Tinha tudo para ser apenas uma formalidade. Um posfácio da temporada frustrante, uma partida sem muito em jogo. Uma despedida relativamente tranquila para Steven Gerrard, que na semana passada já deu seu adeus à torcida no Anfield. Em vez disso, havia, sim, mais tempo para decepções, e Brendan Rodgers conseguiu piorar sua situação já quase insustentável. Os 6 a 1 do Stoke City sobre o Liverpool, construído quase todo ainda no primeiro tempo, era talvez o único resultado possível que faria o descontentamento com o trabalho do técnico aumentar. E foi exatamente isso que aconteceu.

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O único motivo para sorrisos do Liverpool foi o gol de Steven Gerrard. Um pequeno parêntese alegre na despedida amarga do ídolo dos Reds. Marcado apenas no segundo tempo, quando o Stoke já passeava com um 5 a 0 no placar, não teve o mesmo gosto que poderia ter tido em circunstâncias diferentes. O fato de que mesmo isso e as decepções recentes não aplacaram sua imagem grandiosa apenas provam o tamanho do craque para o clube e o futebol em si, percepção que certamente aumentará a cada temporada em que não virmos Stevie G com a camisa 8 dos Reds.

Gol de Gerrard em sua despedida:

Se Rodgers fosse Felipão, certamente o termo mais utilizado na entrevista pós-jogo seria “pane”. Os cinco primeiros gols do Stoke aconteceram em um intervalo de apenas 23 minutos, com o primeiro sendo marcado aos 22, e o último, aos 45 da etapa inicial. “Pane” seria um jeito de tornar inexplicável aquilo que na verdade esteve um tanto quanto evidente. Uma combinação de desatenção e pecho frío por parte do time do Liverpool, atuações para se esquecer de Mignolet e Can e a sensação de que o técnico já não tem mais os atletas em suas mãos.

O golaço do passeio, com N’Zonzi fazendo 5 a 0 no primeiro tempo:

O escrutínio sobre Rodgers já começou cedo na temporada, por causa da política de contratações. Foram € 150 milhões gastos em inúmeras transferências, que deram ao elenco a profundidade que faltara na temporada anterior, do quase título na Premier League. No entanto, ninguém que pudesse parcialmente substituir Suárez chegou; Sturridge, outro destaque de 2013/14, não conseguiu sequência de partidas de maneira que pudesse contribuir com o time; e os atletas que chegaram, muitos deles jovens, precisam de mais tempo do que uma temporada para poderem se adaptar e gerar o resultado deles esperado – se algum dia ele chegar.

A queda ainda na fase de grupos da Champions League, as partidas decepcionantes e um mero sexto lugar, com classificação à Liga Europa. Este saldo, combinado com o fracasso de Rodgers em trazer resultados a um projeto imensamente caro, já era suficiente para seu cargo ficar em risco. A temporada do Liverpool poderia ter terminado na semana passada mesmo, com as belas imagens de Gerrard no Anfield pela última vez em meio ao anticlímax da campanha realizada. Mas houve tempo para a humilhação diante do Stoke. Um time conhecido por ser um antônimo do futebol bem jogado. Dos pouquíssimos jeitos que os Reds poderiam ter encontrado para piorar ainda mais sua imagem em 2014/15, este deve ser dos mais trágicos. Se sobrava um pouco de resistência na diretoria do clube para ponderar de verdade a continuidade ou não de Rodgers no clube, o assunto agora certamente é pauta vital. Pelo menos a temporada terminou, e o técnico não poderá deteriorar ainda mais a percepção sobre seu trabalho.