River Plate anuncia que não jogará por causa do coronavírus e Superliga promete sanções

A Argentina possui 34 casos de coronavírus confirmados até a noite desta sexta e, diante dos riscos, a AFA optou por fechar os portões em suas competições. Neste final de semana, começou a Copa da Superliga, envolvendo todos os times da primeira divisão. E o River Plate anunciou que não participará do torneio, preferindo evitar a exposição. Não houve qualquer caso positivo em Núñez, mas a decisão dos millonarios é preservar a saúde de seus funcionários e não entrar em campo neste sábado, quando a equipe deveria receber o Atlético Tucumán no Monumental.

“Seguindo as sugestões da Organização Mundial da Saúde e atentos às distintas resoluções do governo nacional e da cidade de Buenos Aires em relação à pandemia de coronavírus, o River Plate informa que o clube permanecerá fechado em sua totalidade a partir de sábado, por tempo indeterminado. Com esta medida, o clube busca resguardar a saúde dos sócios, dos empregados e das milhares de pessoas que participam diariamente das distintas atividades que se realizam na instituição”, escreveu, em nota oficial.

“Quanto ao futebol profissional, o clube considera que competir implica em severos riscos para a saúde do plantel profissional e de todos os envolvidos em uma partida oficial. O fato de hoje um dos nossos jogadores apresentar sintomas compatíveis com o coronavírus confirma os riscos advertidos e nos força a tomar consciência sobre as consequências mencionadas, apesar do fato de que o diagnóstico não tenha se confirmado e de que Thomas Gutiérrez esteja evoluindo favoravelmente. Em vista disso, o River decidiu que, atendendo a razões de força maior, não se apresentará para a partida contra o Atlético Tucumán. A mesma decisão será aplicada às categorias de base”, complementou a nota.

Em resposta, a Superliga Argentina emitiu um comunicado e declarou que o River Plate poderá sofrer sanções, caso siga em frente com sua posição. “A atitude adotada unilateralmente por um clube integrante da Superliga será passível de sanções. Os regulamentos regem a competição e todos os setores devem se subordinar a eles, sobretudo se as autoridades nacionais não encontram motivos científicos para restringir a disputa dos jogos, uma vez tomada a decisão que se realizem com portões fechados e sem público”, apontou a entidade, em carta assinada pelo vice-presidente Marcelo Tinelli.

A Superliga adotou até mesmo um tom acusatório: “Em momentos de incerteza global por uma situação totalmente atípica, em nosso futebol não deveria haver lugar para posições individualistas e unilaterais. As mesmas se afastam do contexto geral de prudência e causam um grande alarmismo na sociedade. Todos devemos ser conscientes e tomar em forma conjunta as medidas que aconselham os cientistas e especialistas sobre o tema. Cumprir as normas que recomenda o Estado é a melhor maneira de contribuir ao cuidado dos argentinos”.

Adversário do River Plate também na última rodada do Campeonato Argentino, que tirou o título da equipe de Marcelo Gallardo, o Atlético Tucumán não agirá de maneira solidária. O clube anunciou que pretende jogar no Monumental, mesmo contra a vontade de alguns de seus jogadores. O Decano aponta que concorda com a posição emitida pela Superliga e que se apresentará de acordo com a programação estabelecida. Desta maneira, os tucumanos expõem ainda mais os millonarios a uma possível sanção.

Publicamente, porém, os jogadores do Atlético Tucumán apoiaram a decisão do River Plate. “Nossa postura é de não jogar. Não apenas está em jogo a nossa saúde, como também de nossas famílias. Sou diabético e minhas filhas me pediam para não viajar a Buenos Aires. Isso vai muito além de uma partida de futebol”, escreveu o goleiro Cristian Lucchetti, capitão do Decano. Apesar dos riscos claros ao veterano, ele deverá se submeter à imposição da diretoria.

Segundo o regulamento da AFA, a ausência do River Plate no jogo resultará não apenas na derrota, como também em uma dedução de três pontos e em uma multa. Ao que parece, é um preço aceitável, ante aquilo que o clube vê como risco. É ver se outras agremiações não se posicionam da mesma maneira. Nesta sexta, a Copa da Superliga começou com dois jogos: o San Lorenzo (presidido pelo próprio Tinelli) venceu o Patronato por 3 a 1, enquanto Gimnasia de La Plata e Banfield empataram por 0 a 0. Lutando contra o rebaixamento, os dois clubes cogitaram não atuar, mas também terminaram ameaçados pela Superliga com a dedução de pontos.

Perguntado sobre a questão, Diego Maradona manifestou apoio ao River Plate: “Eu os banco até morrer. Veja, eu não gosto das galinhas, mas estou com eles. Se os jogadores tomam essa decisão, eu os banco”. O mesmo pensa Julio César Falcioni, técnico do Banfield: “Não precisávamos ter jogado hoje. Você tira o folclore do futebol sem a torcida, tira muitas coisas que o futebol necessita. Começamos um novo torneio. Que problema havia em paralisar? Não vai ter Eliminatórias, não deve ter Copa América, teríamos datas de sobra. Na semana que vem, seguramente vão suspender tudo. Qual a necessidade de se apressar, de arriscar os jogadores, de arriscar os velhinhos como nós?”.