Ronaldo Nazário de Lima era um jogador que chamava a atenção desde seus primeiros movimentos no futebol profissional, em 1993. Contratado junto ao São Cristóvão para a base do Cruzeiro, o jogador mal ficou nas categorias menores. Estreou como profissional aos 16 anos no clube celeste e, em 1994, já era titular do time. Sua carreira foi meteórica. Foi para a Holanda, brilhou pelo PSV e se tornou a maior contratação da história em 1996. Um ano depois, bateria um novo recorde ao ir para a Inter de Milão.

Em 2002, deixou os italianos para assinar com o Real Madrid. Ficou até 2007, quando, em janeiro, se transferiu para o Milan. Ficou até 2008, quando, machucado, não teve o seu contrato renovado. No final daquele ano, assinou com o Corinthians. Jogou em 2009 e 2010 pelo Corinthians, até o começo de 2011, quando o Corinthians caiu na fase preliminar da Libertadores para o Tolima. Se aposentou ali. Atualmente, é dono do Valladolid.

Em entrevista, Ronaldo comentou sobre as suas conturbadas saídas do Barcelona e da Inter de Milão. E revelou que não queria deixar o Barcelona em 1997. Também disse que tinha dado um ultimato ao presidente da Inter para demitir o técnico ou ele sairia. E ele saiu.

Barcelona

Sua chegada ao Barcelona causou furor e ele cumpriu a expectativa. Contratado por € 15 milhões, chegou como uma promessa, que tinha ido à Copa do Mundo de 1994 como reserva e brilhado pelo PSV. Em 1994/95, Ronaldo fez 35 jogos pelo PSV e marcou 33 gols. Em 1995/96, foram 19 jogos, 18 gols. Em um time como o Barcelona, era esperado que ele rendesse ainda mais.

Foram 49 jogos, 47 gols, sete assistências. Se considerarmos apenas La Liga, foram 37 jogos e 34 gols. Sua temporada foi avassaladora. Conquistou um título, a Recopa Europeia, em uma final contra o PSG. Curiosamente, trabalhando com José Mourinho como auxiliar do então técnico Bobby Robson. Ao final daquela temporada, porém, ele deixaria o Barcelona e iria para a Inter de Milão por um valor recorde € 28 milhões. Nunca um jogador tinha custado tanto.

“Eu tinha assinado o contrato renovando ao final da temporada e fui viajar para o Brasil e, depois de cinco dias, me chamaram para me dizer que não poderiam seguir com a renovação. Nunca esteve em minhas mãos. Eu tinha o desejo de continuar. Se o clube não me valorizava como tinha que ser, não estava nas minhas mãos esta decisão. Eu gostaria de ter ficado”, afirmou o ex-atacante.

Contamos, em setembro de 2016, sobre a sua carreira e a sua polêmica saída do Barcelona.

Havia polêmicas, porém. Ele foi liberado para o Carnaval e as imagens dele festejando, enquanto companheiros treinavam, foi faísca em um barril de pólvora. Sua vida fora de campo sempre foi agitada. Ele chegou a questionar as táticas de Bobby Robson, o que levou a mais polêmica. Tudo isso atrapalhou tanto que os torcedores escolheram Luis Enrique, e não Ronaldo, como o melhor jogador da temporada.

Os vilões mesmo para o Barcelona, porém, eram os empresários do jogador, Reinaldo Pitta e Alexandre Martins. Se falava muito da renovação e os empresários, claro, queriam maximizar o lucro. No final da temporada, no dia 26 de maio de 1997, o Barcelona acreditou ter feito uma renovação até 2006 com o jogador, com declarações do então presidente Josep Lluís Núñez dizendo: “Ele é nosso pela vida toda”. No dia seguinte, quando iam assinar o contrato, o acordo ruiu. O presidente do Barcelona, então, admitiu: “Acabou, Ronaldo vai embora”.

