Ao longo dos últimos anos, a Atalanta protagonizou algumas grandes partidas contra a Juventus. Porém, os detalhes sempre impediam sua almejada vitória. Desde 2017, o confronto guardou três empates por 2 a 2 e, além disso, a Velha Senhora eliminou a Dea por duas vezes na Copa da Itália. Era necessário perseverar. E, nesta quarta-feira, a noite esperada pelos nerazzurri finalmente aconteceu no Estádio Atleti Azzurri d’Italia. O time de Gian Piero Gasperini eliminou os bianconeri nas quartas de final da Copa da Itália com uma atuação irrepreensível. Papu Gómez estava inspirado, enquanto Duván Zapata ampliou seus números incríveis, autor de 17 gols nas últimas 10 partidas pelo clube. Como era de se imaginar, o triunfo por 3 a 0 rendeu uma celebração fervorosa em Bérgamo, fazendo jus à tradição da fanática torcida local.

Que a Juventus tivesse os seus desfalques, entrou com força máxima entre os jogadores à disposição. E ainda assim não conseguiu segurar a Atalanta, durante um primeiro tempo impecável dos anfitriões. A Dea jogava com muita intensidade, especialmente sem a bola, para pressionar a saída adversária. E as chances de gol logo começaram a aparecer para os nerazzurri. Giorgio Chiellini fez um desarme providencial diante de Zapata, enquanto Papu Gómez exigiria grande defesa de Wojciech Szczesny. Assim como havia acontecido na rodada do final de semana, contra a Lazio, a Velha Senhora tinha muitíssimas dificuldades nas transições e mal acionava o seu ataque.

O lance capital aconteceu aos 27 minutos. Josip Ilicic e Giorgio Chiellini se lesionaram em uma mesma dividida. O prejuízo, contudo, seria muito maior à Juve – sem Leonardo Bonucci e Andrea Barzagli no banco. Mattia De Sciglio foi deslocado ao miolo de zaga, enquanto João Cancelo entrou na lateral. Assim, a partir dos 37, a Atalanta balançou as redes duas vezes em sequência. Cancelo entrou frio e falhou no primeiro tento. Perdeu a bola na intermediária, em lance no qual Timothy Castagne arrancou e concluiu na entrada da área, mandando no cantinho. Dois minutos depois, Zapata ampliou. Papu Gómez enfiou ao centroavante, que girou sobre a marcação e abriu o caminho para definir. A Velha Senhora, no máximo, teve duas cobranças de falta que explodiram na barreira.

A Juventus retornou ao segundo tempo melhor. Apostava na velocidade de seu ataque e passou a acionar os seus pontas, principalmente com bolas longas. Federico Bernardeschi levou perigo logo nos primeiros minutos, em jogada na linha de fundo neutralizada pela defesa. Os bianconeri insistiam, mas viam a defesa da Atalanta se fechar muito bem. No máximo, Daniele Rugani cabeceou para fora e Sami Khedira parou nas mãos de Etrit Berisha. Do outro lado, as chances dos nerazzurri eram mais isoladas, tentando forçar os erros. A preocupação se concentrava mesmo em trancar os espaços e aproveitar alguma brecha para ampliar a diferença.

Como o passar do tempo, logo a Juventus passou a aumentar sua força ofensiva. Douglas Costa entrou no lugar de Paulo Dybala, assim como Miralem Pjanic, retornando de lesão, veio à vaga de Khedira. Faltava profundidade aos juventinos, inoperantes. Os esboços de uma reação ficavam limitados às bolas alçadas na área. Cristiano Ronaldo mal apareceu. E as esperanças se esvaíram de vez aos 41 minutos. De Sciglio bobeou e recuou mal uma bola. Na verdade, a entregou nos pés de Zapata, que ficou com o caminho livre para resolver. Vitória inapelável da Dea. Antes do apito final, a torcida da casa pôde até tirar uma casquinha e gritar “olé” diante do toque de bola de seus jogadores.

A vitória da Atalanta encerra um jejum de quase 15 anos sem derrotar a Juventus. O último triunfo havia ocorrido nas oitavas de final da Copa da Itália, em novembro de 2004, quando a Dea eliminou o mistão comandado por Fabio Capello. Além disso, pela segunda temporada consecutiva, os nerazzurri avançam às semifinais do torneio nacional. As boas campanhas reafirmam o excelente trabalho de Gian Piero Gasperini. E podem render ainda mais. Nas semifinais, a Fiorentina será o desafio.