Daniele De Rossi deixará a Roma ao final da temporada. O clube fez o anúncio nesta terça-feira, pelo Twitter. Segundo Guido Fienga, CEO da Roma, o jogador foi informado da decisão do clube nesta segunda-feira. Isso significa que o jogo contra o Parma, no dia 26 de maio, será o último de De Rossi no estádio Olímpico.

Segundo o site da Roma, não é uma aposentadoria. De Rossi, que tem 35 anos, seguirá jogando futebol profissional e buscará uma nova aventura longe da Roma. Nascido na capital italiana e revelado pela Roma, De Rossi se tornou um símbolo romanista. Foi o vice-capitão enquanto Francesco Totti ainda jogava e assumiu a braçadeira após a aposentadoria do ídolo. Estreou pela Roma em 2001 e jogou 615 partidas, até agora, pelos giallorossi.

A linda história entre De Rossi e Roma, porém, não acaba muito bem. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o jogador se mostrou insatisfeito em como o clube conduziu a história. O clube ofereceu a ele a oportunidade de se tornar parte da diretoria do clube, mas ele admitiu que isso não o interessava e lamenta pela falta de comunicação com o clube nestes últimos meses.

“O fato que meu contrato não seria renovado foi anunciado para mim ontem [segunda], mas eu terei 36 anos nesta temporada e eu não sou estúpido”, afirmou o jogador. “Eu vivo no mundo do futebol. Se ninguém te liga para discutir um novo contrato, essa é a direção tomada. Não houve conversas. Eu conversei com Monchi algumas vezes e ele me garantiu, mas eu sempre tive um sentimento que isso iria acontecer”.

“A última vez que eu assinei um contrato de dois anos foi o dia seguinte que Francesco se aposentou. Eu sempre falei pouco porque não havia nada a se dizer e eu não queria criar muito barulho, o que poderia ter distraído o time e todo mundo”, afirmou o jogador. “Eu agradeço Guido [Fienga] pela oferta e como ele me tratou nos últimos meses. Eu também quero agradecer [Ricky] Massara. Há um grande respeito mútuo, mas o sentimento da minha parte é que eu poderia continuar jogando futebol”.

“Eu não conversei com outros times. Até o jogo contra o Genoa, eu estava convencido sobre a Champions League e eu não queria distrair ninguém”, continuou De Rossi. “Eu recebi 500 mensagens. Eu não conferi se havia alguma proposta! Eu ainda me sinto como jogador e eu queria continuar. Seria errado para eu mesmo parar agora”.

“O clube está lá para decidir se você pode jogar ou não. Nós podemos conversar por 10 horas sobre como eu penso que eu posso ser importante para o time apenas por 5, 10, 20 jogos ou no vestiário porque eu acho que eu sou importante para eles. A decisão, porém, tem que ser tomada pelo clube. Alguém tem que tomar a decisão. Eu lamento isso, mas apesar do fato que nós apenas conversas pouco esse ano”.

“As distancias às vezes criam desentendimentos como esses, mas eu espero que o clube melhore nesse sentido porque eu sou um torcedor da Roma. O clube decide quem joga, o técnico decide quem ele quer. Eu não posso esperar mais nada”, afirmou o jogador.

“No dia 27 de maio, eu tenho um voo às 2 da tarde. Eu preciso passar algum tempo sem pensar em futebol, mesmo que eu tenha que encontrar um time. Eu não sei se eu ficarei na Itália ou vou para o exterior. Eu tenho que conversar em casa, comigo mesmo, com meu empresário. Há muitas pessoas que eu tenho que consultar, então veremos”, explicou De Rossi.

“Ser um diretor não me atrai muito, mas faria sentido fazer isso aqui na Roma. Eu farei o trabalho sujo para Francesco e eu irei me juntar a ele um dia se eu mudar de ideia. É verdade que eles me receberiam de braços abertos, mas eu gostaria de um trabalho que eu queira fazer. É uma longa jornada e eu estudei muito para ser capaz de fazer isso acontecer”, disse De Rossi.

De Rossi ainda brincou sobre a ideia de ser um diretor de futebol. “Eu queria jogar e há uma diferença mínima de opinião entre nós, mas eu não tenho nenhuma mágoa com ninguém”, afirmou o jogador na coletiva de imprensa. “Eu conversarei com o presidente um dia. Eu também não tive nenhum problema com Franco Baldini. Eu imaginei eu mesmo enfaixado e me pedindo para continuar jogando”, contou o jogador.

“Isso não aconteceu dessa forma, mas eu tenho que aceitar e seguir adiante. Se eu fosse diretor, eu terei renovado o contrato de um jogador como eu. Eu fui bem quando eu estive em campo nesta temporada e resolvi problemas no vestiário. Se eu fosse um bom diretor, eu teria renovado meu próprio contrato, mas eu não posso fazer nada”, disse.

“Os torcedores me mostraram o quanto eles me amam ao longo dos anos. Eu fiz a mesma escolha em retornar. Eu não mudei por uma hipotética copa que você não sabe se você irá ganhar se sair”, afirmou De Rossi, falando sobre a opção de permanecer na Roma ao longo de todos esses anos.

“Houve três ou quatro anos que eu tive a oportunidade de ir para time que supostamente ganhariam mais que a Roma, mas nós escolhemos um ao outro e seria uma tragédia se eu dissesse que eu preferia ir para outro lugar ou se os torcedores dissessem: ‘o que nós estamos fazendo com De Rossi? Nós preferimos Iniesta e queremos ganhar mais’. Eu ainda tenho amor verdadeiro pelo clube e eu acho que isso irá continuar em diferentes formas. Eu não descarto nada nos próximos anos, eles irão me ver vir aqui com um sanduíche e uma cerveja para comemorar pelos meus amigos”, contou De Rossi.

“Uma pequena decepção que eu tenho muitas vezes é um sentimento que eu tenho que o time se tornou muito forte, muito perto daqueles de ganharem coisas e nós demos um passo atrás. Há regras no mercado: alguns podem bancar um carro e outros podem bancar apenas alguns outros. Eu não posso culpar o clube por isso. Eu não vou entrar em números, mas eu espero que a Roma se torne mais forte com um novo estádio”, disse o jogador.

“Muitos jogadores nos deixaram e depois de dois meses, eles me ligaram e disseram que queriam voltar. As pessoas se acostumam com outros lugares, mas aqui é bom. É um lugar quente para jogar futebol e um passo a ais precisa ser dado. Dito isso, nós já temos um time forte com muitos jogadores jovens que podem começar, nós temos um time que tem futuro”, continuou De Rossi. “Algo deu errado nesta temporada, mas não vamos falar sobre isso hoje”.

Com 117 jogos pela seleção, De Rossi foi parte do time campeão do mundo em 2006. Ele já manifestou paixão pelo Boca Juniors e, aos 35 anos, certamente ainda pode contribuir com outros times, seja na Europa, seja fora dela. Fica então a pergunta: para onde vai De Rossi?