A final da Liga Europa, desta quarta-feira, reunirá duas camisas pesadíssimas: o tricampeão europeu Manchester United e o tetra Ajax, em busca do segundo título mais importante do continente. O potencial de que essa decisão entre no hall das melhores da história do torneio é muito grande. Por isso, vamos relembrar uma lista que fizemos ano passado, com 10 finais históricas da Copa da Uefa/Liga Europa, escrita por Felipe Lobo.

Por Felipe Lobo

A Liga Europa foi repaginada na temporada 2009/10, quando recebeu este nome. Antes disso, era chamada de Copa da Uefa e reuniu grandes times ao longo da sua história, que começou na temporada 1971/72. Há muitas finais interessantes e memoráveis, mas escolhemos 10 que achamos que vale a pena lembrar, em um dia que teremos uma final continental. Grandes times e craques já estiveram em finais e marcaram seus nomes na história.

Juventus x Athletic Bilbao – 1976/77

O primeiro time italiano a levantar a taça da Copa da Uefa foi a Juventus. Naquele ano de 1977, fez a final contra um forte Athletic Bilbao. No lado juventino, Dino Zoff, Gaetano Scirea, Claudio Gentile, Marco Tardelli e Roberto Bettega, comandados por Giovanni Trapattoni. No lado basco, um nome que ouvimos até hoje envolvido no futebol espanhol: Ángel María Villar, atual presidente da Federação Espanhola e também presidente interino da Uefa.

A final, na época, era disputada em dois jogos. No primeiro jogo, no estádio Communale, em Turim, vitória da Juventus por 1 a 0, gol de Marco Tardelli. Na volta, em Bilbao, o Athletic venceu por 2 a 1, empatando o saldo. O título italiano veio por causa do gol fora de casa na partida de volta.

IFK Göteborg x Hamburgo – 1981/82

Um ano ano antes do Hamburgo conquistar o título europeu, foi batido por um time sueco. Sim, eram outros tempos. Os suecos tinham dois irmãos, Tord e Tommy Holmgren, que foram destaques. No time alemão, um nome que você deve lembrar: Felix Magath. Era meio-campista do Hamburgo.

O IFK Göteborg venceu o jogo de ida com gol de Tord Holmgren. Placar de 1 a 0 que levou para o jogo de volta na Alemanha. Talvez fosse difícil segurar um dos melhores times alemães jogando em Hamburgo. Só que não foi. No Volksparkstadion, diante de mais de 57 mil pessoas, o IFK Göteborg venceu por 3 a 0, gols de Corneliusson, Nilsson e Fredriksson. No ano seguinte, o Hamburgo seria campeão da Copa dos Campeões. E o IFK Goteborg? Foi novamente campeão da Copa da Uefa em 1986/87, contra o Dundee United, da Escócia.

Bayer Leverkusen x Espanyol – 1987/88

Que tal uma final com reviravolta? Esta aqui é daquelas inacreditáveis. O Espanyol chegou à final contra o Bayer Leverkusen na Copa da Uefa de 1988 e conquistou uma enorme vantagem no jogo de ida. Com um time que tinha o então atacante e atual técnico Ernesto Valverde, o Espanyol venceu por 3 a 0, gols de Sebastián Losada, duas vezes, e Miquel Soler.

Tudo encaminhado para o título, certo? É, só que não. No jogo de volta, em Leverkusen, o time alemão mostrou a sua força. Tinha em campo um jogador muito conhecido dos brasileiros: o meia Tita, ex-Flamengo, que esteve naquele time de 1981.

No primeiro tempo, um 0 a 0 que parecia deixar o Espanyol com a mão na taça. O segundo tempo, porém, foi uma loucura. Tita marcou aos 12 minutos. Depois, Falko Götz marcou o segundo aos 18. Depois, Cha Bum-Kun, sul-coreano, marcou: 3 a 0. O jogo, milagrosamente, foi para os pênaltis. E foi quando o Leverkusen conseguiu o triunfo. Nos pênaltis, 3 a 2 para o time alemão, que comemorou o título.

Napoli x Stuttgart – 1988/89

O Napoli de Maradona conquistou um título europeu. Aquela final foi contra o Stuttgart, também em dois jogos. O Napoli tinha um timaço. Ciro Ferrara, Alemão, Diego Maradona, Andrea Carnevale e Careca eram os principais nomes daquele time que conquistava a torcida napolitana. O Stuttgart tinha Fritz Walter (que não era, obviamente, aquele de 1954), quarto maior artilheiro da história do Stuttgart, que jogou por lá de 1987 a 1994. Mas tinha outro jogador que faria uma grande carreira: Jürgen Klinsmann.

No jogo de ida, no San Paolo, o Napoli venceu por 2 a 1, mas foi um jogo muito difícil. Maurizio Gaudino abriu o placar aos 17 minutos. Maradona empatou aos 23 minutos do segundo tempo. O empate vigorou até o fim do jogo, quando Careca, aos 42 minutos, marcou o gol da vitória. Klinsmann não jogou aquela primeira partida.

