Reforço mais caro da última janela do atual bicampeão inglês, Rodri chegou ao Manchester City nesta temporada para que Pep enfim tivesse o seu substituto a Fernandinho – tanto a curto quanto a longo prazos. Titular neste início de campanha, o espanhol já justifica o alto investimento de £ 62,8 milhões, mas por trás disso está muito mais do que talento. O jogador tem se esforçado bastante para se adaptar ao esquema de Guardiola, bem diferente do que encontrou no Atlético de Madrid.

Em entrevista ao El País, Rodri, de apenas 23 anos, diz que, a essa altura, já ter trabalhado com treinadores tão diferentes entre si quanto Diego Simeone e Guardiola o completou como jogador. “Entendo o futebol nesses dois lados, tanto no bonito, que todo mundo gosta, de ter a bola e trocar passes, quanto no menos bonito, de duelos e agressividade”, analisa. Ele acrescenta, no entanto, que derrotar os adversários envolve a mesma dificuldade, independentemente de estilo.

Rodri olha para sua curta carreira até agora e sente que sempre esteve onde deveria estar, sempre no lugar certo para dar sequência a seu desenvolvimento. Em sua vida nova na Inglaterra, enfrenta um desafio para se adaptar ao Manchester City – um que tem desempenhado com qualidade. “Agora tenho um papel totalmente diferente no City. Nunca desempenhei um papel tão importante em uma posição tão importante como a de meio-campista nesta equipe. É um desafio pessoal e profissional.”

No Manchester City, o jogador tem atuado relativamente bastante recuado, um desafio que já seria duro em qualquer que fosse a liga, mas que se exacerba na Premier League.

“Sou o jogador que menos pode perder a posição e tenho que ocupar um raio de ação bastante grande. Trata-se de saber como se posicionar, escolher os momentos certos, porque, se você escolher os errados, você será batido, e aí os adversários ficam cara a cara com os zagueiros. É um aprendizado que me custou um pouco nas primeiras semanas e que é normal, vindo de outra liga e de outra equipe”, avaliou.

Evidentemente, Rodri não fica limitado a seu próprio campo. Cada adversário traz uma situação diferente. O jogador relembra a derrota recente para o Wolverhampton, por 2 a 0, em que os visitantes apostaram nos contra-ataques para matar o jogo. “Para ganhar partidas da forma como os nossos adversários nos enfrentam, muitas vezes temos de ocupar posições muito altas (no campo). Todos perdemos a bola, e as equipes fazem boas transições. Vimos isso esses dias, com o Wolverhampton, que nos venceu”, ponderou, acrescentando que é nesse quesito, de parar as transições adversárias, que ele precisa – e pode – dar “o salto de qualidade de que a equipe precisa”.

Em certas situações de jogo, quando o City, bastante ofensivo, perde a posse de bola, o trabalho defensivo pode ser bastante difícil. Questionado sobre como é estar às vezes ao lado de apenas um zagueiro ou um lateral na transição defensiva, Rodri diz que joga agora uma parte do futebol que para ele não era tão comum: “Tem que saber parar o jogo, fazer as faltas táticas, saber quando tenho que apertar a marcação ou ficar na minha posição”.

Já com a posse, seu trabalho é conduzir ele mesmo a bola pra frente, algo que diz que não havia internalizado anteriormente: “Antes era mais receber, tocar, receber, tocar, com base no fato de que, quanto menos você tem a bola, maior a velocidade. Mas o Pep pede para você conduzi-la para atrair rivais e, em seguida, quebrar a marcação com o passe. Antes, eu não via isso como necessário para um volante.”

Especialmente na Inglaterra, outra característica muito necessária a um volante é a resistência às pancadas, para manter a posse da bola. “Você tem que se adaptar, não dá para só confiar em si mesmo, ainda mais na minha posição. Na Espanha, dá para jogar mais com faltas, mas aqui não. Porque no dia em que você não conseguir a falta, o adversário rouba a bola e fica cara a cara com o goleiro”, adverte, dizendo ainda que foi justamente nisso que mais melhorou nesses primeiros meses de liga inglesa.

Para tanto, talvez tenha sido excelente ter tido seu batismo logo na rodada de estreia, contra ninguém menos que Michail Antonio, do West Ham. “Levei uma bela cotovelada do Antonio, que não é exatamente fraco. Talvez ele seja o jogador mais forte da Premier League”, recordou com bom humor.

O tempo trabalhando com Guardiola por enquanto foi pequeno, mas Rodri revela que já foi suficiente para incutir nele a vontade de aprender, “o desejo de entender o jogo que ele estava propondo e de me envolver plenamente na dinâmica de uma equipe que vem ganhando”.

O curioso é que Rodri revela que, ao chegar ao City, Guardiola lhe disse que esquecesse o que vira de seu trabalho no Barcelona, porque encontraria algo bem diferente. “No futebol, é preciso se reinventar, e ele sabe fazer isso. Como o futebol evoluiu, acho que não se pode jogar como há sete anos, porque as equipes se defendem melhor e são mais ordenadas. Pep deu esse passo, o importante é que ele lhe dá a fórmula para ganhar e ele está conseguindo isso nesses anos.”