Jupp Heynckes precisou de poucos jogos para causar impacto no Bayern de Munique. E não dá para negar a influência do treinador na boa sequência recente, somada à ascensão de alguns jogadores. Os bávaros resgataram muitos dos preceitos apresentados em 2012/13, temporada da Tríplice Coroa, unindo um futebol eficiente e simples. É um time que não precisa se impor tanto na posse de bola, atacando com velocidade, e que se defende com enorme solidez. Um dos símbolos desta filosofia é Arjen Robben, que representou tanto na passagem anterior do treinador . Que foi o pesadelo do Borussia Dortmund na final da Liga dos Campeões de 2013. Já neste sábado, o camisa 10 voltou a atormentar os aurinegros. Em ótima partida no Signal Iduna Park, o Bayern ratificou a liderança da Bundesliga ao derrotar os anfitriões. Vitória por 3 a 1, à moda de Heynckes e Robben.

O Bayern entrou em campo com o time praticamente completo. Manteve o 4-2-3-1 professado pelo comandante, com Javi Martínez e Thiago Alcântara sendo vitais ao sistema na cabeça de área. E as boas notícias ficaram pela presença de Robert Lewandowski, poupado no meio de semana, e Joshua Kimmich, que não tinha viajado com o restante do elenco por uma indigestão, mas chegou a tempo já para o 11 inicial. Do outro lado, Peter Bosz seguiu agarrado no 4-3-3, com Pierre-Emerick Aubameyang, Christian Pulisic e Andriy Yarmolenko compondo o trio de frente. No meio, Gonzalo Castro foi o escolhido ao lado de Julian Weigl e Shinji Kagawa. Já Marc Bartra entrou para proteger a lateral direita.

Foi um bom começo de jogo para o Borussia Dortmund – o que, nesta temporada, não significa muita coisa. A partida era bastante pegada, com os dois times chegando firme nas divididas. Entretanto, os aurinegros apresentavam um pouco mais de lucidez na criação. Isso até o Bayern acertar seu primeiro chute, aos 16, já nas redes. Jogadaça coletiva dos bávaros, em que trabalharam a bola procurando uma brecha. Thiago Alcântara deu bela inversão, James Rodríguez ajeitou e Arjen Robben acertou a canhotinha irresistível, sem chances de defesa para Roman Bürki. Belíssimo tento, pela construção e pela definição.

O Dortmund tentou responder logo na sequência, apostando principalmente na velocidade de seu ataque. Não conseguia concluir da melhor maneira, vacilando especialmente no passe final. Além disso, havia méritos do Bayern pela maneira como conseguia travar as jogadas. Já nos 15 minutos finais, a partida aumentou de ritmo, lá e cá. Yarmolenko desperdiçou um lance claro, parando em Sven Ulreich, e Kagawa acertou o pé da trave em chute colocado. Já do outro lado, as respostas vinham principalmente Lewandowski, dando trabalho a Bürki. E o segundo tento nasceria graças à inteligência do polonês. Robben fez a jogada pela direita e abriu com Kimmich na passagem. O lateral cruzou e o centroavante desviou de letra, em bola que desviou na marcação antes de entrar. Antes do intervalo, Yarmolenko perdeu de novo a possibilidade de descontar.

Bürki operou uma defesaça logo nos primeiros instantes do segundo tempo, mas o Dortmund era mais ofensivo, tentando dar uma resposta ao Bayern. Quando os bávaros conseguiam atacar, contudo, levavam perigo nos contragolpes. Lewandowski também errou cara a cara com Bürki, até que o terceiro gol saísse aos 21. Cruzamento de Alaba que ninguém desviou, apesar da tentativa de Lewa, e o goleiro aurinegro não conseguir espalmar. Somente depois disso é que Peter Bosz resolveu gastar suas alterações. Só os anfitriões atacaram nos 25 minutos finais, mas o Bayern conseguia se defender com competência. O Dortmund diminuiu apenas aos 42, em lindo lance de Pulisic na linha de fundo, que deu a chance para Bartra chutar colocado. Pouco depois, o segundo quase veio por centímetros. Mas já era tarde para qualquer reação.

O Borussia Dortmund permanece com a cabeça inchada. O time perdeu a voracidade das primeiras rodadas e não consegue converter as oportunidades em seus principais desafios. Além disso, as oscilações preocupam bastante, assim como os constantes vacilos defensivos. Neste sábado, nem mesmo os principais jogadores do time estiveram bem, como Julian Weigl e Yarmolenko – que, mesmo chamando a responsabilidade, errou mais do que deveria. Enquanto isso, a má fase de Aubameyang perdura.

Do outro lado, o Bayern de Munique vive a sensação oposta. Não é só o coletivo que funciona muito bem. As atuações individuais foram boas em sua maioria, com Robben, Kimmich, Alaba e Hummels se sobressaindo um pouco mais. O jogo pelos lados do campo ganha muito com o retorno de Jupp Heynckes. Justamente onde se encontram algumas das principais peças da equipe. Ao final da rodada, os bávaros somam 26 pontos, seis a mais que o Dortmund. Os aurinegros caíram à terceira colocação, ultrapassados pelo RB Leipzig, com 22. Já são quatro rodadas sem vitórias, e com os rivais começando a dar pinta que o final do filme pode se repetir pelo sexto ano consecutivo.