No jogo de volta, uma partidaça. O brasileiro Alemão abriu o placar aos 18 minutos, mas Klinsmann, vestindo a camisa 9, empatou o jogo aos 27. Ciro Ferrara colocou de novo o Napoli à frente, aos 39 minutos. No segundo tempo, Careca ainda marcou mais um, aos 27 minutos, e deixou o título nas mãos dos Partenopei. Fernando De Napoli marcou um gol contra aos 25, diminuindo o placar para o Stuttgart, e, aos 44 minutos, Olaf Schmäler empatou o jogo. Era tarde demais. O Stuttgart precisaria de mais dois gols para ficar com a taça, que foi mesmo para o sul da Itália. Foi a primeira – e única, até hoje – taça continental do grande Napoli de Maradona.


Internazionale x Roma – 1990/91

Era uma época de dominação do futebol italiano. O Napoli foi campeão em 1989, a Juventus ganhou em 1990 fazendo uma final com a Fiorentina de Baggio e em 1991 foi a vez da Internazionale fazer outra final doméstica, contra a Roma. Era a chamada Inter dos alemães, com Andreas Brehme, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann. Além deles, Walter Zenga, Giuseppe Bergomi e Aldo Serena, comandados por Giovanni Trapattoni. A Roma tinha no seu elenco Aldair e dois alemães: Thomas Berthold e Rudi Völler.

No jogo de ida, em Milão, no estádio Giuseppe Meazza, vitória da Inter por 2 a 0. Os gols foram de Matthäus, de pênalti, e Berti. Na volta, em Roma, os donos da casa conseguiram vencer, 1 a 0, gol de Ruggiero Rizzitelli. E já foi aos 36 minutos do segundo tempo. Não deu para chegar ao título. A Inter ficou com a taça, que conquistaria mais duas vezes na história.

Ajax x Torino – 1991/92

Uma final muito marcante, especialmente para quem lembra dessa época. A final foi transmitida, na época, pela Globo, ao vivo na TV aberta. O Torino era um time muito mais forte que hoje, tanto que disputava as competições europeias. No seu elenco, tinha o belga Enzo Scifo, um meia de extrema categoria, e no ataque um centroavante bastante conhecido do público: Walter Casagrande. E no banco, um outro jogador que se consagraria anos depois: Christian Vieri.

No lado do Ajax, diversos craques que se consagrariam na carreira e alguns deles ajudariam o time de Amsterdã a ser campeão da Europa em 1995. Entre os grandes nomes do time estavam Danny Blind, Aron Winter, Dennis Bergkamp e um tal de Edwin van der Sar que já estava no banco. Isso além de Louis van Gaal no comando do time.

Foram dois jogaços. No primeiro, em Turim, um empate por 2 a 2. Wim Jonk abriu o placar aos 17 minutos. No segundo tempo, Casagrande empatou aos 20 minutos, mas Stefan Petterson, de pênalti, marcou 2 a 1 para os holandeses. No final do jogo, aos 37 minutos, Casagrande marcou novamente e empatou o jogo.

O jogo de volta em Amsterdã também foi bastante emocionante, mas desta vez sem gols. O Ajax pressionou pela vitória, mas o Torino também teve uma chance de sair com a taça. No final do jogo, o Torino acertou a trave. Foi praticamente o último lance do jogo. O Ajax ficou com a taça.

Bayern de Munique x Bordeaux – 1995/96

Uma final que se tornou histórica. O Bayern de Munique tinha Oliver Khan, Matthäus, Markus Babbel, Christian Ziege, Dieter Hamman, Ciriaco Sforza, Mehmet Scholl, Jürgen Klinsmann e Jean-Pierre Papin. Isso sem falar no técnico, Franz Beckenbauer.

No Bordeaux, um dos maiores nomes da história do futebol francês: Zinedine Zidane. Mas não era o único. Tinha também Bixente Lizarazu e Christophe Dugarry, jogadores que seriam campeões do mundo em 1998.

No jogo de ida, o Bayern de Munique venceu por 2 a 0, gols de Helmer e Scholl. Zidane não jogou a primeira partida. Na volta, nenhuma chance para os franceses. Mesmo com Zidane em campo, os bávaros venceram por 3 a 1, gols de Scholl, Kostandinov e Klinsmann. Daniel Dutuan descontou para os franceses. Título para os alemães.


Internazionale x Lazio – 1997/98

A primeira final decidida em jogo único em estádio previamente definido na Copa da Uefa foi a da temporada 1997/98. Foi a temporada que Ronaldo fenômeno estreou com a camisa da Inter. Ainda vestindo a camisa 10 – a 9 era de Ivan Zamorano -, Ronaldo foi protagonista na conquista da Copa da Uefa. A final, mais uma vez, foi entre dois times italianos, que continuam sendo muito fortes nessa época. O adversário da Inter era a Lazio.

