou ao Benfica para substituir a Jesus depois de quatro temporadas no Vitória de Guimarães, que o colocaram como um técnico emergente no futebol português. Agora, mesmo em pouco tempo de trabalho, até teve o mérito de promover jovens (e de passar adiante na Champions, o que deve sempre ser lembrado). Mas, inegavelmente, ganhou um rótulo de dúvida.

A interrogação que paira sobre o treinador não ocorre somente por causa dos fracassos nos dérbis e do futebol de qualidade inferior ao que se espera de um time como o Benfica. Um aparente despreparo psicológico também anda jogando contra ele, que parece ter sentido a pressão que é dirigir um dos maiores clubes do mundo. O técnico tem dado declarações inoportunas, que muitas vezes são respostas mal formuladas a armadilhas claramente preparadas pelos adversários – Jorge Jesus, entre eles.

A imprensa portuguesa comenta que, nos bastidores, a informação que circula é de que Luís Filipe Vieira, o presidente benfiquista, não pensa em demitir o técnico em meio à temporada. Por outro lado, se Rui Vitória pedir para sair, o mandatário não fará qualquer esforço para mantê-lo. A pressão da torcida (que chegou a cercar o ônibus do elenco após o último dérbi, quando da eliminação da Taça de Portugal, e depois tentou invadir um treinamento) pode contar muito na decisão de Rui.

Nesta segunda-feira (30), o Benfica encara o Braga, fora de casa, num jogo importantíssimo – e igualmente difícil. Qualquer resultado que não seja a vitória pode custar ao clube a saída prematura da briga pelo título nacional. E talvez ajude o torcedor a começar a responder as muitas dúvidas sobre o técnico e seu futuro.