Rodrygo é um dos principais expoentes da nova geração de jogadores do futebol mundial – e, no caso brasileiro, parece ser também um símbolo da mudança de cultura em torno do esporte. Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, o jogador do Real Madrid revelou que, assim como muitos de sua idade, tinha duas equipes quando era adolescente: a local (Santos) e uma europeia (Real).

Em maio de 2014, Rodrygo tinha apenas 13 anos e, de longe, observava o Real Madrid dar início a uma era das mais vencedores de sua história, com a conquista da famosa La Décima, com um 4 a 1 sobre o Atlético de Madrid. Para o brasileiro, essa é sua lembrança mais marcante da relação com o clube enquanto estava crescendo.

“O gol do Sergio Ramos, na Décima, eu comemorei tanto que assustei minha mãe. Fiquei muito feliz. ‘O que foi, o que foi?’, ela me perguntava. Gritei como se fosse um gol da seleção na Copa. Eu era um brasileiro madridista. No Brasil, você sempre tem o seu time de lá e um europeu, e os meus eram o Santos e o Real. Eu conhecia até o hino da Décima, no ano passado gravei e mandei pro presidente (Florentino Pérez), cantando”, revelou.

Ao chegar ao Real Madrid no ano passado, Rodrygo deu a sorte de encontrar um dos personagens centrais da última era dourada de títulos europeus do clube, o técnico Zinédine Zidane. Sorte porque o francês havia retornado ao clube meses antes. Quando o Santos acertou sua venda ao Real, o técnico havia pedido demissão. Encontrar uma figura tão marcante do futebol mundial pela primeira vez tocou o garoto.

“Foi um momento inesquecível. Fiquei muito nervoso, não sabia o que dizer a ele. Foi um grandíssimo jogador e é um grandíssimo treinador”, relembra.

A admiração parece ser mútua. Pelo relato de Rodrygo, o técnico parece entender o potencial que o ponta tem e que confiança é tudo de que precisa para seguir o processo de crescimento. “Ele conversa muito comigo. Diz para eu desfrutar do meu futebol com a bola, que eu ajude (os companheiros). Que eu suba para o ataque e volte para a defesa. Ele fala que tenho qualidade e que vou crescer muito.”

Inicialmente, Rodrygo passaria um certo tempo no Real Madrid Castilla para se adaptar à mudança brusca de ares, lentamente sendo introduzido ao time principal. Seu talento falou mais alto, e o brasileiro fez apenas dois jogos pela equipe B do time da capital espanhola antes de ganhar espaço com Zidane. Com as lesões de Bale, Lucas Vázquez e James Rodríguez, passou a ganhar chances – e pôde logo notar as diferenças entre o futebol espanhol e o brasileiro.

“Fisicamente, (o futebol espanhol) é muito mais duro, porque você ataca e defende durante o jogo inteiro. No Brasil, quando você joga em casa, os adversários quase não te causam perigo, você não precisa se preocupar em olhar para trás. Aqui, no entanto, você não para de ir e voltar o jogo todo. Estou feliz com meu trabalho em uma posição diferente da que eu tinha quando comecei minha carreira.”

Rodrygo concorda com quem diz que seu futebol ainda tem sido relativamente tímido, em comparação com o que consegue fazer. Para ele, parte normal do processo de se habituar ao novo clube.

“Por ser o começo, estou me adaptando a como a equipe joga, mas, aos poucos, irei me soltando, para poder demonstrar tudo (de que sou capaz). O tipo de futebol do Real Madrid, que o Zidane nos pede, de controle e domínio, combina muito bem comigo”, analisou.

Com seis gols em 14 jogos, incluindo um hat-trick na Champions League contra o Galatasaray, Rodrygo é adorado pelo torcedor madridista, mas tem em um conterrâneo o exemplo de que a cobrança sempre será muito alta no clube mais bem-sucedido do mundo.

Depois de também encantar em sua primeira temporada, Vinícius Júnior tem sido alvo de críticas nesta temporada por sua inconstância e pelas tomadas de decisões em campo. Na última partida, após entrar aos 26 do segundo tempo, não quis fazer a atividade física pós-jogo no campo do Getafe e foi mais uma vez alvo de críticas da torcida.

Bastante próximo do ex-jogador do Flamengo, Rodrygo lembra do que Vinícius fez no ano passado para demonstrar seu apoio ao companheiro. Reconheceu a importância do amigo ao ajuda-lo a se sentir melhor em seus primeiros meses de clube e colocou os pés de ambos no chão.

“Ele me ajudou muito em minha adaptação, me deu conselhos. Não é preciso que eu o defenda. Ele é muito bom, e as pessoas poderão ver isso. Na verdade, já viram no ano passado no Real. Fazer o que ele fez no Real Madrid, com apenas 18 anos de idade, não é qualquer coisa. Nós dois somos muitos jovens e temos muito o que aprender.