Rio 2016

Em tarde na qual vários foram mal, a atuação ruim de Renato Augusto pesou contra a Seleção

Quando Renato Augusto precisou ser chamado de última hora para substituir Douglas Costa na seleção olímpica, não parecia mau negócio. Obviamente, era de se lamentar pela lesão do ponta do Bayern de Munique, um dos melhores brasileiros da temporada. No entanto, o meio-campista se sugeria até mais útil, dentro das necessidades da equipe de Rogério Micale. Ajudaria a preencher o tine com presença física e qualidade técnica, em um setor sem as mesmas opções que as pontas. O problema é que Renato Augusto ficou devendo, e muito, na estreia brasileira nas Olimpíadas. Embora vários de seus companheiros também tenham ido mal no empate contra a África do Sul, sua atuação ruim comprometeu a estrutura da equipe.

VEJA TAMBÉM: Brasil foi engolido pelo nervosismo em uma estreia dura contra África do Sul

Renato Augusto tinha uma missão clara no meio de campo: organizar o jogo do Brasil e oferecer o passe de qualidade, para a movimentação do trio ofensivo. Seus companheiros não ajudaram, presos na marcação sul-africana e também abusando do individualismo. Mas não se viu a criatividade que se espera do encarregado pela construção. Pior, Renato Augusto tentava forçar muitas bolas, e errava. Expunha a Seleção a perigosos contra-ataques da África do Sul.

Além disso, faltava um pouco mais de consistência ao meio-campo na marcação. A defesa passou por apuros, e Renato Augusto não oferecia tanta proteção ao lado de Felipe Anderson. Entre o primeiro tempo e o início do segundo, os Bafana Bafana puderam criar algumas situações reais de gol. E o que se via era um latifúndio entre os homens de frente e a linha de zaga, sem imposição da superioridade técnica brasileira.

Por tudo o que jogou no final de sua passagem pelo Corinthians, se espera mais de Renato Augusto. Um jogador inteligente, de qualidade técnica e que tem papel primordial para dominar o adversário. Algo que faltou diante dos sul-africanos, e que o acabou relegando ao banco de reservas durante o segundo tempo, substituído por Rafinha Alcântara. Nos minutos finais, o Brasil partiu para o abafa. Pecou pela “fome” de vários em resolver sozinhos (especialmente Neymar, sem acertar jogadas básicas), embora também seja preciso destacar a entrega dos adversários na marcação.

Não dá para desconsiderar o período ausente dos treinamentos, que talvez tenha pesado contra Renato Augusto. Mas este não é o único ponto. Faltou dinamismo ao camisa 5. Mesmo a sua forma física parece distante do melhor que já atingiu no futebol brasileiro. Resta saber se é apenas algo pontual, que poderá ser recuperado no decorrer das Olimpíadas, ou se Micale precisará lidar melhor com as limitações do meio-campista.

O empate na estreia aumenta a necessidade de vitória do Brasil no segundo jogo, contra o Iraque. Será importante apresentar um pouco mais de organização e criatividade. Será importante contar mais com Renato Augusto, chamando sua responsabilidade e também acertando mais jogadas. O tropeço serve mais como um alerta à Seleção. E ao meio-campista que deveria ser o principal responsável por sua condução, mas não foi.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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