Foi na última rodada, mas o Bayern de Munique garantiu o seu 29ª título da Bundesliga. E foi em grande estilo. Na despedida de dois dos seus maiores craques da história recente do estádio que foi a sua casa, fizeram uma festa digna. Os bávaros receberam o Eintracht Frankfurt na Allianz Arena e venceram por 5 a 1, sacramentando assim a conquista da taça, mesmo com a vitória do Borussia Dortmund, ainda concorrente, não outro jogo da rodada, contra o Borussia Mönchengladbach. Foi o sétimo título consecutivo do Bayern, em um jogo repleto de emoções, especialmente por causa de Robben e Ribéry, em seus últimos jogos no estádio. O brasileiro Rafinha, outro com uma trajetória linda no clube, se despediu do estádio que foi a sua casa por oito anos.

Faixas de torcedores do Bayern agradecem Rafinha, Ribéry e Robben em seus idiomas pelos serviços prestados (Foto: Getty Images)

Antes do jogo, Rafinha, Ribéry e Robben foram homenageados pelo Bayern, diante da torcida. Era o último jogo de cada um deles no estádio, já que a final da Copa da Alemanha é disputada no estádio de Berlim. Eles foram bastante celebrados pelos torcedores, inclusive com uma faixa de agradecimento das arquibancadas.

Logo no início do jogo, antes dos quatro minutos, o Bayern chegou a 1 a 0. Troca de passes na intermediária ofensiva, com Lewandowski fazendo o trabalho de pivô para Thomas Múller, que colocou Kingsley Coman na cara do gol. O francês finalizou com tranquilidade e precisão para abrir o placar.

Logo em seguida, o Bayern teve a chance de marcar o segundo. Em jogada pela esquerda, Müller tocou para Lewandowski, que, do lado esquerdo, rolou para o lado direito, onde chegava Gnabry. O atacante chutou de primeira, mas o goleiro Kevin Trapp defendeu e impediu que os bávaros ampliassem o placar. A pressão era grande e, logo em seguida, o goleiro do Eintracht Frankfurt foi novamente acionado para trabalhar: chute de Alaba, de fora da área, que o obrigou a uma boa defesa para escanteio.

Os primeiros 10 minutos de jogo foram inteiramente do Bayern, que fez o jogo que quis na Allianz Arena. Lewandowski também teve a chance de marcar, em uma jogada individual pelo meio que passou pela defesa adversária e, na cara de Trapp, tentou o chute de bico. O goleiro fez a defesa e impediu, mais uma vez, que os mandantes marcassem.

Aos 25 minutos, não teve jeito. Novamente um bom ataque do Bayern, com Ganbry recebendo na direita, puxando para o meio e finalizando de pé esquerdo, no canto, e sem chance de defesa: 2 a 0 para as mandantes. Só que o VAR revisou o lance: no lançamento inicial da jogada, Lewandowski estava impedido. O gol, assim, foi anulado.

A pressão continuou. Aos 31 minutos, Coman cruzou e quase a defesa fez contra, em uma tentativa de carrinho para se antecipar aos atacantes do Bayern. Logo depois, mais uma boa jogada pelo meio e Lewandowski tocou para Müller, dentro da área, finalizar novamente, outra defesa de Trapp. A pressão era imensa sobre o time visitante.

No outro jogo, o Borussia Dortmund, que precisava vencer, marcou 1 a 0 no placar com Jadon Sancho, em um lance de Marco Reus que gerou discussão – e revisão no VAR. A bola poderia ter saído pela linha de fundo, mas na interpretação do árbitro após olhar as imagens, não saiu por inteiro. Mas a vitória do Bayern, por si só, era pouco para os aurinegros.

No início do segundo tempo, o velho ditado de “quem não faz toma” apareceu. Cobrança de escanteio para a área, David Abraham tocou para o meio e Sébastien Haller, que tinha acabado de entrar no intervalo, tocou para marcar o gol de empate: 1 a 1. Tensão na Allianz Arena. O título ainda seria garantido com o empate, mas quem é que gosta de viver esse risco?

Só que o Bayern, logo em seguida, voltou à carga e pressionou. Chute de Müller de fora da área, o goleiro Trapp defendeu mais uma, mas no rebote, Alaba estava ali para marcar e colocar os bávaros novamente em vantagem: 2 a 1. Um pouco mais de tranquilidade para a torcida.

