Rio 2016

Precisamos conversar sobre a entrada do futsal nos Jogos Olímpicos

Foi imediato, tão rápido quanto um drible improvisado de Messi, uma curva maluca em cobrança de falta de Cristiano Ronaldo ou Bale arrancando. No que o Comitê Olímpico Internacional anunciou que beisebol/softbol, caratê, escalada esportiva, surfe e skate seriam integrados ao programa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, os amantes de futebol bradaram: e o futsal? É compreensível, pois a versão indoor do futebol tem bom nível de disseminação pelo mundo, critério principal para a inclusão de qualquer modalidade na Olimpíada. Mas, ao mesmo tempo, não dá para reclamar. A culpa é mais do futsal do que do COI.

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Para entender como surgiu a lista de novos esportes olímpicos, é preciso entender o processo e o que levou a ela. Thomas Bach assumiu a presidência do comitê com a missão de revitalizar o público e reduzir o custo dos Jogos. Um dos caminhos era dar mais espaço a modalidades com bom apelo popular e com boa aceitação entre os jovens. Para não inchar exageradamente a Olimpíada, algumas dessas novas modalidades poderiam ser apenas pontuais, entrar no programa de acordo com a escolha do país-sede. O beisebol é um exemplo, pois provavelmente terá grande público no Japão e toda a infraestrutura já está pronta.

O futsal poderia se encaixar nisso. É uma modalidade muito popular no mundo e praticada em bom nível por países de diversos continentes. Mas aí se chega ao segundo ponto: como o COI vai incluir uma modalidade se ela não faz questão de entrar?

Óbvio que os atletas e torcedores do futsal adorariam ver o esporte nas Olimpíadas. Os dirigentes salonistas também adorariam, tanto que houve tentativa de incluir o futsal na Rio-2016 e, na década passada, europeus tentaram convencer o COI a incluir o esporte nos Jogos de Inverno (o que forçou o COI a detalhar que a Olimpíada de Inverno era exclusiva para modalidades que lidassem com neve, gelo e frio).

Mas não é o mesmo com os dirigentes máximos do futsal. A modalidade é gerida pela Fifa, e a Fifa não tem a melhor das relações com o COI. A federação até gostaria de ter o futsal nos Jogos, mas não faz tanta força porque criaria uma negociação em que o Comitê Olímpico exigiria as melhores seleções possíveis, inclusive para o futebol de campo. Nesses termos, os cartolas de Zurique preferem deixar como está ao invés de debater com os cartolas de Lausanne.

O COI está certo em exigir que as Olimpíadas tenham os melhores atletas. Claro, o comitê permite que vários esportes atuem sem força total, como futebol, rugby e, em 2020, beisebol. Mas são modalidades grandes, com capacidade de atração de público mesmo com desfalques. O futsal merece os Jogos, mas não é tão forte a ponto de ser incluído nas exceções. Não podemos perder de vista que é uma modalidade com repercussão menor que várias outras, como basquete, vôlei, tênis, atletismo, natação ginástica e até golfe (sim, o golfe é grande em boa parte do mundo).

Por isso, protestar contra a seguida ausência do futsal nos Jogos Olímpicos é válido. Mas o alvo da reclamação tem de ser a Fifa, não o COI.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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