Comandada por Sven-Göran Eriksson, o time tinha o goleiro Luca Marchegiani, o zagueiro Alessandro Nesta, o meio-campista iugoslavo Vladimir Jugovic, o tcheco Pavel Nedved e os atacantes Pierluigi Casiraghi e Roberto Mancini – este mesmo que é técnico atualmente. Na Inter, Gianluca Pagliuca, Javier Zanetti, Aron Winter, Diego Simeone, o brasileiro Zé Elias, Yuri Djorkaeff, Ivan Zamorano e, claro, o brasileiro Ronaldo. No banco o time ainda tinha Kanu e Álvaro Recoba.

A final foi disputada no estádio Parc des Princes, em Paris. Zamorano deu a vantagem ao time de Milão logo aos cinco minutos do primeiro tempo. A Inter ampliou o placar com Javier Zanetti, aos 15 minutos do segundo tempo. Ronaldo, por fim, marcou o gol que decretou o placar aos 25; 3 a 0 para a Inter. Ronaldo foi o craque do jogo e trouxe uma taça para Milão.

Liverpool 5×4 Alavés – 2000/01

Uma das maiores finais de todos os tempos envolveu um dos finalistas da edição deste ano. Em 2001, o Liverpool teve o surpreendente Alavés pela frente naquela final. O jogo foi disputado no Westfalenstadion, em Dortmund (atualmente, Signal-Iduna Park) e teve uma alta dose de emoção. Muita emoção.

Primeiro porque foi a primeira final europeia do Liverpool desde o trágico caso de Heysel, na final da Champions League (ainda como Copa dos Campeões) em 1985. O Alavés, por sua vez, aparecia pela primeira vez em um jogo decisivo de competição continental.

O Liverpool se classificou para a Copa da Uefa ao ficar em quarto na Premier League. Enfrentou na competição o Rapid Bucareste, Slovan Liberec e aí passou a enfrentar adversários mais duros. Na terceira fase eliminatória, o adversário foi o Olympiacos. Empatou fora e ganhou em casa por 2 a 0. Depois, nas oitavas de final, veio a Roma. Vitória fora de casa por 2 a 0 e derrota em casa por 1 a 0. Nas quartas de final, o Porto. Empate fora e vitória em casa. Por fim, a semifinal foi contra o Barcelona. Um 0 a 0 no Camp Nou e uma vitória por 1 a 0 em casa levaram o time à final.

O Alavés passou por Gaziantepspor, Lillestrom, Rosenborg, Internazionale de Vieri e Recoba, o Rayo Vallecano nas quartas de final e fez uma semifinal incrível com o Kaiserslautern, de Yuri Djorkaeff. Incrível para os espanhóis, claro: 5 a 1 em casa e 4 a 1 fora de casa.

Na final, um jogo emocionante. O Liverpool de Steven Gerrard (ainda vestindo a camisa 17) e Gary McAllister teve pela frente um adversário muito duro. O zagueiro Markus Babbel abriu o placar logo a três minutos e Gerrard ampliou aos 16. Ivan Alonso, nome famoso do Alavés, diminuiu aos 26. McAllister, de pênalti, aumentou para 3 a 1 aos 40 minutos.

No segundo tempo, dois gols de Javi Moreno empataram o jogo, aos dois e aos quatro minutos. Robbie Fowler colocou de novo o Liverpool em vantagem aos 27 minutos, mas Jordi Cruyff empatou o jogo aos 43 minutos e levou o jogo para prorrogação. Depois de um primeiro tempo sem gols, Delfi Geli marcou um gol contra. Na época, o regulamento era de gol de ouro. O título ficou mesmo com o time inglês.

Feyenoord x Borussia Dortmund – 2001/02

O palco da final era o estádio De Kuip, em Roterdã. E o Feyenoord conseguiu a proeza de chegar à final. O adversário era duro: Borussia Dortmund, que, poucos anos antes, tinha sido campeão da Champions League, em 1997.

O Feyenoord tinha um nome que se tornou muito famoso depois: Robin van Persie, então só um garoto de 18 anos. Além dele, Jon Dahl Tomasson e Pierre van Hooijdonk. No lado do Dortmund, o goleiro Jens Lehmann, o lateral direito Evanílson, o lateral esquerdo Dedê, os meias Lars Ricken e Tomás Rosicky, e os atacantes Ewerthon, Jan Koller e Amoroso.

Os jogadores que decidiram o confronto foram mesmo os atacantes do Feyenoord. Van Hooijdonk, aos 33 minutos, marcou de pênalti. Aos 40, ele mesmo marcou o segundo gol do jogo.

No segundo tempo, Amoroso diminuiu o placar. Tomasson colocou os holandeses em vantagem novamente, abrindo 3 a 1. Koller ainda diminuiu para 3 a 2, mas insuficiente para impedir o título do clube de Roterdã, em casa. Aquele título consagrou Tomasson, eleito melhor jogador da partida. Depois ele ainda jogaria no Milan, onde também teria seus bons momentos.