A Internazionale de Massimo Moratti já queria tê-lo contratado do PSV e não queria deixar escapar a chance desta vez. Os empresários do jogador receberam a sua comissão da Inter e o cheque para levar à Catalunha. Depositaram o cheque de 27 milhões de dólares na sede da Federação Espanhola de Futebol, pagando assim a sua cláusula de rescisão, mais uma vez quebrando o recorde mundial de transferências. O Barcelona entrou na Fifa pedindo uma indenização e a entidade obrigou o clube italiano a pagar mais 1,8 milhão pelo jogador, em setembro. Ronaldo, a essa altura, já tinha estreado pela Inter.

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Inter de Milão

“Em Milão eu estava muito bem. Eu sentia um carinho incondicional dos torcedores e de todo o mundo”, afirmou o jogador em entrevista ao DAZN. “Nós tínhamos Cuper como técnico, mas eu não poderia continuar. Eu falei com Moratti e eu disse a ele: ‘Ou ele vai embora, ou eu vou embora, nós não podemos continuar’. Minha história com a Inter acabou mal, ele preferiu Cuper a mim. Minha história com o Real Madrid começou ali”.

Ronaldo já tinha contado essa história em 2019.

“Eu nunca quis sair da Inter, eu sentia que era minha casa e que eu ficaria a vida toda. Eu nunca fui ao presidente para pedir que eles demitissem o técnico, porque isso não parecia certo e esse não era o meu estilo”, contou Ronaldo. “Contudo, nós chegamos a um ponto com Cúper que eu simplesmente não podia fazer mais nada. Ele não me tratava bem, de modo algum. Eu não sei se ganhar o scudetto teria me feito mudar de ideia”.

“Eu estava convencido que Massimo Moratti iria demitir Cúper, então foi uma surpresa horrível quando ele apoiou o técnico. Naquele momento, como eu era muito orgulhoso, eu decidi sair. A cidade que primeiro me amou agora me odiava. Eu precisei de proteção policial. Foi difícil. Eu adoro Moratti, ele era como um pai para mim. Nós chegamos à conclusão pelo nosso relacionamento que nós dois cometemos um erro”, declarou Ronaldo.

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Real Madrid

“Fui para o Real Madrid porque queria jogar no Real Madrid. Meu sonho era jogar no Real Madrid e lutei até o último momento para vir. Joguei com Roberto Carlos na seleção brasileira e ele me dizia tudo que representava o Real Madrid e o que ele vivia no Real Madrid. Isso ficou para mim e anos depois quis ver com meus próprios olhos. Fui ao Real Madrid e a verdade é que era maior do que o que me dizia Roberto e do que eu podia imaginar. O Real Madrid, vá onde vá, é o Real Madrid. Há uma grande expectativa e uma grande pressão. Estão os melhores jogadores do mundo. Eu adorava saber que era enorme e que poderia ajudar a este clube ser ainda maior”.

“Havia muita expectativa pelos galácticos e ao final demos muito espetáculo, foi uma geração vencedora, que mudou a maneira de fazer negócios dentro do futebol. Desde então, todas as equipes geraram mais dinheiro, venderam melhor seus jogadores… Ali foi a grande mudança da nova era do futebol”.

Valladolid

“O grande amor da minha vida é o futebol. Tinha um projeto e tenho uma ideia da minha fundação, que iniciei em 2011, quase 2012. E pouco antes da Copa do Mundo da Rússia surgiu a possibilidade do Valladolid. Estava olhando, gostava muito da ideia de uma equipe com muita tradição, perto de Madri, porque aqui é onde vivo, com um potencial incrível… Então comecei a negociar e pouco depois do Mundial chegamos a um acordo e por sorte a equipe tinha subido à primeira divisão e saiu tudo perfeito. Quero estar muito perto do clube, estou muito consciente e tenho total confiança em tudo que trouxe”.

Aposentadoria

“Eu deixei o futebol por causa de uma lesão, foi uma pubalgia muito forte. Aos 35 anos, estava cansado de me submeter a operações, sentia que não tinha mais forças para me recuperar. Eu tinha cumprido meus objetivos. Eu queria desistir e começar uma nova vida e não me arrependo da decisão tomada. Lesões me fizeram uma pessoa melhor e me fizeram um exemplo de superação, não só para os jogadores, mas para todos aqueles que encontram problemas na sua frente”.