O Cruzeiro tem tido presença constante na Libertadores. Volta em 2013?
É uma questão difícil, pois o Cruzeiro está em busca de um novo ciclo, atualmente com investimentos menores. Dentro de campo, busca um nova identidade, que espero poder dar ao time.

 

O time ficou fora da final do Mineiro e foi eliminado da Copa do Brasil. Você espera um grupo cabisbaixo?
Quem joga no Cruzeiro, que é um dos grandes do País, não pode ter este pensamento. Tem que querer sempre mais, sempre estar no topo. Muita gente quer estar no Cruzeiro. Quem está dentro, precisa viver cada dia no limite.

Tem uma análise do grupo de jogadores do Cruzeiro? Espera conseguir reforços antes da sexta rodada?
Já temos a estréia do Brasileiro no final de semana, mas dentro do possível vamos fazer uma análise de situação junto à direção. A partir disso, os rumos vão ficar mais claros.

Dizem que o futebol mineiro é de toque, principalmente o Cruzeiro. E que o futebol gaúcho é mais pegado. Você concorda com isso, ou é só clichê. Vai impor um estilo gaúcho ao Cruzeiro?
Time grande tem que ser competitivo, lutar por vitórias, por títulos. Este é o perfil do Cruzeiro. Na forma de jogar, o que determina são os jogadores. Depende da característica e da qualidade de cada um.

É sua terceira passagem por Minas. O que pode ser diferente agora? Quais as diferenças entre Galo e Cruzeiro?
São clubes grandes, com características próprias e as mesmas cobranças. Minas Gerais é um dos grandes centros do futebol nacional, com vários times de diferentes portes no Campeonato Brasileiro das Séries A, B e C. O momento do Cruzeiro, como disse antes, é de reestruturação. Tenho convicção de que faremos um ótimo trabalho no clube.

O time atual do Cruzeiro é praticamente o mesmo que quase caiu em 2011, pois os reforços não deram certo. Vai mudar muito?
Cada temporada é uma situação diferente. Na verdade, o Cruzeiro perdeu alguns jogadores do ano passado. E contratou outros neste ano com investimento bem menor do que em outros anos. O rendimento destes atletas vai depender da assimilação ao nosso trabalho. Se houver dificuldade, precisaremos de novas peças para manter a engrenagem funcionando.

Quais são os princípios básicos que você adota no futebol?
Qualidade técnica e competitividade. Nem sempre é possível aliar isso, ainda mais quando você não inicia a temporada no clube. Ainda acho que velocidade, de forma organizada, ainda é o melhor caminho. Mas desde que se tenha as peças certas.

Com a globalização, torcedores brasieiros passaram a ter contato maior com o trabalho de treinadores de fora, como Mourinho e Guardiola. Aumentou a cobrança sobre vocês?
Não muito. Mas a cobrança continua grande para nós. A novidade é que se admira o trabalho dos treinadores lá de fora e aqui só se cobra em cima dos nossos resultados. Se ganha e é campeão, vira gênio. Chegou em segundo, ou não chegou, o mundo cai em cima.

O 4-2-3-1 passou a ser uma febre no Brasil. Você também gosta?
Uso bastante. E depois que saio dos clubes, quem vem no meu lugar segue usando. É uma forma de jogar flexível, quando os jogadores entendem a proposta. Mas como disse antes, precisa ter jogadores de qualidade, caso contrário não há esquema tático que sirva.

O título da Libertadores mudou a maneira como é visto pelos torcedores e críticos. É um novo patamar?
Ter vencido a Copa Libertadores de 2010 comandando o Internacional foi um momento especial, histórico. Mas minha carreira não se resume a isso. Tenho um trabalho sólido que já vem de anos. Meu perfil profissional é claro. Quem me contrata sabe quem sou e como procedo no dia a dia. A imensa maioria dos jogadores que comando têm carinho por mim, mas antes disso, têm respeito. Os críticos refletem a nossa cultura futebolística. Os torcedores são o presidente na arquibancada. Podem tudo: reclamar, cobrar, vaiar e até mesmo aplaudir. A torcida do Cruzeiro é uma das mais inteligentes do Brasil. Joga junto com o time sempre. E sabe a hora de cobrar.