Décimo colocado na Ligue 1 e sem mais nada para fazer até o fim da temporada, o Olympique de Marseille caminha no limbo e vaga sem destino nas últimas rodadas. A derrota para o Bordeaux apenas avivou um pouco mais o fogo que consome todas as esperanças construídas pelo clube e pelos torcedores, que não aguentam mais a sucessão de vexames protagonizados pela equipe.

O último golpe foi a lesão sofrida por Andre Ayew, que ficará cerca de três meses afastado dos gramados devido a um problema no ombro esquerdo. Nem o título da Copa da Liga Francesa serviu para aplacar a fúria do vulcão em erupção no Vélodrome. O risco de rebaixamento ainda continua, embora o OM esteja oito pontos acima da zona de rebaixamento. No entanto, com o desempenho do time nos seus jogos mais recentes da Ligue 1, o torcedor tem motivos para roer as unhas.

No Campeonato Francês, já são longos 12 jogos sem sentir o gosto de uma vitória. A paciência da torcida já foi para o espaço há tempos e, por medida de segurança, o clube achou melhor reforçar o esquema de segurança em seu centro de treinamento. Tudo para evitar a fúria de seus fãs, cansados de tantas decepções. O tamanho da frustração ficou comprovado com a debandada das arquibancadas ainda no intervalo da partida contra o Bordeaux.

O OM segue seu ritmo cambaleante já fazendo planos para a próxima temporada. A diretoria pretende fazer uma faxina daquelas no elenco. Para começar, Djimi Traoré, Elinton Andrade e Jean-Philippe Sabo, todos com contratos perto do fim, não permanecerão no clube. Situação parecida vive o atacante Brandão, cujo vínculo dificilmente será renovado.

O goleiro Gennaro Bracigliano também está preparando suas malas, mesmo tendo chegado apenas no ano passado ao OM. Contratado por € 4 milhões, o meio-campista Alou Diarra também deve começar a procurar uma nova casa. Os marselheses pretendem se livrar dele e do salário mensal de € 300 mil.

Aliás, enxugar a folha salarial se tornou um mantra para os dirigentes do Olympique de Marseille. Neste sentido, a saída de André-Pierre Gignac parece se encaixar perfeitamente neste ideal. Além de ganhar praticamente o mesmo do que Diarra, ele ainda se notabilizou pelas diversas encrencas nas quais se meteu no clube por conta de seu temperamento de estrela (que nunca foi, diga-se de passagem). Além da questão financeira, o OM também se livraria de alguém que provoca instabilidade no elenco.

Por outro lado, alguns dos principais jogadores da equipe já deixaram claro que pretendem continuar em 2012/13. O atacante Loïc Rémy tem cláusula liberatória de € 25 milhões e, mesmo com as presenças na seleção francesa e a consequente valorização, provavelmente ficará. Stéphane M’bia, na mira do Manchester United e do Milan, declarou que tem muito a viver no Olympique de Marseille.

Por fim, uma decisão crucial para os rumos do OM passa pelos bastidores: a permanência ou não de José Anigo. A situação do diretor esportivo dentro do clube está fortemente ligada à continuidade de Didier Deschamps como treinador. Os dois não falam a mesma língua e, se Anigo ficar, as chances de Deschamps procurar outro emprego aumentam consideravelmente. Isto, claro, afeta todo o planejamento quanto a contratações de reforços, além da sempre desgastante procura por um novo treinador.

PSG solidário

 

Quando coloca na cabeça que deve privilegiar o estilo de jogo coletivo, o Paris Saint-Germain faz apresentações seguras. Foi assim diante do Sochaux, com um 6 a 1 daqueles de acender a moral do mais desconfiado dos torcedores. Pressionado pelas vitórias de Montpellier e Lille no dia anterior, o PSG soube responder à altura e mostra que ainda pode dar a cartada final na Ligue 1.

O empate por 1 a 1 contra o lanterna Auxerre parece ter mexido com os brios da equipe. Além do péssimo resultado, incomodava a forma como o placar se desenvolveu – um PSG dominador, mas relaxado demais e convicto de que venceria quando quisesse. A lição do Abbé-Deschamps foi aprendida rapidamente pelos comandados de Carlo Ancelotti e aplicada com louvor no Parc des Princes.

Ameaçadíssimo pelo rebaixamento, o Sochaux bem que poderia encarnar o espírito do Auxerre e aprontar na casa do inimigo. O PSG, porém,  contou com atuações decisivas de dois jogadores que estavam devendo. Nenê deixou o individualismo que prejudicou os parisienses contra o AJA para trás. E, após alguns cartazes de ‘desaparecido’ espalhados pela capital francesa, Javier Pastore enfim deu as caras com uma boa atuação.

O argentino, de volta ao onze parisiense, assumiu a organização da equipe como há muito se esperava dele. Pastore fez um gol, deu uma assistência  e foi o cérebro de uma equipe que explorou muito bem a fragilidade defensiva do adversário – talvez até por conhecimento de causa, já que a zaga do PSG consegue dar sustos mesmo diante de um ataque pouco incisivo como o dos Leões.

Outros personagens também se destacaram na melhor exibição do PSG até agora nesta temporada. Thiago Motta marcou seu primeiro gol com a camisa do time da capital e foi soberano no combate no meio-campo. Jérémy Ménez também anotou o seu, mas se sobressaiu por conta de sua onipresença ofensiva e praticamente incansável. Nada mal para os ânimos de uma equipe que tem um duelo dos mais vitais contra o Lille fora de casa na sequência.

O Montpellier também se recuperou do deslize na rodada anterior, quando perdeu por 2 a 1 para o Lorient, mas não foi tão contundente como o PSG. O magro 1 a 0 sobre o Valenciennes manteve a vantagem de dois pontos para o time da capital e devolveu o ritmo à equipe. O MHSC se arriscou a repetir o vexame vivido pelos parisienses, mas ao menos conseguiu defender sua vantagem prematura.

O gol de Camara logo aos seis minutos fez o Montpellier adotar uma estranha prática. Mesmo jogando em casa, a equipe preferiu se fechar na defesa e tentar algum contra-ataque para matar a partida. A estratégia até teria algum fundamento se o Valenciennes fosse uma máquina, mas os visitantes mal criaram qualquer jogada mais aguda.

A postura dos donos da casa mudou na segunda etapa, quando o Montpellier saiu mais para o jogo e fez valer seu amplo domínio territorial para assegurar a vitória. Agora, a equipe se prepara para um complicado duelo contra o Toulouse fora de casa. E, em todo caso, também faz figa para que o PSG se dê mal diante do Lille.