Inicialmente, o Campeonato Espanhol estava marcado para começar em 16 de agosto, uma sexta-feira, com o confronto entre Athletic Bilbao e o atual campeão, Barcelona. Entretanto, a Federação Espanhola (RFEF) determinou que a liga não poderia marcar jogos às sextas-feiras e segundas-feiras. A liga, por sua vez, afirma que é dela o direito de escolher as datas, e o embate vai ter que ir para o tribunal.

A juíza de competição da RFEF, Carmen Pérez González, determinou em resolução divulgada na sexta-feira (26) que as três primeiras rodadas de La Liga deverão ser disputadas apenas nos sábados e domingos e que a federação precisa ser consultada para mudança de datas. A RFEF afirma que a liga só pode determinar os horários dos jogos e que cabe a ela, federação, escolher as datas.

A Federação Espanhola afirma estar defendendo os interesses dos torcedores, escrevendo que os espanhóis não querem jogos às sextas e segundas. “Especialmente às segundas, é muito difícil para os torcedores curtirem os jogos.”

A liga não aceita a determinação e divulgou um comunicado afirmando que ela é quem decide datas e horários das partidas. Embora organize o campeonato, a liga é subordinada à Federação Espanhola.

No passado, torcedores já realizaram protestos contra a liga por causa dos jogos marcados fora dos finais de semana, permanecendo em silêncio nas arquibancadas ou até demorando para entrar no estádio. Em fevereiro, a torcida do Alavés fez um funeral de mentirinha para reclamar de um jogo alterado para uma segunda-feira.

O motivo por trás do interesse da liga em espalhar os jogos em quatro datas, de sexta a segunda-feira, são os lucrativos acordos de transmissão de TV do campeonato, que movimentam mais de € 2 bilhões em contratos nacionais e internacionais. A liga afirma que a decisão da RFEF prejudica e ameaça esses acordos. Mais datas significam maiores possibilidades de os jogos serem transmitidos em diferentes mercados ao redor do mundo.

Uma decisão final deve ser alcançada em 7 de agosto, data em que está marcada uma audiência para chegar a um consenso, ou ao menos uma determinação que vai desagradar um dos lados. Quedas de braço não são coisa nova na relação entre liga e federação, tomando como exemplo a tentativa de levar um jogo de La Liga, Barcelona e Girona, para os Estados Unidos na temporada passada. Josep Maria Bartomeu, presidente do Barça, é dos que reforçam este coro, sugerindo três jogos por ano fora da Espanha.