No papel, a Alemanha até desponta como favorita em sua chave. Mas é bom ter consciência de que há dois medalhistas em Londres-2012 para enfrentar na primeira fase, com experiência olímpica e boas opções acima dos 23 anos. Por mais que o Nationalelf se sugira um passo à frente pela base equilibrada, não dá para descartar o potencial da Coreia do Sul e, sobretudo, do México – atual dono do ouro e que traz até mesmo o herói Oribe Peralta. No mais, é ver como Fiji se portará em sua primeira competição internacional, com um elenco quase inteiro amador. Ao que parece, levar de pouco deve ser lucro.

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Alemanha

Juntando sua história nos tempos de Guerra Fria, a Alemanha possui cinco medalhas olímpicas no futebol masculino, incluindo uma de ouro e outra de prata. Heranças dos orientais, em tempos nos quais o amadorismo vigente no programa da modalidade permitia aos países comunistas enviarem seus melhores jogadores. O lado ocidental só conquistou um bronze, em 1988, quando o ataque comandado por Klinsmann parou nas mãos de Taffarel nas semifinais. Desde então, o Nationalelf nunca mais voltou aos Jogos. Mas agora apresenta um time que é forte candidato a medalha.

A base alemã se firma no bom trabalho desenvolvido por Horst Hrubesch na seleção sub-21. A campanha até as semifinais no Campeonato Europeu de 2015 é que deu a vaga aos germânicos. Time que, embora vários destaques tenham estourado a idade, serviu de referência para a montagem do elenco olímpico. Dentro das possibilidades, a Alemanha poderia contar com uma equipe até mais forte, considerando os jogadores sub-23 que foram à Euro 2016 e acabaram poupados de mais uma viagem ao Rio de Janeiro, como Draxler, Weigl, Kimmich, Sané e Can. Ainda assim, o que se vê é uma equipe equilibrada em diversos setores.

A defesa conta com a solidez de Horn, Ginter e Süle, jogadores mais do que experimentados na Bundesliga. O meio se sobressai pelo talento e pelo entrosamento de Goretzka e Max Meyer, do Schalke 04. E, na linha de frente, dois nomes a se observar são os de Selke e Brandt. Além disso, Hrubesch ainda conseguiu boas opções acima dos 23 anos: os irmãos Lars e Sven Bender, rodados em seleções de base, que servirão de motores para a engrenagem, além do centroavante Nils Petersen, que vem de boa temporada com o Freiburg. Olhando algumas opções de fora, mesmo entre aqueles que não foram à Euro, até dava para sonhar mais. Ainda assim, o time é interessante.

México

oribe

Os atuais campeões olímpicos podem não contar com tanta badalação, comparados a outros adversários. Ainda assim, permanecem como candidatos a ir longe na competição. O México nadou de braçada no qualificatório da Concacaf. Venceu todos os cinco jogos que disputou e sofreu apenas um gol, embora tenha escapado de cruzar com os Estados Unidos, seu principal rival. Nada que diminua o trabalho do técnico Raúl Gutiérrez, que assumiu a equipe olímpica depois de levar o sub-17 a duas finais do Mundial da categoria. Aliás, a experiência com as seleções de base facilita bastante o seu trabalho rumo ao Rio de Janeiro.

A princípio, o México chama bastante atenção pelos nomes acima da idade que traz às Olimpíadas, sem muitos problemas para a liberação com os clubes locais. Oribe Peralta foi o herói em Londres-2012 e está de volta para comandar o ataque. No gol, Talavera oferece bastante segurança, protegido ainda por Torres Nilo no sistema defensivo. Já a base sub-23 está recheada de jogadores com rodagem no Campeonato Mexicano. Entre eles, cinco que já passaram pela seleção principal. Carlos Salcido é o principal destaque defensivo, mas as principais peças estão do meio para frente: Marco Bueno, Hirving Lozano, Alfonso González. Já o único a atuar fora do país é o atacante Erick Torres, do Houston Dynamo, que já despontou como uma promessa maior, mas combina oportunismo e velocidade.

Coreia do Sul

son

Nenhuma outra seleção asiática possui mais tradição no futebol masculino dos Jogos Olímpicos. A Coreia do Sul vem para a sua décima participação, a oitava consecutiva, e conquistou o bronze em Londres. Desta vez, porém, fica mais difícil acreditar em nova façanha. Os sul-coreanos não tiveram tantas dificuldades para se qualificar ao Rio de Janeiro, terminando com o vice-campeonato no qualificatório da AFC, derrotados apenas pelo Japão na final. Difícil mesmo vai ser passar em um grupo com dois adversários mais consolidados. Ao menos a preparação serviu para dar alguma esperança: em seis jogos contra outros adversários olímpicos, os asiáticos venceram quatro (incluindo Suécia e Nigéria) e empataram dois.

Outro fator importante é que o principal jogador do país no momento estará presente no Brasil: Son Heung-Min foi liberado pelo Tottenham, servindo como um dos três reforços acima da idade. Ganha a companhia no ataque de Suk Hyun-Jun, outro rodado na Europa, além do capitão Jang Hyun-Soo, destaque no futebol chinês. No mais, o técnico Shin Tae-Yong conta com pouca experiência fora do país ou na seleção principal. As expectativas ficam sobre Moon Chang-Jin, artilheiro durante a fase preparatória, e de Ryu Seung-Woo, camisa 10 pertencente ao Bayer Leverkusen.

Fiji

krishna

A mera presença de Fiji no Rio de Janeiro já se coloca como um grande feito. Será a primeira seleção além de Nova Zelândia e Austrália a representar a Oceania nos Jogos. E contou com as circunstâncias para se classificar. O país terminou em segundo em sua chave na primeira fase dos Jogos do Pacífico, mas a ausência do líder Taiti nas Olimpíadas o botou em primeiro no mata-mata pré-olímpico. Venceu Papua Nova Guiné na semifinal e escapou da Nova Zelândia na decisão, após a escalação de um jogar irregular. Então, a vinda para o Rio foi ratificada nos pênaltis, após empate por 0 a 0 contra Vanuatu. Agora, é trabalhar para não levar goleadas homéricas.

O técnico é Frank Farina, considerado um dos melhores jogadores da história do futebol da Oceania. E ele terá que se virar com a base concentrada no modesto futebol local. Treze dos 18 convocados vêm de apenas três clubes: Ba, Rewa e Suva. O único profissional do elenco é também aquele considerado o maior jogador de futebol da história do país, o camisa 9 Roy Krishna. Atacante do Wellington Phoenix, o camisa 9 costuma marcar festivais de gols nas preliminares dos torneios da OFC. Aos 28 anos, é a maior esperança de manter alguma dignidade aos fijianos. Quem sabe um gol de honra, o que já seria bem significativo.

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