No outro jogo importante para o título, o Borussia Dortmund fazia 2 a 0 com Marco Reus e dava mais um passo importante para a vitória diante do Borussia Mönchengladbach. O problema era torcer para que o Bayern de Munique tomasse a virada na Allianz Arena. Nnada indicava que isso fosse acontecer.

Em Munique, o Bayern caminhou com mais força para o título. Renato Sánches recebeu dentro da área, fez o corte na marcação e chutou forte, vencendo o goleiro Trapp, que engoliu: 3 a 1 para os bávaros, que já pareciam ter a vitória no bolso a essa altura. Eram 13 minutos do segundo tempo.

O técnico Niko Kovac, então, entrou na festa: colocou em campo Franck Ribéry no lugar de Kingsley Coman. O francês se despedia do Bayern na Bundesliga. E entrou em campo com sede, dando passe para Gnabry, que quase marcou mais um gol na Allianz Arena, sendo travado no último momento.

Outro que se despediria do clube, Arjen Robben, foi chamado por Kovac logo em seguida. A torcida, claro, fez festa, como já tinha feito com Ribéry. Serge Gnabry deixou o campo para a entrada do holandês, uma figura histórica dentro do clube. E a festa foi ficando ainda melhor para a torcida.

Uma jogada espetacular do Bayern garantiu mais um motivo para festa no estádio. Ribéry, pela esquerda, fez uma jogada monumental. Sozinho, passou pela marcação de dois jogadores, chegou na cara do gol e tocou com uma categoria bastante característica, por cima do goleiro, ampliando o placar para 4 a 1. Um gol típico do francês, que deixa a Allianz Arena depois de 12 anos de serviços prestados. Aos 36 anos, o francês certamente escreveu uma história linda em um dos maiores clubes do mundo.

Ribéry comemora seu gol com Robben ao fundo (Foto: Getty Images)

Faltava o gol de Robben para que a festa fosse completa. E o gol veio. Uma jogada pela esquerda de Alaba com Lewandowski, que devolveu em uma cavadinha para o lateral. Ele cruzou na linha de fundo para Robben, embaixo do gol, marcar o seu e sair para comemorar loucamente, como poucas vezes se vê. O gol que colocou uma cereja no bolo da festa: 5 a 1. O seu gol 99 pelo Bayern de Munique. Ele terá a chance do 100º na final da Copa da Alemanha, na próxima semana.

O Bayern termina a temporada da Bundesliga com 78 pontos contra 76 do Borussia Dortmund. Lewandowski termina a temporada com 22 gols marcados e é o artilheiro da competição, à frente de Paco Alcácer, do Dortmund, que terminou com 18 gols. Na entrega da taça, o capitão do time, o goleiro Manuel Neuer, que ficou afastado dos últimos jogos depois de voltar de lesão e sequer entrou em campo neste sábado, entregou o troféu da Bundesliga para que Rafinha, Robben e Ribéry o levantassem. Uma última homenagem aos jogadores.

A conquista do título é certamente um alívio para o técnico Niko Kovac, muito questionado ao longo da temporada. O Bayern passou longe de ser a equipe confiável que foi em anos anteriores. Em casa, viu o Dortmund, também inconsistente, brigar pelo título até o fim. Na Champions League, ficou devendo no duelo contra o Liverpool já nas oitavas de final. Ainda tem o título da Copa da Alemanha para disputar, na próxima semana, diante do RB Leizpzig, que coroaria de vez para este elenco a temporada.

Robben comemora seu gol pelo Bayern (foto: Getty Images)

O Bayern viverá uma necessidade grande de renovação. A dupla Robben e Ribéry marcou época pelo clube. Ribéry chegou em 2007, Robben em 2009. Os dois foram parte de um time que estabeleceu uma imensa dominância no futebol alemão. Deixam uma história fantástica escrita. Agora, o Bayern precisará olhar para o presente e para o futuro. Coman e Gnabry já pareceram se estabelecer no time titular.

O time tem suas deficiências e precisará tratar delas para a próxima temporada. E há muito trabalho a ser feito. A dúvida é se Niko Kovac é o nome certo para fazer isso, mas certamente saberemos se ele terá a chance de continuar nas próximas semanas.