Rodrigo Pimpão pode sofrer questionamentos. Entretanto, isso não o impede de construir sua reputação. O empenho do atacante é notável, acreditando a cada lance, se esforçando a cada bola. O suficiente para conquistar seus admiradores na torcida alvinegra. E ele faz a diferença para o Botafogo nesta Copa Libertadores. Após decidir a classificação contra o Colo-Colo em Santiago, o camisa 17 outra vez foi o melhor em campo na competição continental. Foi o responsável pelas principais chances dos anfitriões e anotou um golaço para definir a vitória por 1 a 0 sobre o Olimpia, nesta quarta, no Estádio Nilton Santos. Resultado importante para os botafoguenses encararem a pressão da torcida em Assunção.

Assim como aconteceu há duas semanas, as arquibancadas pulsavam em branco e preto. A torcida do Botafogo promoveu uma calorosa recepção ao time, para empurrar seus jogadores contra mais um adversário de peso. Só que os problemas físicos logo começaram a minar o caminho do técnico Jair Ventura. Se Gatito Fernández sequer entrou em campo, com uma lesão na coxa, os alvinegros perderam Walter Montillo aos 14 minutos, também machucado. Perda que afetou a postura da equipe.

Depois de um bom início de jogo, explorando as pontas do campo, o Botafogo se apagou. Tomava um susto ou outro em bolas alçadas na defesa, que ainda assim estava muito bem protegida, especialmente pela ótima atuação de Aírton. Mas não criava muito no ataque. Até a estrela de Rodrigo Pimpão brilhar, aos 36 minutos. A partir de uma cobrança longa de lateral, a zaga do Olimpia sofreu um apagão. A bola passou por dois jogadores, até aparecer limpa para o atacante, pedindo para ser chutada. O camisa 17 logo emendou uma meia-bicicleta, longe do alcance do goleiro Azcona, para fazer o estádio explodir.

Diante do morno primeiro tempo, o gol valeu demais. E o Botafogo voltou a sofrer desfalques na volta do intervalo, com a contusão de Bruno Silva, o que obrigou Jair Ventura a mudar o desenho tático da equipe, apostando em Guilherme, um jogador mais veloz. Camilo, que só havia aparecido nos primeiros minutos, voltou a chamar a responsabilidade. Mas o grande diferencial era mesmo Rodrigo Pimpão. Corria, se esforçava, criava oportunidades. Aos 14, deu ótimo passe para Roger, que não aproveitou.

O Olimpia tentou mudar o panorama do jogo com a entrada de Roque Santa Cruz. E, com mais presença de área, diante de um adversário mais cansado por toda a entrega na marcação, os paraguaios começaram a encontrar mais espaços. Helton Leite foi exigido a primeira vez aos 18, em lance perigoso de Benítez. Os visitantes se postavam mais no campo de ataque, embora também se expusessem à velocidade dos cariocas.

Na meia hora final, o Botafogo optou por se resguardar, tentando aproveitar os contra-ataques. Camilo e Pimpão eram os dois principais responsáveis pela criação da equipe. Contudo, alvo das jogadas, Roger não conseguiu aproveitar, embora levasse perigo com constância. O Olimpia só voltou a ser incisivo nos minutos finais, quando os adversários já estavam claramente esgotados fisicamente. Por fim, Jonas acabou salvando a melhor oportunidade de empate.

Outra vez, a principal virtude do Botafogo foi sua garra. O time atuou com uma intensidade imensa, especialmente sem a bola. Como tinha acontecido no primeiro duelo com o Colo-Colo, as pernas pesaram ao final – sem que, agora, os cariocas tomassem um gol em contrapartida. Mas pesou mais a estrela de Rodrigo Pimpão, determinante para o resultado positivo, assim como a solidez defensiva oferecida por nomes como Aírton e Marcelo, outros destaques nesta Libertadores. A viagem ao Paraguai promete ser dura, contra um adversário tarimbado, especialmente se os desfalques alvinegros não se recuperarem a tempo. De qualquer maneira, a vantagem construída no Rio de Janeiro é ótima para encarar o próximo duelo com mais tranquilidade.