O Manchester City apresentou o seu primeiro reforço de peso para buscar o tricampeonato da Premier League. A princípio, um negócio que se promete cirúrgico. Os celestes não economizaram para trazer Rodri, do Atlético de Madrid. Pagaram €70 milhões, um valor compreensível no mercado atual, mas caro até mesmo para os padrões do clube, abaixo apenas de Kevin de Bruyne entre as transações mais caras de sua história. Mais do que um nome para o presente, o espanhol chega para ser um dos donos do meio-campo rumo aos próximos anos. Tem bola para isso e também idade para se desenvolver, aos 23 anos.

A carreira de Rodri é um tanto quanto meteórica. O volante ganhou espaço no Villarreal a partir da temporada 2016/17, antes de se afirmar como um dos melhores de sua posição na edição seguinte de La Liga. Assim, foi contratado pelo Atlético de Madrid em 2018 sob grandes expectativas. Os colchoneros desembolsaram €25 milhões pelo jovem, cotado como herdeiro de Gabi. De fato, o novato brilhou em seu único ano com o Atleti. Mesmo que o desempenho do time não tenha sido tão reluzente assim, Rodri deu equilíbrio ao meio-campo e fez algumas ótimas atuações, sobretudo durante o primeiro semestre. Não à toa, apareceu em algumas seleções do campeonato. Parecia uma peça importante à renovação que se desenha com Diego Simeone. Mas, antes de virar ídolo dos rojiblancos, preferiu aceitar a proposta do City.

“Converso com alguns dos rapazes e eles me dizem que a cidade de Manchester pode estar se tornando cada vez mais azul. Acho que o City mudou a história do futebol inglês nos últimos anos, não apenas em Manchester, mas não estou aqui pela rivalidade, estou pelo desafio”, declarou o volante, que tinha propostas do Bayern sobre a mesa. “É um dos maiores clubes no momento. Diria que o City está entre os dois ou três melhores do mundo. Então, a partir do instante que eles estavam interessados, não houve dúvidas. É um grande passo para mim, não só pelo time, mas também por Pep Guardiola e Txiki Begiristain. Ainda sou muito jovem e sei que tenho muito a aprender, mas jogadores que atuaram com Pep me disseram que seria o melhor lugar para seguir minha carreira. Sergio Busquets, alguém que sempre admirei, me disse que Pep não só melhoraria meu jogo, como eu também não pararia de tentar melhorá-lo”.

Na Premier League, Rodri encontra um ambiente com menos garantias. Não deve ser titular absoluto com Pep Guardiola, disputando posição com Fernandinho na cabeça de área. Também precisará encarar o desafio de se adaptar a um campeonato mais dinâmico, que exige mais força física a quem atua na cabeça de área. Além do mais, encontrará um estilo de jogo totalmente diferente em seu próprio time. Se no Atleti ele precisava encabeçar uma equipe com essência defensiva, menos exposto, no City ele terá que impulsionar um time ávido pelo ataque e que muitas vezes precisa de mais velocidade nas respostas quando está sem a bola.

Rodri possui qualidade para dar este salto, talvez com características que funcionem melhor em Manchester do que em Madri. Sua qualidade na construção de jogo e nos passes tende a ser mais bem aproveitada. O volante sabe cadenciar quando preciso, mas também acelera com bons lançamentos longos. Além disso, é um jogador que pode chegar mais à frente, levando perigo nas bolas aéreas. Estas virtudes do espanhol tendem a ser aprimoradas em uma equipe como a de Guardiola. Em compensação, ele também aprimora as possibilidades defensivas do elenco.

Rodri possui uma ótima imposição física. Pode não ser o jogador mais veloz, mas exibe força e também uma altura considerável, com 1,91 m. Como manda a cartilha de Simeone, é um volante que gosta de buscar a dividida e fazer os desarmes. Possui muita consistência neste tipo de ação. Não à toa, terminou o último Campeonato Espanhol como vice-líder de desarmes, igualado a Casemiro. Indica como pode ser um ponto de equilíbrio na cabeça de área e, considerando até mesmo as invencionices de Guardiola, também uma alternativa em outros setores.

O mais importante ao Manchester City é que o clube ganha opções para aguentar a maratona da temporada. Rodri é mais um daqueles jogadores que pode não ter a titularidade garantida no Estádio Etihad, mas será fundamental à rotação. E amplia a profundidade em um setor que sofreu com a ausência de Fernandinho durante os últimos meses, sem encontrar um substituto à altura. O espanhol pode até ser o sucessor do brasileiro, embora também ofereça chances de variações e até mesmo de um desgaste menor, pensando nas campanhas exigentes. Dará para manter o alto nível na Champions e na Premier League.

Pupilo de Guardiola nos tempos de Barcelona, Busquets parece ser mesmo um parâmetro a Rodri. O jovem comparou-se ao compatriota, garantindo que não tem pressa em se afirmar: “Não espero entrar diretamente no time. Eu sei que será difícil me estabelecer aqui, porque há grandes jogadores em todos os setores. Eu não diria que sou igual a Busquets, tenho outras habilidades e aptidões, mas jogamos na mesma posição e tentamos fazer algo similar para o time”.

Se há alguma razão para desconfiar um pouco mais do sucesso de Rodri, esta se concentra na maneira como algumas boas apostas defensivas do Manchester City nos últimos anos ficaram aquém do esperado. Jovens que chegaram badalados ainda não são exatamente uma unanimidade – citando como exemplo Aymeric Laporte, outro que veio do futebol espanhol. O novo volante dos Citizens tem bola e maturidade para superar esses entraves, até por ficar menos exposto às pressões neste primeiro momento. Que chegue com uma etiqueta cara, não deve ser um jogador visado por seu preço. E isso pode ajudar. Pelo potencial, é um cara para compensar seu valor por muito tempo. Quem sabe, também para fazer o mesmo na seleção espanhola, na qual ganhou bastante espaço durante os meses, sob as ordens de Luis Enrique. É o melhor candidato a suplantar Busquets.