Aos 39 anos, Roberto Martínez já conseguiu na sua carreira como treinador muito mais do que a sua modesta carreira como jogador. Suas passagens marcantes foram pelo Wigan, entre 1995 e 2001, e Swansea, entre 2003 e 2006. Depois de ser técnico do próprio Swansea entre 2007 e 2009, foi para o Wigan onde está desde 2009. Nesta terça-feira, o técnico anunciou que irá deixar o clube, decisão que foi aceita pela diretoria dos Latics.

O que Martínez conseguiu foi criar uma lenda no Wigan: o de time “incaível”. Não é pouca coisa. O Wigan sempre foi um clube modesto, longe até dos clubes médias da Europa. Sua história não tem muitos títulos na sua história. Mas que ganhou algumas glórias sob o comando do técnico. Porque um time como o Wigan vive de pequenas glórias. Um golaço, uma vitória épica contra um time “grande”, um rebaixamento driblado na última rodada. Para quem gosta de futebol e é fã do time, qualquer motivo basta para comemorar. Mesmo que pareça pequeno aos olhos dos torcedores de times maiores.

Desde a temporada 2005/06 na Premier League, os Latics conseguiram se manter por ali oito temporadas consecutivas, quase sempre flertando fortemente com o rebaixamento. Só a primeira temporada foi realmente tranquila, conseguindo um 10º lugar. Em 2006/07, ficou em 17º, última posição antes do rebaixamento. Em 2007/08, ficou em 14º e alcançou um 11º em 2008/09. Foi então que veio a fama de incaível.

Em 2009/10, o time flertou o rebaixamento, mandou cartas de amor, mas nunca concretizou a relação. Na 35ª rodada, já em 15º lugar e vindo de uma recuperação na tabela, o time conseguiu uma improvável vitória contra o Arsenal por 3 a 2 no estádio DW. O time acabou escapando do rebaixamento e viu Hull, Burnsley e Portsmouth caírem para a segundona.

No ano seguinte, o roteiro foi mais dramático. Na 32ª rodada, o time era lanterna da liga, com 31 pontos, em uma disputa enrolada. Tanto que, na rodada seguinte, o time venceu o Blackpool por 3 a 1 fora de casa e saiu da zona do rebaixamento. Voltaria na rodada seguinte, ao tomar 4 a 2 do Sunderland e seguiria ali com um empate com o Everton. Na 36ª rodada, antepenúltima, o time estava em 19º, com 36 pontos, mesma pontuação do Blackpool, que estava uma posição acima, e um ponto atrás do Wolverhampton, já fora da zona do rebaixamento. Na 37ª rodada, o time venceu o West Ham, rebaixando de vez os Hammers, mas viu o Blackpool também venceu. Ficaria tudo para a rodada final. Na rodada derradeira, o Wigan venceu o Stoke fora de casa e viu Birmingham e Blackpool perderam. O time escapou, na bacia das almas.

Em 2011/12, o time era 19ª colocado na 32ª rodada. Só saiu da zona do rebaixamento na 34ª rodada, quando venceu o Arsenal por 2 a 1 no Emirates e arrancou para terminar a campanha em 15º. Nos últimos dez jogos, foram impressionantes sete vitórias, um empate e duas derrotas. Escapou do rebaixamento quando só um milagre faria o trabalho. E foi o que aconteceu.

A temporada 2012/13 tinha tudo para ser igual, mas não foi. Não só porque o time desta vez não conseguiu a campanha épica que o tiraria do rebaixamento, mas também porque os Latics conquistaram a maior glória da sua história: a conquista da FA Cup vencendo o Manchester City na final. O time esperava repetir o feito de escapar do rebaixamento com uma vitória sobre o Arsenal no Emirates, logo depois de conquistar o título da Copa. Não foi possível. O time foi justamente rebaixado naquele jogo.

Mesmo com o rebaixamento, Roberto Martínez deixa o cargo com muito crédito. E é importante dizer: só sai porque quer. O treinador é o favorito para assumir o posto de treinador do Everton, que viu David Moyes deixar o cargo depois de 10 anos para assumir o Manchester United. Martínez parece ter total capacidade para ser bem-sucedido no Everton e a diretoria dos Toffees também parece ciente disso, tanto que ele é o favorito. Ele já construiu a sua história no Wigan e será lembrado sempre por isso.