Rooney salva o United e dá ao Liverpool uma lição sobre desperdício

O Liverpool dominou a partida, mas jogou fora a sua superioridade e foi castigado pelo grande atacante do rival

Por pelo menos uma hora, o Liverpool foi o melhor time em campo. Difícil discordar. A primeira chance do Manchester United saiu apenas por volta dos 10 minutos da etapa final, enquanto o time da casa já havia levado perigo várias vezes. Estava organizado, intenso, ameaçando seguidamente o adversário. Mas foi afobado e incapaz no último terço do campo algumas vezes e parou em De Gea em outras. Aos 33 minutos do segundo tempo, ainda não havia aberto o placar. Foi quando Rooney apresentou ao seu grande rival os riscos de não conseguir matar o jogo, do domínio infrutífero e do desperdício, com o gol da vitória por 1 a 0.

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A expectativa tática para a partida em Anfield era o Manchester United fazendo o jogo de posse de bola de Louis van Gaal, mesmo fora de casa, e o Liverpool pressionando com as linhas avançadas, buscando o erro, a retomada e o rápido contra-ataque. Isso aconteceu apenas nos primeiros minutos, quando o time visitante trocou passes, sem muita objetividade, intensidade ou risco para o adversário. Como, aliás, vem sendo a tônica do maior campeão inglês nesta temporada.

O Liverpool, ao contrário, corria bastante e era vertical. O ataque funcionou bem, com Lallana e Firmino movitando-se bastante, Henderson e Milner infiltrando na grande área, e Can levando perigo da retaguarda. Faltou a finalização mais caprichada. O chute letal e indefensável. Sem Coutinho e Sturridge, isso é realmente um problema para o time de Klopp, que pelo segundo clássico seguido em casa conseguiu uma boa apresentação, mas ficou sem a vitória.

Antes de assumir o controle do jogo, o Liverpool levou perigo em dois lançamentos. Primeiro, Lucas achou Lallana no buraco entre os zagueiros. O inglês tentou completar de primeira, com a cabeça, e parou em De Gea. Firmino ainda pegou o rebote e chutou rente à trave. O atacante brasileiro, em seguida, virou o jogo com qualidade para Milner, que foi traído pelo quique da bola e perdeu o melhor ângulo para a finalização.

Com a segurança de que o Manchester United era inofensivo, o Liverpool passou a ficar com a bola e passear pela periferia da área do grande rival, com toques curtos e triangulações, que nem sempre deram certo. A melhor oportunidade foi criada em uma trama que começou com um calcanhar de Henderson para Lallana, que passou a Firmino. A bola foi novamente rolada para Henderson bater cruzado, com perigo.

No primeiro tempo, Lingaard e Martial, pelas pontas, não criaram nada de bom para o United. Rooney, o atacante mais adiantado, foi engolido pelos zagueiros do Liverpool. Deu apenas quatro passes em 45 minutos e nenhum chute a gol. O Liverpool, porém, não conseguiu traduzir a superioridade em gols, e o segundo tempo começou tudo igual no placar para os dois lados.

O Liverpool continuou em cima. Can recebeu na entrada da área, pedalou e chutou cruzado para boa defesa de De Gea. Apenas por volta dos 10 minutos da etapa final que o Manchester United conseguiu levar perigo, com uma jogada parecida de Martial, que também tirou tinta da trave. A partir desse momento, o United melhorou. A partida ficou mais aberta, com mais espaços para os dois lados. Os Red Devils eram finalmente perigosos. Mas o Liverpool seguia criando as melhores chances, como outro chute de Can, agora da entrada da área, que De Gea foi buscar no canto.

Van Gaal mexeu nas peças ofensivas apenas aos 20 do segundo tempo, quando colocou Mata no lugar de Lingaard. E o espanhol acabou participando do gol da vitória. Cruzou da esquerda para Fellaini, que ganhou no alto de três jogadores do Liverpool e acertou o travessão. Rooney pegou o rebote e fez seu primeiro gol em Anfield desde 2005. O quarto nas últimas três partidas. O gol que salvou mais uma apresentação sem sal do time de Van Gaal.

Com os planos frustrados, Klopp foi para o abafa. Colocou Benteke e Caulker na área para realizar a mesma tática que funcionou nos minutos finais contra o Arsenal: bola alçada de qualquer jeito. Desta vez, não funcionou, e o Liverpool afasta-se da zona de classificação à próxima Champions League. Teve dois clássicos seguidos em casa e conquistou apenas um ponto. Está a oito do quarto colocado Tottenham, com uma equipe ainda desequilibrada. Defesa e ataque ainda precisam melhorar bastante.

Enquanto isso, o Manchester United continua forte na briga pela vaga na Champions League, com dois pontos de desvantagem para o Tottenham. Deu, em Anfield, uma lição sobre desperdício ao seu grande rival nacional, mas ainda precisa elevar bastante o nível do seu futebol.