Causa espanto a notícia de que Roberto Carlos vai ser treinador e também jogador do Delhi Dynamos, da Índia, na segunda edição do torneio de exibição do país, a Indian Super League. A partir de 3 de outubro até 6 de dezembro de 2015, caso o time da capital indiana alcance a final, o ex-lateral esquerdo da seleção brasileira vai perder tempo na carreira aprimorando a parte física para entrar em campo com o mínimo de condições físicas.

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Para piorar, Roberto Carlos comandará provavelmente um time sem muitas estrelas, já que por enquanto apenas o volante holandês Hans Mulder, ex-Nordsjaelland (Dinamarca), e o jovem meia-atacante brasileiro Gustavo Marmentini, 21 anos, emprestado pelo Atlético Paranaense, são os estrangeiros do Delhi Dynamos.

Outros virão até o pontapé inicial (o máximo permitido é de dez atletas estrangeiros), mas, levando-se em conta os atletas de fora que defenderam a equipe na Indian Super League 2014 (quinto lugar dentre oito times, a um ponto de jogar as semifinais), não vai aparecer nenhum com a envergadura internacional de Roberto Carlos – ano passado, Del Piero foi o marquee player, jogador mais importante do time.

A Indian Super League não é o torneio mais indicado para Roberto Carlos dar sequência ao bom início de carreira como treinador, até porque o objetivo da competição é apenas entreter o público indiano e, por isso, muitos atletas aposentados ou em fim de carreira aceitam jogar o torneio.

Detalhe que o brasileiro tinha acertado por três anos, no último dia 2 de junho, com o Al Arabi (Catar), que também não é lá grandes coisas (o time ficou em oitavo lugar na temporada 2014/15, no meio da tabela), mas sempre há a possibilidade de se jogar a Liga dos Campeões da Ásia, aí sim uma possibilidade de algum aprendizado.

Roberto Carlos precisa entender que neste momento o dinheiro não pode se sobrepor à qualidade dos trabalhos. Primeiro em razão de o brasileiro já o ter em demasia e segundo porque Roberto Carlos deve querer percorrer o grande sonho de todo técnico: comandar a seleção brasileira.

Claro que ainda é muito cedo para ele assumir tal posto, pois o ex-lateral esquerdo só tem 42 anos e muito a aprender na nova função, mas Roberto Carlos precisa pensar a longo prazo. Pelo menos se pode afirmar que Roberto Carlos atualmente tem mais experiência que Dunga, não é mesmo?

O bom início de carreira de Roberto Carlos

Roberto Carlos começou bem a carreira de treinador, tendo sua primeira chance no Sivasspor, depois de ser auxiliar de Guus Hiddink no Anzhi Makhachkala (Rússia). Desde o início da temporada 2013/14 no time, o Sivasspor terminou no quinto lugar do Campeonato Turco e só não jogou a Liga Europa 2014/15 por ter sido suspenso pela UEFA. Roberto Carlos saiu do time por opção própria na metade da temporada 2014/15, em dezembro de 2014, quando o Sivasspor estava na zona de rebaixamento.

Duas semanas depois, ele foi anunciado pelo Akhisar Belediyespor, time que até 2008 disputou a quarta divisão da Turquia e só alcançou a elite nacional após o título da segunda divisão de 2011/12. Detalhe que o Akhisar Belediyespor tinha sete pontos a mais que o Sivasspor na tabela, mantendo-se melhor que o antigo clube de Roberto Carlos ao fim da temporada 2014/15, no 12º lugar, com 38 pontos, enquanto o Sivasspor foi o 15º colocado (o primeiro fora da zona de rebaixamento), com 36 pontos.

Curtas

– Para se ter uma ideia do caráter torneio de exibição da Indian Super League, é só observar os jogadores mais importantes de cada time. Elano (Chennaiying), que foi artilheiro da edição 2014, o zagueiro pentacampeão Lúcio (FC Goa), do time de Zico, Nicolas Anelka (Mumbai City), que também será o treinador, além do português Simão Sabrosa (NorthEast United), de 35 anos. Atlético de Kolkata, Kerala Blasters e Pune City ainda não definiram suas estrelas.

– Entre os técnicos, também se pode traçar perfis semelhantes. No grupo dos jovens treinadores estão Roberto Carlos, Anelka e Marco Materazzi (Chennaiyin), todos grandes jogadores no passado. O inglês David Platt (Pune City) foi um grande jogador nos anos 1980 e 1990, mas ainda não embarcou na carreira de técnico, assim como o brasileiro Zico (FC Goa). Peter Taylor (Kerala Blasters) e Antonio López Habas (Atlético de Kolkata) são desconhecidos em busca de alguma projeção na carreira – Habas foi campeão da Indian Super League 2014 com a equipe. A única exceção é o venezuelano César Farías (NorthEast United), que trabalhou seis anos na seleção principal de seu país e classificou a equipe sub-20 para a Copa do Mundo pela primeira vez.